Quadrim
  Login or Register
::  Home  ::  Downloads  ::  Your Account  ::  Forums  ::
 Menu Principal
 Home
 Fanfictions
 Títulos
 Enciclopédia
 Contato
 Top 10
 Faça Parte
 Comunidade
 Infos
 Estatísticas
 Busca
 Account
 Enquetes
 
 Vingadores 31 - Os Protocolos Visão: REBOOT
VingadoresA ameaça de Amazo foi debelada, mas agora os Vingadores terão outra árdua batalha pela frente: A luta pela vida do Capitão América.


VINGADORES
Capítulo 31

REBOOT
Os Protocolos Visão- Parte X

Por Marcio Sampayo


PARIS – FRANÇA – 23:45 – Hora Local

Nicholas Joseph Fury acendeu o charuto, enquanto admirava ao longe as luzes de Paris refletindo-se no rio Sena.

Sentado na sacada, vestindo apenas uma calça de pijama, Fury apreciava seu charuto, juntamente com uma taça de conhaque local, o melhor que ele já tomara.

Do quarto, os acordes suaves de Breathless, de Corrine Bailey Rae, chegavam até seus ouvidos, fazendo com que um sorriso se formasse em seus lábios.

Aquela era a música que tocava quando fizera amor com Sharon Carter pela primeira vez.

Virou o rosto para olhar para dentro do quarto. Sharon, toda curvas e cabelos louros espalhados pelos lençois, dormia nua no meio da cama, alheia a tudo. Fury surpreendeu-se pensando, mais uma vez, que poderia passar a noite toda apenas observando-a dormir.

Soltou a fumaça do charuto para o ar, apreciando o aroma que inundava seus pulmões. Por mais difícil que fosse para um velho cão de guerra como ele admitir, estava apaixonado.

Ainda era difícil para ele entender o que tinha acontecido. Trabalhara ao lado de Sharon por anos a fios, sem misturar as coisas. Admirava a beleza dela, como 99% do efetivo masculino da S.H.I.E.L.D. também fazia, mas jamais imaginara que pudessem ter qualquer coisa.

Aos poucos, foi se deixando envolver pela inteligência, coragem e sensibilidade de Sharon, uma das únicas pessoas que conviveram com ele e conseguiram enxergar além da carranca mal humorada e razinza que usava constantemente.

Aos poucos, ela foi abrindo a fortaleza bem protegida que era a personalidade dele. Nas conversas pós reuniões, quando jantavam juntos, quando ela arrasava com ele na mesa de bilhar ou quando discutiam por pontos de vista diferentes, ele conhecia um pouco mais sobre ela, e mesmo sem querer, acabava soltando pequenos pedaços de informação sobre si mesmo, coisas que apenas o Capitão América ou Dum Dum Dugam, as únicas pessoas no mundo todo que ele considerava seus amigos, sabiam.

Surpreendeu-se pela primeira vez quando percebeu que estava contando para Sharon coisas que nem mesmo seus únicos amigos sabiam.

Uma coisa levou a outra, as reuniões com Sharon foram tornando-se mais frequentes, às vezes sem nem ao menos tentar disfraçar que não tinha nenhuma razão para chamá-la a sua sala, a não ser ouvir o som de sua voz.

O primeiro beijo aconteceu no meio de uma discussão acalorada sobre uma missão de infiltração na Hungria, o tom de voz de cada um deles se elevando cada vez mais, até que Sharon gritou que “estava se desligando da agência” e deu as costas, prometendo sair do escritório dele, para nunca mais voltar. Fury deu a volta na mesa, impediu-a de sair segurando-a pelo braço e a puxou para si, beijando-a com uma intensidade e uma necessidade que nenhum dos dois mais parecia ser capaz de esconder.

Os encontros foram tornando-se mais e mais comuns, os restaurantes começaram a dar lugar a jantares feitos em casa, ao som de músicas romanticas e regados a vinho.

Fizeram amor pela primera vez na casa dela, depois que ela tentara preparar um jantar especial e acabaram comendo comida chinesa requentada. Bebiam a segunda ou terceira taça de vinho, quando a música de Corrine Bailey Rae começou a tocar e Fury a surpreendeu, convidando-a para dançar.

Foi algo tão inesperado e tão atípico dele, que Sharon acabou se entregando completamente naquela noite. Os beijos começaram de forma suave, tornaram-se cada vez mais intensos, até que as roupas atrapalharam e sumiram como se nunca tivessem estado ali.

Amanheceram abraçados no sofá, roupas e restos de taças de cristal espalhados pelo chão, sabendo que a partir daquele momento, as coisas não seriam mais as mesmas.

E agora estavam ali, em uma das cidades mais românticas do mundo, vivendo coisas que Fury só tinha visto nos filmes ou escutado os outros contarem, sem nunca dar muito crédito.

Foi tirado de seus pensamentos pelos braços quentes da mulher que o abraçou por trás. Ele virou-se, fitando os olhos verdes de Sharon Carter, enrolada em um lençol, e a beijou longamente.

Ficaram ali, entrelaçados, por muito mais tempo do que ele se lembrava estar acostumado a beijar qualquer outra mulher. Depois do beijo, ela aninhou-se nos seu peito, em um abraço carinhoso, outra coisa com a qual não estava muito habituado.

Estava aprendendo muitas coisas com ela. Mais do que gostaria de admitir.

Ficaram abraçados em silêncio por um bom tempo, até que Sharon quebrou o silêncio, falando tão baixo que ele quase não era capaz de ouvir:

- Não consegue dormir?

Ele afagou o rosto dela, com delicadeza. Sentiu o perfume suave dos cabelos dela, dando-se conta do quanto adorava a forma como a voz dela soava aveludada, quando ela sussurava daquela forma. Falou, no mesmo tom:

- Não... Paris sempre desperta lembranças que acabam me deixando nostálgico...

- Lembranças ruins?

- Pelo contrário. Lembranças boas. Algo que não é muito comum na minha vida...

Ela sorriu, levantou o rosto e deu-lhe um beijo leve na boca. Passou a mão pela cabeça raspada dele, depois acariciou-lhe o rosto e falou:

- Não se preocupe... Vamos construir lembranças maravilhosas... Juntos.

Ele sorriu, e não respondeu. Não era conhecido por ser um sujeito sentimental.

Em vez disso, simplesmente pegou-a, colocou-a sentada em seu colo, sem dificuldade, e puxou o lençol que ela enrolara no corpo, revelando uma silhueta perfeita.

Começou a beijar seu pescoço, depois desceu o rosto para os seios, onde começaria uma jornada que só terminaria no raiar do dia.

Se não tivessem sido interrompidos por uma batida na porta.

Os dois sobressaltaram-se ao mesmo tempo. Antes que Fury terminasse de se levantar, Sharon já estava dentro do quarto, vestindo um roupão.

Ele atravessou o quarto, praticamente correndo, pressentindo a urgência da situação. Os soldados que guardavam o corredor tinham ordens expressas de não interrompê-lo em hípotese alguma.

E, se alguém estava interrompendo, era porque alguma coisa muito grave estava acontencendo.

Fury abriu a porta abruptamente, cortando o soldado antes que ele terminasse de bater continência, dizendo:

- O que tá pegando?

- Senhor, sinto interromper, mas os Vingadores estão enfrentando uma ameaça em Detroit e...

- Direto ao ponto, soldado.

- O conflito parece ter tomado proporções... Descontroladas. Reportes iniciais indicam que o centro de Detroit está devastado... E que os Vingadores sofreram baixas.

- O que? Quem..?

- Não sabemos ainda. Temos equipes à caminho, mas achei melhor avisá-lo, senhor... Porque, ao menos aparentemente, uma das baixas – ainda não confirmada – pode ser o Capitão América.

Fury não conseguiu soltar o ar. Virou-se, a tempo de ver Sharon com lágrimas nos olhos, cobrindo a boca com a mão, abafando um grito, atordoada pela notícia. Ele voltou-se para o soldado e falou:

- Quero reportes imediatos, à medida que forem surgindo. Quero um helicóptero no terraço ASAP (*), e o jato mais veloz que estiver disponível nos aguardando no De Gaulle.

- Senhor, tomei a liberdade de pedir um dos novos Quinjets que a Stark forneceu para a Shield. O jato estará aqui em T – 2 minutos, e poderá levá-lo aos EUA em menos de duas horas.

Fury assentiu com a cabeça. Verificou o nome do soldado na etiqueta de identificação, e guardou-o na memória. Bons soldados mereciam ser recompensados, e ele se lembraria de promovê-lo assim que fosse possível.

Fechou a porta, enquanto procurava suas roupas pelo chão. Sharon já estava se vestindo. Sem virar o rosto, ele falou simplesmente:

- Vamos partir em 90 segundos.

E tentou se concentrar na tarefa impossível de parar de imaginar seu mais antigo amigo morto.


CENTRO DE DETROIT

A tarefa diante de Ray Palmer parecia impossível. As chamas pareciam ter centenas de metros de altura, e o calor parecia querer derreter sua pele.

Desviava-se constantemente de destroços e faíscas. O terreno era irregular, com detritos do tamanho de montanhas retardando seu avanço.

Concentrava-se no som devastador de golpes à sua frente. No que parecia ser quilômetros de distância, dois colossos digladiavam-se mortalmente. O novo visão, rosto inerte de emoções, soltava golpe após golpe no esqueleto metálico do ser que os Vingadores conheciam como Amazo.

Com a maior parte da carne arrancada do esqueleto devido a força dos golpes do Visão, o endoesqueleto do andróide coberto de sangue era uma visão aterradora, ainda mais vista daquela perspectiva.

Cada um deles parecia ter quilometros de altura.

Ray estava com o tamanho tão reduzido, que os ácaros da rua pareciam dinossauros trazidos de uma época perdida. Movia-se o mais rápido que podia, tentando atravessar a área devastada sem ser visto por nenhum dos combatentes.

Quase foi atingido quando o Visão desviou-se de um golpe de Amazo, agarrou o androide pelo braço e jogou-o no chão, arrebentando o asfalto e espalhando pedaços de concreto pelo ar.

Ray Palmer estava em cima de um desses pedaços de concreto, e usou o impulso para lançar-se no ar e, em movimentos acrobáticos exaustivamente treinados, conseguiu pousar no rosto do Visão.

Reduzindo ainda mais seu tamanho, encontrou uma via de acesso pelo ouvido do Visão, chegando rapidamente ao “sistema circulatório” do sintozóide. Dali, cavalgando um impulso elétrico, chegou até a CPU do Visão, e assumiu o controle.

A partir de agora, Ray Palmer estava no comando.

E, com as informações que conseguira com Anthony Stark, o Homem de Ferro, a batalha não se estenderia por muito mais tempo.

Estava enxergando com os olhos do Visão, movendo-se com o corpo dele como se estivesse no comando de seus próprios braços e pernas.

O andróide cromado levantou-se, seus olhos brilharam e ele disparou a rajada de visão de calor. Palmer aumentou a densidade do corpo do Visão ao nível máximo, e as rajadas de calor foram refletidas pela pele endurecida do sintozóide.

Com um movimento direto e fluído, lançou-se contra o andróide, agarrando-o pela cintura e derrubando-o no chão. Ainda com a densidade aumentada, desferiu golpes potentes no crânio do ser robótico, sem grandes resultados.

O andróide chutou seu peito, fazendo-o cair para trás, e se levantou. Investiu contra ele, socando-lhe o estômago, e segurou seu rosto, prestes a desferir uma nova rajada de calor, mas não teve tempo de agir.

Sem aviso, o sintozóide reduziu a densidade de seu braço, tornou-se intangível e afundou a mão dentro do crânio blindado de Amazo.

Em seguida, solidificou-se o suficiente para agarrar fortemente o chip que controlava a criatura, e arrancou-o.

Sem sua central de comando, o corpo cromado do andróide caiu no chão, como uma marionete com os fios cortados. Os olhos brilharam com intensidade maior por um segundo, depois lentamente foram diminuindo o brilho, até apagar completamente.

Amazo estava, finalmente, derrotado.

Ray Palmer respirou aliviado. Ainda com os olhos do Visão, olhou a seu redor.

O centro de Detroit estava completamente devastado. Chamas e destruição eram visíveis aonde quer que se olhasse.

Podia ouvir o som de gemidos e de sirenes se aproximando.

A ameaça tinha sido debelada.

Mas o custo disso tinha sido muito maior do que qualquer um deles poderia imaginar.


HOSPITAL GERAL DE DETROIT – 2008 – UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

A Dra. Gray correu agitada para a Sala de Cirurgia 5, tentando inutilmente ignorar que o destino do maior herói do país estaria, em alguns instantes, em suas mãos. Enquanto lavava e desinfetava as mãos, e uma enfermeira ajudava-a a colocar as luvas, ela repassava os diagnósticos em sua cabeça, tentando certificar-se de que estava fazendo a coisa certa.

Abriu as portas duplas da sala de cirurgia com as costas, e aproximou-se do paciente. Steve Rogers estava deitado, uma máscara de oxigênio presa a seu rosto, diversos eletrodos grudados na cabeça e no peito, monitorando todo os seus sinais vitais.

O resto da equipe médica já o deixara preparado para a cirurgia, cabendo finalmente à Dra. Grey a tarefa ingrata de aleijar o Capitão América.

Para salvar a vida dele, teria que cortar o braço direito, na altura do cotovelo. E esse era o menor dos problemas dele.

Estava em coma, com traumatismo craniano, diversas fraturas faciais e uma concussão muito grave. Ainda não era possível avaliar a extensão dos danos cerebrais, pois não fora possível fazer uma tomografia.

A “correria” de Steve Rogers pelos corredores do hospital tinham agravado ainda mais seus sintomas, e ele desmaiara, entrando em coma, assim que descobriu que Jesse Quick estava no mesmo hospital, em estado ainda pior do que o dele.

Mas no momento, o mais grave era o braço. A extensão das fraturas e a complexidade dos danos musculares sofridos não deixava alternativa para microcirurgias ou qualquer outro tipo de procedimento médico que pudesse ser usado para salvar o braço.

Sem irrigação sanguínea, os tecidos apresentavam estágios iniciais de necrose, e se o braço não fosse amputado, a infecção se espalharia pelo resto do organismo, levando-o à morte.

Enfermeiros limparam o braço destroçado, pouco abaixo do cotovelo, onde uma linha marcava o local exato do corte. A Dra. Grey repassou os procedimentos que seriam realizados, com a equipe médica, e pediu o bisturi nº 9, para iniciar o processo de amputação.

Quando a lâmina fria do bisturi encostou na pele de Steve Rogers, fazendo com que uma pequena gota de sangue se formasse, a sala foi invadida por dois soldados armados, que empunhavam metralhadoras e exigiram que todos se afastassem do paciente.

A Dra. Gray abriu a boca para protestar e expulsar os soldados de sua sala de cirurgia, a simples presença deles ali dentro, de armas em punho, já contaminava o ar e impedia que a cirurgia prosseguisse.

Mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, os soldados deram passagem para um homem vestido de preto, cabeça raspada e tapa-olho, um olhar de autoridade simplesmente inquestionável.

Nick Fury apontou para seu melhor amigo, deitado em uma sala de cirurgia, lutando pela vida, e falou:

- Doutores, desculpe pela interrupção. Mas seu paciente vai ser transferido para outro hospital.


BELMONT HOSPITAL – NOVA IORQUE

Charles McNeider ainda estava trabalhando em seu escritório, apesar do horário avançado. O Belmont Hospital tornara-se referência mundial em tratamento meta-humano graças a seus esforços e a dedicação incondicional que ele destinava à suas atividades.

Estava analisando os últimos números do relatório anual de resultados financeiros, uma das atividades que ele menos gostava de fazer, mas que mantinha questão de levar pessoalmente.

Dessa forma, ele sabia exatamente que cada centavo que entrava na contabilidade do hospital seria revertido para a manutenção e melhoria do mesmo, impedindo qualquer tipo de desvio ou mau uso da verba.

Todos os meses a rotina repetia-se, ele mergulhava nos números, analisando os dados incansavelmente, deixando o tempo passar até estar satisfeito e assinar os relatórios.

Não raro, quando saia do hospital o dia já tinha amanhecido, e ele acabava tomando café da manha no mesmo restaurante que freqüentava há 25 anos.

Foi tirado de sua rotina e de seus relatórios pelo toque do telefone. Ele tirou o aparelho do gancho, imaginando quem poderia querer falar com ele aquela hora da noite.

- McNeider.

- Charles, Nick Fury falando.

- Nicholas, meu velho amigo… A quanto tem…

- Charles, desculpe, mas não temos tempo pra isso. Preciso que você prepare seu hospital para a chegada de vários Vingadores feridos, inclusive Jesse Quick. E não estou falando dos equipamentos normais, mas aqueles desenvolvidos por Richards, Stark e Hank Pym, aqueles que o resto do mundo nem imagina que existam.

- Mas, o que houve...

- Detalhes assim que chegarmos, daqui a uns vinte minutos. Preciso que entre em contato com Reed Richards e solicite a presença dele imediatamente no Belmont, e deixe uma sala de cirurgia pronta, com seus melhores médicos de prontidão.

- Nick, o que diabos está acontecendo?

- O Capitão América está morrendo, Charles. É isso que esta acontecendo.

A linha ficou muda. Charles McNeider, o Meia Noite original, ficou longos instantes olhando para a parede de seu escritório, sem ficar o olhar em lugar nenhum, segurando estupidamente o aparelho de telefone na mão direita, absorvendo o que acabara de ouvir.

Nick Fury. Capitão América. Morte.

No instante seguinte, estava fora do escritório, gritando ordens para seu pessoal.


CENTRO DE DETROIT

As equipes da S.H.I.E.L.D. tinham chegado na hora certa, exatamente alguns minutos depois de Ray Palmer, controlando o novo corpo do Visão, finalmente ter derrotado a criatura cibernética conhecida como Amazo.

Agindo com profissionalismo, os agentes controlaram a situação de forma rápida, isolando todas as ruas que davam acesso ao centro da cidade, agora devastado, e prestando os primeiros socorros para as inúmeras vítimas, atingidas pela batalha entre Amazo e os Vingadores.

Ray estava em seu tamanho normal, ajudando Anthony Stark a tirar, manualmente, peça por peça de sua armadura do Homem de Ferro.

Avariada durante a luta com Amazo, Stark não conseguia mais energizar a armadura, que pesava demais e não permitia que ele se mexesse.

Sua perna estava imobilizada, mas como sofrera uma fratura exposta, seria necessário receber tratamento médico especializado. Um helicóptero da S.H.I.E.L.D. estava de prontidão, esperando que ele estivesse em condições de ser levado ao Belmont Hospital.

Equipes CSI da S.H.I.E.L.D. estavam no galpão onde a luta começara, resgatando os outros Vingadores e analisando o que agora era uma “cena de crime” meta-humano.

Ray e Stark não tinham idéia da gravidade dos ferimentos de seus colegas de equipe, e estavam profundamente preocupados.

Ele ajudou Stark a tirar a última peça da armadura, deixando apenas a placa peitoral, que alimentava o dispositivo permanentemente preso a seu peito, que impedia que estilhaços metálicos entrassem no seu coração e o matassem.

Palmer estava exausto, cada centímetro de seu corpo doía, o uniforme estava chamuscado e imundo, e assim que colocasse Stark no helicóptero, deitaria em uma das macas e se deixaria ser levado para o hospital mais próximo, onde pretendia dormir por, pelo menos, dois dias.

Foi tirado de suas aspirações por um jovem soldado, que aproximando-se dele e, batendo continência, falou:

- Dr. Ray Palmer?

Palmer assentiu, imaginando qual seria a próxima surpresa. O soldado falou:

- Sua presença está sendo requisitada de forma urgente no Belmont Hospital, senhor!

- Deve estar havendo algum engano, rapaz. Eu sou um cientista, não um médico.

- Sem enganos. O Coronel Fury garantiu que o senhor é o mais indicado para esta missão.

-Missão? Que missão?

- Salvar o Capitão América.


BELMONT HOSPITAL – NOVA IORQUE

Quando Ray Palmer chegou ao Belmont Hospital, o circo já estava armado. Em um mundo dominado por Youtube, Twitter e Orkut, simplesmente NADA se tornava segredo por muito tempo.

O hospital estava cercado por repórteres, furgões das emissoras de TV e, claro, centenas e centenas de curiosos.

Por um segundo, Ray cogitou a possibilidade de analisar os dados do Twitter até encontrar de qual smartphone da S.H.I.E.L.D. o provável recado “Vingadores derrotados. Feridos levados para o Belmont” tinha saído, e dar um soco pessoalmente na cara do miserável.

Mas só por um segundo.

Estava mais cansado do que imaginava, o desafio físico e a tensão em tentar salvar os dados do Visão, testemunhar seus amigos e colegas de equipe sendo derrotados um a um e os embates físicos com Amazo estavam cobrando um preço maior do que seu corpo parecia ser capaz de agüentar.

O helicóptero pousou suavemente no heliporto do Belmont, onde ele estava sendo esperado por uma junta médica, que foi incapaz de dar maiores detalhes sobre o que estava acontecendo, pedindo apenas que ele os seguisse até a sala de cirurgia.

A agitação pelos corredores do hospital estavam muito maiores do que o normal. Ray viu uma ou duas enfermeiras passando correndo e chorando.

Em um hospital acostumado a lidar com meta-humanos, aquilo era definitivamente um mau sinal.

Um dos membros da junta médica entregou-lhe um uniforme completo de médico, e encaminhou-o a um vestiário, com ordens expressas de tirar o uniforme, tomar um banho desinfetante e colocar as roupas médicas.

Ray pensou em protestar, mas viu que o crachá que o médico trazia pendurado no bolso era da S.H.I.E.L.D. e não do Belmont.

Protestar não adiantaria nada.

Ele tirou o uniforme, e colocou-o no cesto de roupas médicas sujas. Tomou um banho quente, muito mais curto do que ele realmente gostaria, apenas o suficiente para tirar a sujeira do corpo e desinfetar um pouco.

Colocou o uniforme médico e saiu do vestiário, acompanhando os enfermeiros que o esperavam.

Eles o levaram até uma sala de cirurgia, guardada na porta por soldados armados, o que o deixou desconcertado. Os soldados abriram passagem para que ele entrasse.

Ray Palmer entrou na Sala de Cirurgia, onde encontrou Reed Richards, Hank McCoy, Tchalla, Charles McNeider e Soranik Natu, discutindo, visivelmente apreensivos.

A equipe médica tinha até mesmo uma Lanterna Verde. O caso era mais grave do que imaginava.

Deitado na mesa de cirurgia, coberto por um lençol, com o braço imobilizado em uma esfera de acrílico de alta tecnologia, desenvolvida por Tony Stark, estava Steve Rogers.

Palmer deu a volta na maca, para observar o paciente. O rosto estava inchado, deixando Steve irreconhecível. Ray checou os sinais vitais. Não era perito em medicina, mas podia ver que as indicações de sinais cerebrais não apresentavam alterações.

Coma profundo.

Reed Richards, o líder do Quarteto Fantástico, era o líder da junta médica, ele aproximou-se de Palmer, e falou:

- Ray, primeiramente, quero pedir desculpas por estar aqui. Sei que esteve na mesma batalha que Steve, e que deve estar exausto, mas precisamos de você.

- Reed, eu não sou médico.

- Esse não é o problema, Ray. Todos nós já examinamos Steve, e fizemos tudo o que estava ao alcance da medicina. Steve está em estado muito grave, mas estabilizado no momento. O mais grave, por hora, é o braço. Só não amputamos ainda porque o Belmont tem equipamentos médicos especiais.

Ele apontou para a esfera de acrílico, e continuou:

- Stark desenvolveu aquele equipamento para situações como esta. O sangue não está podendo circular pelos tecidos do braço, e aquele equipamento impede que os músculos fiquem necrosados por falta de oxigênio.

Reed esticou o braço, tirando duas radiografias de um painel luminoso, do outro lado da sala de cirurgia. Ele levantou-as contra a luz do teto, mostrando-as a Ray.

- Os ossos do braço foram pulverizados, Ray. Não é possível reparar. McCoy conseguiu estabilizar o organismo de Steve, diminuiu a pressão intra-cranial e recuperou a maior parte dos ossos faciais, pelo menos por enquanto.

Reed chamou Tchalla e Soranik Natu para a conversa, e continou:

- Nós analisamos a situação, e não havia muita alternativa além de cortar o braço. Mas Soranik e Tchalla chegaram a uma solução... Criativa, para dizer o mínimo. Usando seu anel, Soranik pode juntar os pedaços esmigalhados dos ossos do braço, e Tchalla pode revesti-los com uma liga metálica composta de titânio e vibraniumm. Isso nos permitiria salvar o braço dele.

- Vocês parecem estar com a situação dominada, Reed? Porque precisam de mim?

Reed sorriu. Ele apontou para Steve e falou:

- Ray, isto vai muito além do conceito de micro-cirurgia. O braço de Steve está tão deteriorado, que é impossível cortar músculos e artérias para chegar até o que sobrou dos ossos. Você precisa reduzir seu tamanho, entrar no organismo dele e, por rádio, coordenar o trabalho de Soranik Natu e Tchalla. Eles terão que trabalhar seguindo as suas ordens.

Ray Palmer olhou para os rostos apreensivos de todos eles, e compreendeu o peso da responsabilidade que tinha nas costas. Não havia espaço para falhas. Um erro de cálculo, e ele condenava o braço do Capitão America.

Assentiu com a cabeça, e falou:

- Vamos nessa. Temos trabalho a fazer.


Nick Fury acompanhava o trabalho da junta médica pela sala de observação do Centro Cirúrgico.

A operação já durava seis horas e, desde que começara, ele não saíra dali para nada, nem mesmo para fumar um charuto.

Um soldado trazia os relatórios sobre as investigações do confronto com Amazo e um copo de café, de tempos em tempos.

Em sua mente, ele analisava todos os cenários possíveis. Os Vingadores tinham sofrido um golpe muito, muito forte nessa noite.

Stark estava internado em um dos quartos, com a perna engessada. Ele fora sedado, e ninguém ainda lhe contara o destino de seus colegas de equipe.

Janet tinha sido localizada em um hospital em Detroit, e já fora transferida para o Belmont. Tinha mais de dezenove fraturas espalhadas pelo corpo, mas sobreviveria sem seqüelas.

O mesmo não poderia ser dito sobre Shaft. Localizado no armazém destruído por soldados da S.H.I.E.L.D., equipes de cirurgia plástica tentavam, sem sucesso, salvar o que sobrara do seu rosto carbonizado. Ele não perderia a visão, e os médicos consideravam isso uma “excelente notícia”.

O Capitão Marvel tinha retornado a sua forma humana, e Billy Batson entrara em choque ao saber da morte da Mulher Hulk. Estava em um quarto do Belmont, sob efeito de sedativos.

Jesse Quick estava em coma induzido, mas os danos na coluna tinham sido severos. Estava paralítica.

Uma velocista que não podia mais correr.

Equipes CSI da S.H.I.E.L.D. encontraram o corpo da Mulher Hulk e o que sobrara da Feiticeira Escarlate. As duas tinham sido transferidas para o IML do Belmont, de onde sairiam para o funeral.

Fury balançou a cabeça. Os Vingadores tinham sido praticamente dizimados. Os dados das investigações oficiais ainda não apontavam para qualquer suspeito.

Exceto a semelhança do esqueleto metálico de Amazo com o MVA que substituiria Fury, meses atrás, e que vinha sendo investigado por Stark, desde então (**).

Fury tinha uma boa idéia do que poderia estar acontecendo, mas essa não era sua maior preocupação no momento.

O que ocupava seus pensamentos agora era o destino de Steve Rogers, deitado na sala abaixo, a poucos metros dele.

O que aconteceria com a comunidade meta-humana, se o Capitão América morresse?

E o que aconteceria com os Estados Unidos, sem um Capitão América?

O monitor de televisão estava ligado na CNN, que interrompia a programação de tempos em tempos para apresentar reportagens ao vivo na frente do Belmont Hospital.

Durante a madrugada, a notícia de que os Vingadores tinham participado de uma batalha muito séria vazara para a mídia, e quando descobriram que o Capitão América estava em estado grave, mais e mais pessoas começaram a chegar à frente do hospital, bloqueando ruas, carregando fotos e cartazes, em vigília antecipada.

Fury autorizara dois pronunciamentos oficiais do hospital, para tentar acalmar as pessoas, sem sucesso.

Um cansado Reed Richards entrou na sala, cumprimentando-o com um aceno de cabeça.

Ele se jogou no sofá de canto, visivelmente cansado, e falou:

- Eles conseguiram, Nick. Com a coordenação de Ray, Soranik Natu e Tchalla conseguiram revestir os ossos do braço com a liga metálica. McNeider está acabando de suturar os músculos e vasos sanguíneos, e McCoy esta administrando uma solução que ele criou, que vai impedir que o corpo rejeite a liga metálica.

- Ele vai recuperar os movimentos do braço?

-Não dá pra saber com certeza, mas acredito que com o tempo e fisioterapia, ele possa até recuperar os movimentos do braço mas, no momento, isso é irrelevante.

Fury virou o rosto, sobressaltado, e encarou Reed, com raiva no olhar. Ele deu um suspiro profundo, e levou as mãos ao rosto. Demorou quase um minuto para se levantar, parou ao lado de Fury, observando a movimentação no Centro Cirúrgico, e disse:

- Os danos foram muito extensos, Nick. McNeider e McCoy conseguiram recuperar os traumatismos e os edemas, mas o problema é mais complexo do que imaginávamos, a princípio.

Fury ficou parado, lábios trincados. Reed continuou:

- Primeiramente, eu achei que ele tinha entrado em coma devido à extensão dos ferimentos. À medida que avançamos com os cuidados médicos, no entanto, eu percebi que a solução não era tão simples assim. Você, mais do que qualquer um, deve estar a par do Projeto Renascimento, e de como o soro do super-soldado criou o Capitão América. Acontece que, depois de tantos anos, o organismo de Steve já criou uma espécie de... Simbiose com o soro.

- Como meu organismo com a Fórmula Infinito?

- Não. Seu organismo realmente criou uma simbiose com a Fórmula Infinito, que agora é secretada pelo seu próprio pâncreas, retardando seu envelhecimento. No caso de Steve, as células sanguíneas se misturaram ao super-soro, criando algo novo, criando o Capitão América.

Fury já percebera onde aquilo queria levar, fechou o olho bom e respirou fundo. Esperou que Reed continuasse:

- Só que o organismo dele não é capaz de produzir o soro, Nick. E Steve perdeu muito sangue, hoje. Quase a metade do que temos correndo no organismo. Salvamos a vida dele com transfusões de sangue, mas o sangue que demos a ele não tem soro.

- E o organismo dele está entrando em colapso pela abstinência.

- Exatamente. Sem uma dose de soro do super-soldado, ele vai morrer.

Fury ficou pensativo. Falou:

- Podemos conseguir uma dose do soro, Reed.

Reed balançou a cabeça. Falou:

- Eu poderia reproduzir o soro no meu laboratório, com base nas amostras de sangue de Steve, Nick... Mas não adiantaria. Todo o organismo dele criou uma dependência das características da fórmula original. Um novo soro, por mais próximo que fosse do original, seria rejeitado pelo organismo.

Fury encostou a cabeça no vidro do Centro Cirúrgico. Levou a mão ao rosto, cobrindo a boca.

Precisou de todo o seu auto-controle para não gritar.

Reed colocou a mão no seu ombro e disse:

- Eu sinto muito.

Reed saiu da sala, sem dizer nenhuma palavra. Não saberia o que dizer, depois de ter dado uma sentença de morte como aquela, então preferiu se juntar ao restante da equipe, que finalizava os procedimentos médicos.

Fury ficou um longo tempo observando, em silêncio, enquanto a equipe médica acabava de trabalhar, analisando as possibilidades.

Finalmente, atravessou a sala e apertou o botão do comunicador que permitia o contato com o Centro Cirúrgico. Ele falou simplesmente:

- Quanto tempo?

Reed levantou a cabeça, olhou para os companheiros e respondeu:

- Algumas horas. Até o meio dia, no máximo.

Fury levantou o pulso. Oito e Quinze da manha. Apertou o botão novamente e falou:

- Me espere aqui. Eu vou voltar antes disso.

Saiu da sala sem dar maiores detalhes. Um soldado bateu continência, quando ele passou, e Fury falou:

- Prepare o helicóptero. Estamos indo para Washington.


(*) ASAP – As Soon As Possible, ou traduzindo “O mais rápido possível”. É uma sigla militar para urgências
(**) Como vimos no capítulo 04 de Nick Fury: S.H.I.E.L.D., aqui mesmo na Quadrim


Posted on Monday, September 14 @ 00:00:00 BRT by Henrique_JB
 
 Related Links
· More about Vingadores
· News by Henrique_JB


Most read story about Vingadores:
Capítulo 01 - Renascimento

 
 Article Rating
Average Score: 4.85
Votes: 7


Please take a second and vote for this article:

Excellent
Very Good
Good
Regular
Bad

 
 Options

 Printer Friendly Printer Friendly

 Send to a Friend Send to a Friend

 
Associated Topics

Nick FuryVingadores

PHP-Nuke Copyright © 2004 by Francisco Burzi. This is free software, and you may redistribute it under the GPL.
PHP-Nuke comes with absolutely no warranty, for details, see the license.
Powered by PHP-Nuke Platinum

Page Generation: 0.03 Seconds

:: phpib2 phpbb2 style by phpbb2.de :: PHP-Nuke theme by www.nukemods.com ::