A espetacular conclusão! Os maiores heróis e escritores da Quadrim numa batalha de proporções épicas! Quem vive? Quem morre!? De que lado você está??
A Quadrim apresenta:
GUERRA CIVIL!
Um Evento em Quatro Partes
Quatro: Kali Yuga
Dedicado a todos que ajudaram a fazer da Quadrim o que ela é hoje: uma grande família!
Qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas ou traíras terá sido mera coincidência.
Aero-Sinagoga:
- Vamo quebrá tudo!
Mesmo antes de ouvir a ordem de Raul, sua equipe já estava preparada, punhos em riste, metrancas, dentes rangendo e tudo mais. Tinham ido longe demais para se darem ao luxo de fracassar. Aquela seria a última batalha para muitos deles.
Mas isso não era problema.
A perspectiva de ser preso, de ver tudo pelo que lutara se perder, seus aliados tombarem... nada disso sequer começava a preocupá-lo.
De todas as coisas que a Lei de Registro afetara, a pior era ter que enfrentar seus amigos.
E, do lado de Márcio Sampayo, Sapuxo era o único que dava conta do recado.
O anfíbio jedi era mestre em várias artes marciais esquecidas. Lutava tão bem com os punhos quanto com a mente. Era rápido, preciso e mortal.
Exceto quando o oponente era Raul Kuk.
- Judeu, podemos conversar?
- Não.
- Ainda podemos dar um jeito nisso. Nada do que você fez até agora é irreversível.
- Vocês, por outro lado, mataram o Waltão.
- Por isso temos que parar agora, antes que mais alguém...
- Vamos resolver isso no braço. Quem ganhar tá com a razão.
- Parece razoável.
Henrique já tinha usado todo o seu arsenal. Pistolas, rifles, fuzis, baionetas, metralhadoras, bazucas, mísseis anti-tanque e até um caça-jato iraquiano. Mas nada podia matar o Véio. Seu fator de cura o tornava não apenas o “Homem Mais Antigo do Mundo”, mas também o mais difícil de ser morto. Por mais que fuzilasse, apunhalasse, incendiasse ou dinamitasse o Véio, todos os esforços de Henrique eram em vão. Acenaram com uma trégua para falar sobre a cronologia nos mangás, mas não havia tempo para amenidades. Lutariam até a morte.
Ou algo parecido.
Qualquer coisa para que nunca mais tivesse que ver o Véio encaracolando os pêlos do peito enquanto cantava Emílio Santiago.
Luís continuava medindo seus poderes moleculares contra os raios de gelo ópticos de Rodrigo Zago, sem que nenhum dos dois cedesse. Era um combate limpo, habilidades sobre-humanas sendo levadas até o limite, o duelo de forças de vontade entre dois homens que tinham muito a provar.
Senão ao mundo, um ao outro.
- QI de ostra!
- Eu vou te matar!
Quanto ao Nery, ninguém sabe o que era mais perigoso: o fato de alguém com aquele peso poder voar e cair na sua cabeça a qualquer momento, ou a fantasia de pavão que usava. Provavelmente, suas vítimas não tinham muito tempo para considerar isso. Mesmo assim, Antonio conseguia se esquivar dele, fazendo ginga em uma dancinha nababesca. Filmagens dos seus passos se espalharam como uma praga pelo YouTube.
Leonardo usava o seu poder de viajar no tempo para enfrentar Salviatti, o cara que podia ver o futuro. Como eles faziam isso, eu não tenho nem idéia. Criaturas com o intelecto deste narrador têm verdadeiro horror a viagens no tempo, cronologia, paradoxos, linhas alternativas e essa coisa toda. Mas a coisa ficou feia mesmo quando Salviatti disparou contra Leonardo, que gritou:
- Oh, não! Uma rajada cronal!
Que diabos é uma rajada cronal? Ele arremessou um relógio? Um atraso? Um tempo perdido? Um desaniversário?
Quem realmente tinha força na equipe era Leandro Laurentino, o Jumentauro. Apenas a Bárbara agüentava no braço com ele e ver os dois descendo a porrada um no outro só não era melhor porque, quando eles erravam um soco, destruíam uma boa parte da aero-sinagoga.
Rigas e Ana ainda desciam a bordoada em Laion e Dario, o que deixava as equipes praticamente equiparadas. Na verdade, Márcio desperdiçou a vantagem ao matar o Nano. O fato de estarem em guerra não significava que iria tolerá-lo. O caos se estendia por toda a base, envolvendo muitos outros heróis e vilões, que tomaram seus partidos baseados no que acreditavam quando vestiram suas máscaras pela primeira vez. Talvez nenhum dos lados estivesse certo, afinal. Talvez houvesse um consenso. Uma chance de conciliar os pontos de vista e encontrar uma saída razoável.
“Algo que terminasse a guerra sem mais derramamento de sangue”, pensou Márcio.
Foi quando Rigas tentou pegar Sapuxo de surpresa. O jedi anfíbio o jogou longe, sendo logo auxiliado por Dario. Rigas, de um golpe surpresa, atingiu Dario, que caiu no chão sem vida. Antes que Sapuxo pudesse vingar o colega que tombara, Dario revelou sua veridadeira face.
Era um Skrull!
- Caralho de asa – disse Sapuxo. – Contra quem estamos lutando, afinal?
Longe dali, Raul era encurralado por uma força tarefa de ninjas-judeus treinados especificamente para derrotá-lo (e sair dessa com vida).
- Então esse é o Raul Kuk? Não me parece tão perigoso assim.
- Nem pra mim.
- Qual é a graça, Raul? Está gostando de nossas piadinhas, ou de levar uma surra?
- Não, só estou pensando em como o meu amigo lá em cima está prestes a dar o maior cacete em vocês.
- Sempre esperando que Deus lhe salve, hein?
- Peraí... “maior cacete”?
- Fudeu...
O perigo veio do alto e atravessou uma das paredes, de orelhas pontudas, asinhas nas canelas e sunga verde.
- MWHAHAHAHAHAHAHA!
- Ih, caralho. É o Namô. Estamos fodidos. Ele vai carcar todo mundo.
- Fujam!
- MWHAHAHAHAHAHAHA!
Namô, o Oxente-meu-Rei Submarino, carcava a tudo e a todos, inimigos ou aliados, de maneira inclemente e cruel. Com ele não tinha terror, cada enxadada era uma minhoca. Aos poucos, as forças pró-registro passaram a se resumir a um monte de gente correndo apavorada com medo da enguia do Soberano Soteropolitano dos Oceanos.
Todos, exceto Márcio Sampayo.
- Idiotas. Ainda tenho minha arma secreta.
Pressionando um botão secreto num painel secreto, Márcio convocou sua mais polêmica arma secreta: Clochôa, o Clone do Ochôa (secreto).
- Bah, massssjkrjkrjkrjrkwowowowoooopirlimpimpim, TCHÊ!
A confusão causada por Namô e Clochôa deu tempo para que Raul e Márcio, novamente, ficassem frente a frente.
- Rendição?
- Nunca.
- Raul, da última vez quase acabamos com você.
- Bem, as coisas estão meio diferentes agora, Márcio. Larissa...
Antes que Márcio tivesse tempo para reagir, uma rajada mental de Larissa forçou uma súbita diarréia.
- Agora eu estou lutando sujo. Literalmente. Bwehehe.
- Bah, masomarcitotátodocagadoquemerda, TCHÊ! – disse Clochôa. Ou isso, ou algo muito parecido. Era um clone perfeito, até os mínimos detalhes verbais. Mas antes que ele pudesse se voltar para ajudar o Márcio, foi detido pelo Véio:
- Opaaa! Que história é essa!?
Clochôa se deteve ante a visão daquele que vivia há mil eras e preparou-se para a batalha. Mas nada o preparou para aquilo.
- Como ousas personificar Ochôa?! Eu conheci Fábio Ochôa... Ele era meu amigo... E sabes de uma coisa, impostor? Tu não és Ochôa porra nenhuma!
Naquele instante, não longe dali, Raul Kuk tinha finalmente Márcio Sampayo em suas mãos:
- O que está esperando, Raul? Acabe logo com isso. Tou todo cagado.
Logo, tudo estaria terminado.
Raul Kuk teria derrotado seu amigo, e para quê? Isso mudaria a Lei de Registro? O governo voltaria atrás? Era o que realmente queria, ganhar tudo, menos a discussão?
Aquela Vitória de Pirro valeria à pena?
Foi nesse instante que o Véio deu o seu golpe em Clochôa. A última vez que o Véio bateu em alguém com tanta força, uma explosão chamada “big-bang” deu origem a... Bem, a um monte de coisas que conhecemos hoje. Dessa vez, no entanto, a porrada que o Véio deu destruiu a bateria que energizava o Clochôa, um pequeno gerador nuclear que abriu um rombo na fuselagem da aero-sinagoga.
- Fodeu, judeu! Estamos caindo! Vamos todos morrer!
- Jóia, vamos escolher uma cidade com um monte de gente pra cair em cima. Que tal o Rio?
- Não, seu idiota! Será que não consegue deixar de ser filho da puta nem numa hora dessas?
- Bão...
- Temos que impedir que as pessoas morram! Por que qualquer pessoa usa uma máscara, afinal? Registrado ou não, qual o propósito disso? Por que lutamos? Se você prefere não se registrar, ser perseguido, não ter salário, não ter direitos... Por que ainda usa esse uniforme? Quando você tira tudo de Raul Kuk, o que sobra? Alguém que não quer mais mortes! Ainda podemos interceder. Juntos, podemos ser os melhores do mundo! Você quer mesmo deixar assim uma coisa que o traíra do Morfo começou!?
- ...
- ...
- Isso é tão era de prata. Namô, tire todo mundo daqui.
- MWHAHAHAHAHA!
- Inclusive a Ana.
- Ôxi...
Raul e Márcio ficaram sozinhos no gigantesco complexo, que estava caindo vertiginosamente rumo ao solo. Se o reator nuclear que alimentava a aero-sinagoga explodisse, milhões de pessoas morreriam. Tinham pouco tempo.
- Raul, nós temos que inutilizar o gerador nuclear antes de cairmos.
- Como?
- Eu tive uma idéia. Um PEM específico.
- ...
- Com seus poderes, você pode gerar um pulso que destruiria o gerador, ionizaria as baterias, inutilizaria as fontes e reduziria todo esse lugar a cinzas...
- Cara, isso é tão inverossímil. Se eu posso fazer, por que você está aqui, afinal?
- Pra você não levar a fama sozinho. Porque só eu tenho a senha que abre a sala do gerador. E porque nós temos que fazer isso juntos, afinal.
Os dois se olharam por alguns momentos, determinados a morrer como viveram.
- Foi uma honra, velho amigo.
- Foi uma honra, meu amigo.
Márcio começou a ativar os sistemas que abririam a sala do gerador. Enquanto corria para lá, Raul pensava: “PEM específico? Ele falou sério?”
Em terra, todos olhavam para o céu, esperando que aquela crise terminasse como tantas outras tinham terminado. Tudo voltava ao que era, nada estava perdido, ninguém morria de verdade e todos voltariam para casa.
Talvez se colocassem suas diferenças de lado, tudo se resolvesse.
Talvez...
Um grande clarão, uma explosão silenciosa, acabou com as esperanças de todos de que aquilo se resolveria de uma maneira simples. Toda a plataforma desapareceu, destroços incandescentes se transformaram em cinzas e milhões de vidas foram salvas quando Raul usou seus poderes para gerar um – aham – PEM específico, enquanto Márcio garantia o acesso.
Ninguém sabia o que dizer. Não houve um só dia de suas vidas que cada uma dessas pessoas não tenha desejado que um deles – ou ambos – se fodessem. Finalmente, esse dia tinha chegado. Nenhum agradecimento seria o bastante.
Sapuxo tratou de reorganizar a equipe dos Vingadores, enquanto algumas pessoas resolveram se registrar ou simplesmente resolveram dar um tempo com a vida de vigilante mascarado. Namô voltou para seu reino, pois o carnaval estava chegando e ele não queria perder o trio de Ivete. E Larissa...
Larissa tinha o estranho pressentimento de que nada daquilo era o que parecia.
Epílogo:
Seis meses depois...
- A idéia foi sua.
- O carro é seu.
- Mas você tinha que escolher vir justo pro Rio de Janeiro?
- Lugar ideal pra começarmos nossa nova base de operações e investigarmos secretamente aquele cadáver Skrull. Agora, quem não pagou o licenciamento do carro foi você!
- E eu lá ia saber que tinha blitz policial na Linha Vermelha?
- O que você esperava? Tapete vermelho? Ninguém sabe quem somos nós. Com essas barbas, nós estamos invisíveis.
- Ei – perguntou o policial que revistava o carro. – Tu não é o tal Márcio Sampayo?
- Eu? Nem fodendo. Nunca ouvi falar.
- Certeza?
- Absoluta.
- Hmmm... Sinto muito, mas vou ter que te levar pra delegacia. Documento do carro irregular, documento pessoal não bate... O norueguês aí pode ir embora, mas você vem comigo.
- Porra, caralho. E agora? Fodeu.
- Não se preocupe, eu te tiro da cadeia. Primeiro, tenho que dar um jeito naquela árvore lá da Lagoa. A propósito, guarda, ele esconde maconha no sapato.
O FIM?