Mortes! Lutas! Revelações! A Guerra Civil Quadrim continua, com muita ação e humor! Mais um capítulo onde o herói pode ser você! Ou não...
A Quadrim apresenta:
GUERRA CIVIL!
Um Evento em Quatro Partes
Dois: Ragnarok
Dedicado a todos que ajudaram a fazer da Quadrim o que ela é hoje: uma grande família!
Qualquer semelhança com pessoas vivas, mortas ou traíras terá sido mera coincidência.
- Aquele judeu lazarento eletrocutou meu cu! MEU CU! Como esperam que eu pare de cagar agora? Pensei que vocês estivessem caçando o cretino ou coisa parecida, seus idiotas!
- Mais criminosos, unidade cinco?
- Dois aqui, e os rapazes lá em cima acharam o Asqueroso acorrentado na pia do banheiro masculino. Com o Urubu e o Podador, o número de apreensões dele sobre pra quantas, Sr Sampayo? São oito ou nove desses doidos?
- Quinze, sargento. Quinze supercriminosos em setenta e duas horas. Mas os números não batem. O Raul simplesmente não poderia ter dominado todos esses caras de uma só vez. De jeito nenhum. É fisicamente impossível.
- E o que isso significa?
- Nosso pior pesadelo, unidade cinco. Acho que ele não está mais sozinho. Ele está organizando sua própria equipe e vai nessa até o fim.
Nos telhados de São Paulo:
O helicóptero da B.O.S.T.A. estava perseguindo o fugitivo por vários quarteirões. Ele podia se teleportar a curtas distâncias, mas estava cansado da perseguição. Seus poderes começavam a dar sinais de problemas.
Já não era suficiente para despistá-los.
- Menor não registrado tentou frustrar um assalto, comando aéreo. Identificado como DougLeo, vulgo codinome Bruxa.
- Codinome O QUÊ?
- Bruxa, senhor. Ele é tipo... Hã...
- Gay?
- Gay pra caralho, senhor.
- Encham ele de porrada.
- Me recuso a colocar a mão nele, senhor.
- Soldado, acabei de te dar uma ordem direta e fui bem claro quanto a isso!
- Mas, senhor... Ele está usando um uniforme igual o da Feiticeira Escarlate!
- ...
- Tenho nojinho...
- Bom... Enche ele de chumbo, então.
- Com prazer, senhor.
A chuva de projéteis não foi suficiente para deter o Bruxa em sua corrida. Ele continuou em frente, até saltar e atravessar a janela de um escritório, no vigésimo-oitavo andar de um luxuoso edifício na Avenida Paulista.
- Pessoal! Fudeu! A B.O.S.T.A. tá aqui e não tá pra brincadeira!
Ninguém respondeu sua mensagem. Uma bomba de efeito moral foi arremessada do helicóptero. Mais um vigilante fora-da-lei capturado.
O Bruxa foi levado até um caminhão para contenção de super-seres, onde lhe aplicaram sedativos e uma algema inibidora.
- Viu quanto problema você causou? Viu o que acontece como você tenta ser um justiceiro fora-da-lei como o seu chapa de Suzano? – e pá! Tapão na cabeça do Bruxa. Os agentes da B.O.S.T.A. não estavam pra brincadeira.
Dentro do caminhão, Bruxa era escoltado por um guarda, enquanto outros dois conversavam na boléia:o homofóbico agente 69 e a bela agente 44.
- Merda, coloquei a mão nele. Tomara que não seja contagioso. Esses moleques têm o quê? Dezesseis? Dezessete anos no máximo? E estão andando por aí com a roupa da Wanda, rindo da moral, dos bons costumes e da Lei de Registro. Não é que a gente teja proibindo esse pessoal de agir, pô. Ninguém pode impedir um cara desses de andar por aí usando maiô vermelho e meia-calça. Tão até pagando pra esses pervertidos se registrarem. Mas eles não tão a fim de legalidade. Esses viados têm o maior barato com as máscaras e esse fetiche de mistério. Vai ser um balde de água fria quando essa moçada vir a nova penitenciária que tão construindo pra superbibas. Já ouviu falar do lugar? O tal do “número Quarenta e Dois” que tão construindo? Ninguém tem permissão de ver as plantas sem uns óculos especiais.
- Sabe de uma coisa, amigo? Você fala demais!
Usando sua força, a agente 44 arremessou 69 para fora do caminhão. Dentro do compartimento de prisioneiros, o agente que escoltava Bruxa se revelou ser Luis Gravello, o Transformistador. Seus poderes de controle sobre a estrutura atômica lhe permitiram livrar o Bruxa de suas algemas inibidoras.
- Muito bem, bichinha. Use um dos seus feitiços pra nos tirar daqui.
- Transformistador?
- Olha, não se deixe levar pelo meu nome, ok?
- Andem logo! – gritou Bárbara, que dirigia freneticamente entre barricadas policiais. – Se o viado não tirar a gente daqui, logo seremos pegos!
- Você ouviu, pederasta. Tira a gente daqui agora!
- Bom, vamos lá...
Helicópteros da B.O.S.T.A. e carros de polícia tentavam a todo custo deter o avanço do caminhão, até que finalmente conseguiram bloquear os acessos em cima do viaduto sobre a Avenida 23 de Maio.
O caminhão desapareceu em um clarão de energia.
- Senhor, lamento, mas... Ele desapareceu.
- O bicha?
- O caminhão inteiro, senhor. Tudo leva a crer que ele teve ajuda.
- Puta que me pariu.
- O que está acontecendo? Onde estamos?
- Calaboca, viado.
- Deixe a bonequinha em paz, Transformistador – interrompeu Raul. – Esta á fortaleza da B.O.S.T.A. número 666. Uma das poucas instalações públicas de segurança espalhadas pelo Brasil e conhecida apenas por agentes da B.O.S.T.A. de trigésimo terceiro grau, heróis foragidos e a torcida do Corinthians. Como vai demorar pra revstarem todos, podemos usar o lugar pelo tempo que quisermos, enquanto cuido das nossas novas identidades secretas.
- Por que precisamos de novas identidades secretas?
- As antigas provavelmente estão comprometidas, Bruxa – respondeu Zagolino. – E você vai precisar de algum lugar pra se esconder quando não estiver dando por aí.
- Eu sou ativo.
- Sei.
- E qualé a sua, Zagolino? Pensei que você odiasse o Raul.
- E odeio. Mas, ideologicamente, os mutantes são contra a proposta de registro do governo.
- Mutantes, hein? Por falar em mutantes, aqui pega a Record? Hoje tem capítulo especial de “Caminhos do Coração”.
- Não viemos aqui pra ver TV, bicha.
- Olha só quem fala...
- É aqui onde vamos morar até segunda ordem – interrompeu Raul. – A equipe do Márcio está planejando algo de peso hoje, e é daqui que vamos contra-atacar.
- Pessoal, acho melhor vocês verem isso... – interrompeu LeoSpy.
Em Brasília, numa grande sala de imprensa, Márcio Sampayo falava publicamente:
- Senhoras e senhores, em primeiro lugar quero deixar bem claro que, por mim, todo mundo pode ir tomar no meio do seu respectivo cu. Em segundo lugar, foda-se, porque eu não tou nem aí mesmo. Estou aqui com a quenga da mãe do Damien, a biscate que cuspiu no meu olho bom outro dia. Valendo-me dos poderes a mim concedidos pelas autoridades legais, eu a seqüestrei, torturei e a privei de quaisquer direitos civis que pudesse ter. Mas eu chamei essa vagabunda aqui porque ela perdeu o filho no incidente em Videira e deflagrou minha militância pela contratação federal de todos os super-heróis. Da mesma forma, estou certo que o Ás No Ar dispensa apresentações...
O super-herói conhecido como Ás no Ar aproximou-se voando, com seu nada discreto uniforme de pavão.
- Hã... como a maioria de vocês sabe, tenho... hm... guardado minha identidade secreta muito cuidadosamente ao longo dos anos. E só decidi dar este passo depois de uma longa conversa com minha mulher e meus parentes. Vejam bem, a Lei de Registro nos dá uma escolha: podemos seguir a tendência que o Raul Kuk advoga e ter pessoas dotadas de poderes completamente sem controle ou os super-heróis podem se tornar oficiais e recuperar um pouco da confiança do público. Não estou usando minha fantasia de pavão por ter vergonha do que faço. Aliás, se tivesse o mínimo de vergonha, não usaria roupa de pavão. Tenho orgulho de ser quem sou e estou aqui pra provar isso. Meu nome é Alex Nery e sou o Ás No Ar desde os quinze anos. Alguma pergunta?
- Aproveite, Nery – disse Márcio. – Você é mais gordo que o Elvis agora.
Horas mais tarde, em um boteco qualquer da capital paulista:
Walter:
- Meu nome é Valdisnei e sou supervisor de segurança num shopping.
Véio:
- Meu nome Austregésilo de Athaúde e sou ex-BBB.
Ana:
- Meu nome é Takahasha Nomuro e faço mangás.
Raul:
- Meu nome é King Diamond e sou vocalista de uma banda de metal.
- Não vai dar certo.
- Ok. Meu nome é Zeca Paraíba e sou centroavante do Corinthians.
- Também não.
- Saco! Meu nome é Salomão e sou líder de um culto messiânico no nordeste.
- Raul, você não pode usar nenhuma das suas identidades que já são conhecidas.
- Mas que merda! Quem disse que não!?
- É exatamente onde eles vão procurar.
- E daí?
- A idéia é não ser encontrado. Lembra?
- Tá, tá. Que seja. Meu nome é Jack Bauer e sou agente da CTU.
- Raul...
- Meu nome é House e sou médico.
- ...
- Não consigo fazer isso!
- Pense em algo que você nunca fez antes.
- Não sobrou muita coisa...
- É mesmo?
- Não quero falar sobre o assunto. Já sei! Eu fui numa encruzilhada à meia-noite, arranquei a cabeça de uma galinha preta a dentadas, despejei o sangue numa bacia e depois joguei os ossinhos da galinha na bacia. Os ossos começaram a boiar e formaram um nome...
- Qual?
- Wade Wilson. Soa bem, não? “Wade Wilson, o Mercenário Tagarela”.
- Perfeito, ninguém vai desconfiar.
- Por que precisamos de identidades secretas, afinal?
- Identidades secretas são um lugar aonde vamos quando não estamos fazendo nada importante, como desafiar o governo ou as autoridades.
- Mesmo assim, você parece incomodado.
- Só estou pensando num encontro que tive com um garotinho no hospital infantil para doentes de câncer. Eu prometi que ia quebrar o pescoço dele pra poupá-lo da agonia do estado terminal, mas na certa o lugar está coalhado de caça-mascarados. Foram as pequenas coisas que nos roubaram com esse registro. As pequenas coisas que nos fazem quem somos.
- Ei, que barulho é esse?
- Incêndio numa usina nuclear às margens da Represa Billings. A base disse que há trezentas ou quatrocentas pessoas curtindo o final de semana lá.
- Chamados de emergência, fugas para becos e trocas de roupas... Detesto dizer, mas estou meio que começando a gostar disso!
A usina parecia abandonada. Em meio a pequenas explosões e fogos, não havia uma só pessoa nas imediações. O que quer que tivesse acontecido, já devia ter terminado.
Ou tratava-se de algo ainda pior.
A equipe de Raul era composta por Waltão, capaz de ampliar seu tamanho e massa; Véio, dotado de um fator de cura ignorante que o permitia viver para sempre; Luís, capaz de alterar a matéria; LeoSpy, o viajante do tempo; Bárbara, forte pra burro e invulnerável; Ana, capaz de respirar sob a água; DougLeo, com poderes MYSTYKOS de alterar a realidade (de um jeito que presta, não aquela merda que o traíra do Morfo fez); e Zagolino, capaz de disparar rajadas de gelo dos olhos.
- Caralho de asa. Quantos trabalhadores o rádio disse?
- Trezentos ou quatrocentos. Mas tem alguma coisa estranha. Não estou captando nada de informações a respeito de...
Foi quando LeoSpy percebeu; seus poderes de viagem no tempo nem sempre era confiáveis. Passava a maior parte do tempo em realidades alternativas e, quanto mais distante fosse a viagem, menos confiável era o efeito em nossa própria era. Mas ele se deu conta de que a usina nuclear era uma instalação governamental e tinha sido mais uma das obras super-faturadas do PT.
Apenas um segundo tarde demais.
- Saiam todos daqui imediatamente! É uma armadilha!
No instante seguinte, o Bruxa foi atingido por um dardo perdeu os sentidos.
- Claro que é uma armadilha. De que outra forma poderíamos reunir todos vocês num só lugar?
Era Márcio Sampayo, o líder da B.O.S.T.A. e seus asseclas engomadinhos!
- Que diabos você fez com o viadinho?
- Apenas um pouco de tranqüilizante pra garantir que ele não teletransporte vocês daqui.
- A gestapo não mata mais, Márcio?
- Não vim aqui prender você, Raul. Convenci a B.O.S.T.A. a oferecer uma última opção de anistia.
- Quer dizer... rendição? Obrigado, mas acho melhor correr o risco.
- Qualé, judeu? Os únicos que ganham quando brigamos uns contra os outros são os bandidos – interrompeu Nery. – Isso vai contra todos os princípios em que você sempre acreditou.
- Não me fale de princípios. Você é preguiçoso, relaxado e eu vi o que você fez na TV. Sua família está feliz agora que todo mundo sabe que você usa fantasia de pavão?
- Raul, por favor – retomou Márcio. – Eu sei que você está puto com isso. Sei que é uma mudança enorme na forma com que sempre trabalhamos. Mas o público não quer máscaras e identidades secretas. Todos querem se sentir seguros quando estamos por perto, e não há outra maneira de reconquistar o respeito das pessoas. Você me conhece melhor do que ninguém e sabe que eu não agiria assim se não acreditasse piamente nisso. Não queremos enfrentar vocês. Apenas me dê a oportunidade de lhe contar sobre nossos planos para o futuro.
Raul pensou por um instante, enquanto analisava o perímetro. Estavam cercados por Márcio, cujo único poder era falar mais palavrões do que o próprio diabo; Alex Nery, que podia voar; Sapuxo, último cavaleiro jedi; Henrique, o matador de criminosos; Jumentauro (não queira saber o que significa “super-dotado” ao encontrar o Jumentauro); Nano, o homem mais chato do mundo; Thiago Salviatti, que (dizia) poder prever o futuro; Antonio Armagedoom, o Deus de Ébano; Dario e Laion, de poderes desconhecidos e que, pra falar a verdade, nem sei direito quem são, mas precisaram entrar na história pras coisas ficarem equilibradas.
Equilibradas o suficiente para uma luta ter baixas demais.
- Você tem cinco minutos – disse Raul, estendendo a mão para Márcio. – Depois disso, eu frito seu rabo.
- Cinco minutos é tudo de que preciso e...
Uma violenta descarga elétrica percorreu o corpo de Márcio, dando origem a uma rajada de bosta em alta velocidade que tirou de combate Laion e Dario - e ninguém deu pela falta deles mesmo.
- RÁÁÁÁÁ! Pegadinha do Mallandro!
- Ei! Esse bordão é meu – gritou Sapuxo, usando seus poderes jedi contra Raul. Descargas elétricas e ondas mentais riscaram os céus, enquanto os dois se digladiavam. Henrique e Luís se enfrentavam para ver quem tinha a maior contagem de corpos na carreira. Leandro e Bárbara mediam forças... Zagolino tentava congelar LeoSpy enquanto Antonio e Véio perdiam tempo em mais uma discussão bizantina.
E foi assim até que Nano uniu forças a Sapuxo e, com sua chatice, conseguiu distrair Raul. Os dois começaram o castigo, surrando Raul de maneira inclemente, incapacitando seus poderes elétricos.
- Saiam do meu caminho, seus traidores imundos! - gritou Waltão. - Eles estão matando o Raul!
E, a exemplo de um rinoceronte movido a catuaba dentro de uma loja de cristais, Walter promoveu um verdadeiro arrastão de um homem só, derrubando todos em seu caminho para fazer o que fazia de melhor: defender a honra e a dignidade (e a circuncisão) de Raul Kuk.
Antes que pudesse resgatar seu amigo da surra, contudo, uma rajada laser o atingiu, arremessando-o a léguas dali.
Uma voz, mais assustadora que qualquer coisa que já tinham ouvido, tomou o lugar:
- Bah, masssssszzzzurrrrimmmmtelecotecoziriguidummmm, TCHÊ!
Os céus brilharam em escarlate e a lua tornou-se sangue quando Fábio Ochôa retornou.
Na próxima edição: a repentina chegada de Ochôa desestabiliza a batalha em favor de Márcio Sampayo! Mais do que isso: um dos lados tem sua primeira baixa!