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 Guerra Civil Quadrim 03! - O Qiyamah!
Quadrim Autoral

Momentos decisivos! O grande evento dos escritores da Quadrim pode terminar sem ninguém vivo! De que lado você está!?




A Quadrim apresenta:
GUERRA CIVIL!
Um Evento em Quatro Partes
Três: Qiyamah
Dedicado a todos que ajudaram a fazer da Quadrim o que ela é hoje: uma grande família!

Qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas ou traíras terá sido mera coincidência.

- Báh, ashkrkrkrkrkrkdstqsssspokpok, TCHÊ!

- Ochôa, o que você está fazendo!? Sou eu, cara! O Waltão!
- Por onde andou? Todo mundo achou que você estivesse morto!
- Báh, khkjkjjkllloooooooouououou, TCHÊ!

Fábio Ochôa, o “Laser Vivo”, era um dos mais poderosos super-humanos do Brasil. Felizmente, o abuso de orégano e outras substâncias ilícitas comprometeram sua saúde mental (e sua dicção), reduzindo-o a um careca de olhos vermelhos que saía pelas ruas de Pelotas, sua cidade-natal, enrolado em um lençol e cantando “você pensa que band-aid é modess, band-aid não é modess, não...”

Tudo terminou numa manhã de fevereiro, quando as autoridades locais reportaram um grande clarão vermelho nos céus.

“Ele voltou para junto dos seus”, as testemunhas afirmaram. “Voltou para a Terra da Nunca.”

As testemunhas não eram lá muito confiáveis, mas a verdade é que não se teve mais notícias de Ochôa.

Até agora.

Suas rajadas dispersavam os Detran Avengers, que precisavam buscar abrigo para não serem fulminados pelos poderes psicodélicos de Ochôa. Ao mesmo tempo, Sapuxo encurralava Raul usando truques mentais jedi para fazê-lo acreditar que estava no Rio de Janeiro:

- Eu quero sair daqui, porra!
- Raul, por favor. Não se levante. Não quero golpear você outra vez. Sua língua bífida está praticamente pendurada. Renda-se e eu garanto que receberá atendimento médico da B.O.S.T.A.
- Acha que vou me entregar... a um anfíbio imundo como você?
- Sapuxo a todas as unidades. Contenham Raul Kuk imediatamente. Usem os canhões sônicos.

As poderosas rajadas sônicas afetavam diretamente o centro de equilíbrio do cérebro. A sensação de vertigem era seguida por vômito e espasmos. Protegidos por audiobloqueadores, os agentes da B.O.S.T.A. tinham a situação a seu favor.

Enquanto isso, Ochôa tocava o terror, nocauteando boa parte da equipe renegada. Curiosamente, eles ainda não tinham encontrado o maior deles.

Ninguém sabia onde estava o Waltão.

Márcio Sampayo, já refeito da caganeira, aproximou-se de Raul:

- Você é um sujeito durão, devo admitir. Esta freqüência trava o cérebro humano, mas olhe só pra você. Ainda está se levantando. Sinto muito, Raul. Apenas feche os olhos e...
- Acha que me... chamo... “Fase”... à toa?
- O que?
- Meus lóbulos funcionam... fora de fase... Uma das... vantagens... de se ter transtorno... bipolar...
- Acha que isso vai salvar você de ser preso?
- Não... Mas vai... distrair vocês...

Uma grande explosão atrás deles revelou Waltão, contra-atacando ferozmente. Estava com dez vezes seu tamanho normal, afastou Márcio e Sapuxo com um tapa e colocou Raul em segurança. Sua investida tirou os agentes da B.O.S.T.A. de ação, interrompendo o ataque sônico.

- Alguém desligou a emissão...
- E o que vocês estão esperando?

Usando seus poderes – de uma maneira que não faz muito sentido – LeoSpy tratou de reunir a equipe para uma fuga estratégica. Mas Fábio Ochôa detinha poder suficiente para frustrar seus planos.

- Bárbara! Traga todo mundo para cá!
- Abram fogo!

Ao ouvir a ordem, Waltão não pensou duas vezes. Arrancou um dos reatores da usina e passou a usá-lo como porrete, para golpear todo mundo que aparecia na sua frente. E foda-se a radiação que vazava pra todo lado.

Ele não ia hesitar em usá-lo contra o inimigo mais poderoso.

- Prepare-se pro mais breve retorno de todos os tempos, Ochôa!
- Báh, massschirulirulichiruliruláripanachulipapimbanagorduchinhaegol, TCHÊ!

O laser disparado dos olhos de Ochôa varou (lá ele) o peito de Waltão, que caiu morto, 450 arrobas de gordura (“massa muscular”, diria ele) despencando rumo ao solo.

O segundo disparo de Ochôa, contudo, não foi suficiente para derrubar o restante da equipe. DougLeo usou um dos seus feitiços para teleportar todos de volta para a base.

- Código de travamento “Se Batman fosse bom, não era da DC”.

Ao ouvir o comando vocal de Márcio, Ochôa fechou os olhos e ficou parado, de pé.

- Que diabo aconteceu, Márcio!? Pensei que você tinha dado a ele algum tipo de diretriz! Você disse que o cara ia ser igual ao velho Ochôa!
- Bom, ele fala igual...
- O que? – perguntou Nery. – Está dizendo que esse não é o Ochôa?
- Não, idiota. É uma porra dum clone. Nós o chamamos de Clochôa.
- Vocês clonaram o Ochôa!?
- Sim, usei material genético impregnado no lençol que ele usava pra se vestir. Não sei se ele aprovaria e não dou a mínima. Nós precisávamos de uma carta na manga.
- Você disse que sabia o que estava fazendo... Achei que estávamos nessa pra que ninguém mais se machucasse.

As palavras de Ás No Ar calaram fundo no peito de Márcio Sampayo.

Waltão tinha morrido em combate.

Seu funeral foi marcado pela discrição. Ninguém jamais soube como ele morreu, ou como se livraram do corpo. Foi tudo questão de jogar uma lona em cima do cadáver e tacar fogo. Para a imprensa, bastava dizer que “o circo pegou fogo, não houve sobreviventes”. A família não seria problema, já que ele era o último da espécie.

Agora ele estava, oficialmente, extinto.

- Então, quanta gente estamos perdendo?
- Mais do que poderíamos dispor, Márcio. Alguns dos combatentes do Raul falam em se entregar, mas a balança definitivamente está pendendo pro lado deles depois dessa. Temos que agir logo e precisamos de gente com experiência em combate super-humano.
- Está se referindo aos vilões?
- Depois do que aconteceu, é o único recurso que nos resta. Devo frisar que o envolvimento deles é temporário. Trata-se apenas da captura da equipe do Raul. Depois, todos vão voltar imediatamente pra cadeia.
- Eles não parecem muito empolgados com a idéia de trabalhar pra Lei...
- Isso porque não são pessoas agradáveis...

Horas mais tarde:

- Nery, você está agindo feito um lunático. Por que não podemos nos sentar e discutir o assunto como adultos?
- Porque não tem nada pra discutir, Márcio. Estou deixando os Vingadores. Não vejo problema em trabalhar pra B.O.S.T.A., mas mandar heróis para a prisão na Zona Negativa? O Clochôa matando o Waltão daquele jeito? Qualé, cara!? Você passou dos limites!
- Do que você está falando? Embora o Clochôa tenha reagido como um policial reagiria, não se esqueça de que o Waltão era meu amigo. Acha mesmo que vou deixar uma coisa dessas acontecer de novo? O que você precisa entender é que há forças no governo que adorariam tornar todos os super-humanos ilegais. O compromisso que oferecemos foi de regulamentar nosso comportamento. Porque voltar aos bons e velhos tempos está fora de cogitação!
- Sai da minha frente...
- Não seja idiota! Acha mesmo que pode voltar à sua antiga vida agora que todo mundo sabe quem você é? Não se trata mais só de você, mas de sua família e amigos! Como eles vão ficar quando souberem que você se tornou um criminoso?

A resposta veio na forma de um murro muito bem dado, e o Ás No Ar ganhou os céus novamente.

- Sapuxo, aqui é o Márcio. O Nery desertou.
- Ih, fudeu mais bem, então...
- Eu só preciso falar com ele...
- Tarde demais... Desertou, os vilões vão atrás.
- Bom, então senta o dedo nessa porra.

Ás No Ar podia ter um codinome ridículo e uma fantasia bisonha, mas não era burro. Ao invés de se expor como um alvo fácil nos céus, foi direto para os esgotos. Lá, ele poderia desaparecer. Contudo, sem poder voar no espaço apertado das galerias, ele ficava muito lento. E os vilões estavam atrás dele.

Primeiro, o Pegadinha do Mallandro jogou um ioiô explosivo nele. Depois, foi a vez do Morfético assumir a aparência do Brandon Routh para encurralá-lo.

- Não! O Brandon Routh, não!
- Nery, você devia ver com quem eu e o Mallandro estamos andando agora! No começo, esse lance parecia uma tremenda roubada, trabalhar pra B.O.S.T.A. e ser forçado a fazer o que mandam. Mas quando chegou a ordem pra dar um cacete em você... Ora, o que mais a gente pode fazer? Estamos só seguindo ordens, certo?
- Pára de falar e vamos matar logo esse filho da puta, Morfético!
- Estraga-prazeres. Bom, eu vou...

A cabeça do Morfético explodiu antes que ele pudesse terminar a frase. Antes que pudesse esboçar qualquer reação, foi a vez do Pegadinha do Mallandro cair morto.

- Eu... Eu conheço você...

Nery não conseguiu terminar a frase.

Enquanto isso, reunidos em sua base secreta, Raul e os Detran Avengers discutiam os próximos passos de seu plano:

- Bom, o Waltão morreu e isso quer dizer que perdemos força bruta. Precisamos logo invadir a prisão e soltar nossos amigos, mas precisamos de reforços para isso também.
- Alguém que você possa recrutar na sua comunidade, Zagolino?
- Não, sou o único mutante no Brasil.
- Não, eu quis dizer na comunidade gay.
- Mas eu não...
- Tragam um médico! Agora!

Parado na porta da base secreta, Tristan Gaulês carregava um inconsciente Alexandre Nery. Os médicos levaram o Ás No Ar para a cirurgia, enquanto todos encaravam o reforço recém-adquirido.

Durou dois segundos.

Uma rajada elétrica arrancou a cabeça de Tristan.

- Que foi?
- Raul, você matou o Tristan!
- Plagiador de merda.
- Mas ele ia nos ajudar!
- Não tolero plágio. Por favor, coloquem a cabeça dele no lugar pra eu poder matá-lo de novo.
- Isso vai dar merda...

Enquanto isso, em Salvadô...

- Obrigada por me atender de uma hora pra outra, Peu. Sei que a corte do oxente-meu-rei prefere seguir os protocolos, mas não temos tanto tempo assim. O ataque da equipe rebelde foi programado e todos os demais nos deram as costas. Ter você do nosso lado pode representar a diferença entre perder e vencer.
- MWHAHAHAHA.
- Esta é a crise mais grave que já enfrentamos. O governo iniciou um alistamento de super-heróis e está prendendo quem não aceita. Acredita que estão recrutando até super-vilões para nos capturar?
- MWHAHAHAHA.
- O Raul é um dos seus mais velhos amigos. Você o conhece há mais tempo do que qualquer um.
- MWHAHAHAHA.
- Eu só vim aqui pra te pedir ajuda porque, com o Walter morto, eu sou a única que pode respirar sob a água. Se é que você me entende.
- MWHAHAHAHA.
- E, se você nos ajudar, bom... Eu posso pagar com meu corpinho...
- MWHAHA... O quê!? GUARDAS! SOCORRO!

Longe dali, na outrora imponente mansão dos Vingadores:

Raul Kuk se aproximou sorrateiramente daquela que tinha sido a base dos maiores heróis do mundo por tantos anos. Estava abandonada. Tudo que teve de fazer para entrar foi pular o muro.

Alguém o aguardava.

- Olá, Raul. Fico feliz que você tenha vindo.
- Peguei sua mensagem, Márcio.
- Não tinha certeza se você ia receber.
- Eu preciso me manter informado.
- E eu achei que a gente precisava conversar. Antes de... Bom, você sabe.
- Quebrar o pau?
- Se chegarmos a tanto...

Márcio deu as costas a Raul e se aproximou de um retrato pendurado na parede. Uma velha foto dos Vingadores, nos tempos áureos da equipe. Os maiores heróis do país. Sob sua tutela, Márcio Sampayo conseguiu arregimentar não apenas o imprevisível Raul Kuk, mas também Pedro Caldeira, Leandro Laurentino, Ricardo Sorvillo...

E Walter Stodieck.

- Depois de tudo que passamos esses anos todos... Acho que nós devíamos isso, um ao outro. Tentar consertar as coisas. Antes que algo... Antes que algo ruim aconteça. Como aconteceu com o Waltão.
- Você colocou o seu Clochôa lóks de drugs no campo de batalha e ele matou o Walter, foi isso que aconteceu.
- Você já sabe sobre o Clochôa.
- O Nery me contou.
- Você começou aquela luta, tá lembrado? Eu queria conversar.
- Depois de nocautear um dos meus.
- Chega com as acusações?
- Sim. Acho que sim, Márcio. Vamos conversar.

Os dois tomaram lugar à mesa de reuniões dos Vingadores, como faziam nos velhos tempos.

O clima, porém, em pouco lembrava os animados chugatos que promoviam na mansão.

- É bom ouvir você dizer isso. Me faz lembrar o primeiro chugato.
- Naquela época a gente não ia com a cara um do outro.
- Mas fui forçado a conversar com você e perguntar “e aí cara, beleza?”
- E eu disse algo como “beleza o caralho, aquele pateta tá fantasiado de super-herói”.
- Bwehehehe...
- Pelo menos você o colocou no caminho da fé... Nunca vi alguém rezar tanto como naquela dia, quando você começou a dirigir com um olho só.
- Poizé, eu tava vendo tudo dobrado.
- Depois teve o que? O incidente?
- Sim, quando eu fiz o pacto com Mefisto. Irônico, mas o incidente foi a melhor coisa daquele dia.
- Assim começam os boatos...
- Poizé... Bom, depois disso, salvo um ou outro percalço, teve a Road-Trip.
- Rock in Rio!
- Sendo revistados na linha vermelha... Saindo do Bracarense sem pagar a conta...
- Hospedados na Jóia de Dubai... Assistindo maratona de Crying Freeman...
- Confundidos com noruegueses na praia... tentando roubar o Captain America Omnibus da casa do Leandro...
- Foi o melhor dos tempos...
- O que estamos fazendo, afinal?
- O que sempre fizemos. Defendendo pontos de vista. Temos feito isso a vida toda. A gente se conheceu assim. Você me ajudou quando eu mais precisei, quando a maioria das pessoas em condição de fazer alguma coisa dizia simplesmente “boa sorte”. Acha que eu jogaria tudo isso na latrina por causa de uma porra de lei? Nem fodendo. O Registro não muda nada. Seu casamento acabou mas eu ainda me sinto responsável por você. Com algumas coisas, nem eu brinco. Agora, pense friamente. Me registrar vai contra tudo que eu acredito, tudo que eu sou. Eu até entendo você estar do lado do Registro mas, descontando a opinião pessoal, você alguma vez realmente cogitou que eu ia aceitar numa boa? Você me conhece melhor do que isso. Sabe que eu jamais abriria mão do que eu sou.
- Aí é que está. Você não precisa abrir mão. Pra mim, você só está fugindo da responsabilidade, como fugiu de tantas outras coisas na vida. Rápido como um relâmpago. Acha que eu quero lutar com você? Colocar você na cadeia? Você nunca disse o que eu queria ouvir. Você é o cara mais cabeça-dura que eu conheço e, mesmo assim, vi você voltar atrás várias vezes apenas pra dizer o que eu precisava ouvir. Você ficou do meu lado quando eu achei que estava completamente sozinho. Quando eu mesmo não acreditava mais no meu futuro. Quando eu fiquei doente, quando eu fiquei desempregado. Você me apoiava, tirava uma com a minha cara, ficava ouvindo em silêncio... Mas sempre esteve lá. E onde estamos agora?
- Em todas essas situações, a gente sempre conseguiu provar que era inocente. Ou escapar ileso. Sem essa porra de registro.
- E se não fossemos inocentes? E se eu tivesse persistido no meu erro? E se eu tivesse me acovardado? Me escondido? Deixado as coisas como estavam? Esse é o problema, por isso você não consegue ver as coisas do meu ponto de vista. Você é a porra do Raul Kuk. Você nunca está errado, mesmo que esteja. Você criou toda essa coisa ao seu redor, uma espécie de “imunidade por insanidade” que te dá o direito de jogar quanta merda quiser no ventilador. Eu não posso. Eu parto do pressuposto que mesmo eu ou você cometemos erros. O que estou tentando fazer é impedir que sejamos crucificados por isso. Mesmo você achando que não erra, que tudo se justifica dentro da sua lógica moral distorcida.
- Eu... Você está enganado a meu respeito, Márcio. Eu cometo erros, e estou ciente deles. Eu ainda... Não consegui consertar uma série de coisas. Algumas responsabilidades ainda pesam. Eu só não quero deixar que toda essa merda tome decisões por mim. Quero fazer isso eu mesmo.
- Mas você não pode! Diabos, você não pode! Você tem tudo que eu queria ter, toda a liberdade de ação que eu gostaria de ter, mas não é assim que o mundo funciona!
- Engraçado. Você tem tudo que eu queria ter.
- Do que você...
- Você sabe. Nós dois sabemos. Você cometeu menos erros, ou erros diferentes. Seu saldo é positivo. O meu é catastrófico.
- Talvez, mas quando as pessoas olham pra você... Todo mundo pensa, “fodeu, satanás chegou!” As pessoas seguem você pela simples sensação de que você é imune a qualquer coisa. Que você não tem sentimentos. Puta que pariu, eu sei que tem! A Larissa se registrou, Raul! Ela está do nosso lado! Como você pode dar as costas pra isso?
- Tente de novo, mas sem chantagem emocional. Larissa e eu nunca concordamos em tudo.
- Essa guerra não deveria separar vocês.
- Não foi a guerra. E me registrar não vai mudar isso.
- Mas vai mudar os outros. Quantos ainda estariam resistindo se não fosse por você? O Véio. A Bárbara. Mas o Waltão nem mesmo...
- O Waltão está morto, Márcio.
- É. É, eu sei. Eu sei. Coisas terríveis aconteceram e eu odeio isso. Odeio o fato de que estamos trilhando essa estrada para a destruição em direções opostas. Batendo e revidando. Então me diga, Raul. Me diga o que eu posso fazer. O que você quer que eu faça?
- Me ajude a acabar com essa bobagem de Registro. Pelo debate e não pela luta.
- Não posso! Mesmo que eu não acreditasse no Registro – e eu acredito! – não tem a ver comigo. O fato de eu mudar de lado não alteraria nada. O Sapuxo ou algum outro tomaria meu lugar e a guerra continuaria. Mas a resistência tem a sua cara. Você pode terminar isso. Una-se a mim e me ajude a mudar o sistema de dentro.
- Dentro de quê? De uma cela? Porque, quer você possa ver as grades ou não, é onde eu estaria. É onde todos nós estaríamos.

Raul caminhou lentamente para fora da mansão, olhando rapidamente para todos os itens que tinha ajudado a colocar ali. Atrás dele, Márcio seguia pela outra direção, sabendo que aquela, provavelmente, era a última vez em que conversavam.

“Quero te fazer um convite, mas você vai ter que usar terno preto.”
“Porra, eu vou ser garçom?!”
“Não, os garçons estarão usando fraque. O que acha?”

Naquela noite, na Aero-Sinagoga:

Os guardas caíram rapidamente, incapazes de oferecer muita resistência ao poder de fogo da equipe de Raul. A estratégia era perfeita. Raul conhecia o lugar melhor do que ninguém e o Ás No Ar podia perfeitamente atualizá-lo sobre os sistemas de segurança. Entrariam invisíveis, indetectáveis e libertariam seus colegas presos.

- Muito bem, pessoal. Segurança neutralizada de cima a baixo.
- Teria demorado muito mais se não fosse a ajuda do Nery.
- Control/C e control/V é com ele mesmo. Agora vamos libertar os outros...
- Não estou surpreso.

A voz de Márcio Sampayo interrompeu o ataque.

- Você acaba de cair numa armadilha, Raul. Os heróis mais poderosos da Terra e os maiores vilões. Infiltramos um agente duplo nas suas fileiras e, pra cada um de vocês, há dez dos nossos. Não acha que é um bom momento para propor rendição?
- Acho que não. Se está falando do Zagolino, já estávamos informados. Agente-duplo... Bi... Desconfiei no ato. Ele me odeia mais do que o Registro. Você não é o único com um espião em sua equipe.
- Impossível! Os únicos que sabiam eram eu, Sapuxo e...
- Foi mal, Márcio.
- Larissa!?
- Sou telepata, e meu elo mental com o Raul me permitiu passar informações para ele e abrir caminho até aqui. Vocês não acharam que a gente fosse deixar uma bobagem como o Registro nos separar, certo?
- Fodeu – disse Ricardo. – Se ela teve acesso a informação privilegiada, teve autoridade plena pra fazer tudo que nós podemos...
- As celas...

Naquele instante, um zumbido acusou o desligamento das celas de contenção de super-humanos. Em questão de segundos, um exército de super-humanos renegados se equiparou ao dos Registrados.

Estavam em pé de igualdade, nove mil e seiscentos metros acima de São Paulo.

- Agora fechem os olhos cavalheiros – disse Raul, com um sorrisinho fdp. – Isto vai doer.


Na próxima edição: a maior de todas as batalhas para decidir a mais cruel de todas as guerras! Quem vive? Quem morre? Não perca!

Posted on Saturday, September 05 @ 00:00:00 BRT by Raul_Kuk
 
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