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 SJA 13 - Seis Graus de Separação: Prelúdios & Noturnos
Sociedade da Justiça

Após os recentes confrontos pelos quais passaram, os remanescentes da Sociedade da Justiça da América vão se reunir para decidir os novos passos da equipe e tornar efetivos alguns de seus membros reservas para substituir aqueles que estão momentaneamente incapacitados ou morreram. Esse é o início do arco que redefinirá a Sociedade da Justiça para os próximos tempos!!

E ainda: Um incidente na Alemanha pede a presença dos heróis da SJA! Mulher-Falcão e a busca pela Gata Negra! A Fuga de Adão Negro e do Exterminador! Homem-Elástico encontra Shade! Tudo acontece de uma só vez nessa edição!!




PRELÚDIO 1
SEMANA PASSADA
SEXTA-FEIRA

Estação Central
Berlim
Alemanha

19:45h (Hora Local)


O viajante foi uma das centenas de pessoas que vieram no trem das 19:15h vindo de Frankfurt e que tinha na capital alemã sua estação final. Ele ainda não havia voltado à cidade desde a inauguração em maio de 2006 da Berlin Hauptbahnhof, a grandiosa Estação Central de Berlim, a maior estação ferroviária em múltiplos níveis da Europa. Ele sentia falta da Lehrter Bahnhof, a antiga e majestosa estação terminal de trens que ocupava aquele mesmo lugar as margens do Rio Spree até 1951. Mas esse sentimento era normal para um homem fruto do século XX e que vinha perdendo aos poucos muitas de suas referências culturais e sentimentais. Os novos tempos, mais globalizados, pediam uma estação maior e mais funcional que servisse de ponto de encontro de todas as linhas ferroviárias regionais do país e que por si só revitalizasse toda a área do entorno. Surgiu assim a nova Estação Central com seus prédios em arco, dois níveis e sete plataformas de embarque além de mais três níveis compostos apenas de lojas como se fosse um grande shopping center. A obra fora tão faraônica que o curso do rio Spree teve de ser desviado para que fosse construída.

O viajante não perdeu muito tempo com suas reminiscências, pois não estava ali a passeio. Cruzou a estação apinhada de pessoas em direção ao nível superior, onde teria uma visão geral de todas as plataformas e poderia observar um encontro programado para acontecer em menos de meia-hora. Um encontro que poderia determinar a face do mundo para esse século que se iniciava e impedir a volta da algo que deveria permanecer restrito aos livros de História.

Para boa parte das pessoas a queda do Muro de Berlim, unificando novamente a Alemanha, foi o começo do fim da Guerra Fria – o período beligerante após o fim da Segunda Guerra Mundial que colocou o Ocidente contra o Oriente, o Capitalismo e o Comunismo em constantes choques diplomáticos para decidir qual deles iria dominar o Mundo. A Guerra Fria porém não acabara – e não apenas porque a face mais negra do comunismo poderia voltar a aparecer a qualquer momento. É verdade que boa parte do elenco de atores em cena foi renovado, objetivos egoístas que moviam por baixo dos panos agentes de tempos idos já não são mais escondidos pelos atuais protagonistas e um outro tipo de beligerância bélica ocupa atualmente as manchetes dos jornais – algo que alguns já chamam de Conflito de Civilizações. Mas a Guerra Fria continua lá – distante dos objetivos aparentemente nobres que a fizeram surgir, mas ainda com espiões, assassinos, estrategistas, diplomatas e generais.

O viajante participava da Guerra Fria desde o seu início – ora de forma despretensiosa, ora de forma engajada – e estava ali na Estação Central de Berlim para participar de mais uma jogada que poderia definir o futuro, que envolveria velhos conhecidos seus e a possível volta do Nazismo ao campo de negociações das Grandes Potências.

Fora Paul Kirk, o super-herói conhecido nos anos 40 com o nome de Caçador, que dera ao aventureiro Cyrill Saunders a alcunha de “Speed”, devido a sua agilidade. O codinome “Viajante” foi assumido por ele nos anos 60 – época em que Saunders acreditava que o Caçador estava morto – devido ao fato de seu apelido anterior ter se tornado conhecido demais. Mesmo hoje porém, muitos que estão envolvidos no jogo da Guerra Fria ainda o chamam assim.

O trem vindo da República Tcheca chegou no horário, trazendo um dos protagonistas do encontro que Speed Saunders viera observar: Karl Bandauer, um homem que, para olhos treinados, era facilmente perceptível ser oriundo da Europa Oriental – o corte de cabelo rente, o olhar paranóico de quem se sente fora de seu ambiente, o sobretudo que usava sem estar tão frio assim e que saíra de moda há pelo menos 20 anos... Tudo remetia a alguém que não estava acostumado com as modernidades do Ocidente. E sua aparência batia exatamente com a descrição e a foto da ficha que conseguira com um de seus contatos na S.H.I.E.L.D.

Ao segui-lo atentamente com os olhos, Saunders acabou por ver a pessoa com quem Bandauer viera se encontrar. Lá estava Paul Kirk, seu velho amigo dos anos 40, que parecia não ter envelhecido mais do que uns seis ou sete anos desde então. Speed respirou fundo sem tirar os olhos dos dois que, após se cumprimentarem, se dirigiam de forma discreta para fora da plataforma. Ver Paul conversando tão calmamente com um emissário da Latvéria era tão irreal, que Speed apertou os olhos duas vezes para ter certeza de que aquilo não era fruto de sua imaginação.

Sua busca de meses terminara. O que corria à boca pequena pela comunidade da espionagem era mesmo verdade. O Caçador ainda estava agindo, só que agora jogava no outro time.

Mas aquele não era Paul Kirk. Saunders tinha certeza de que aquele homem possuía as mesmas impressões digitais, o mesmo timbre vocal, os mesmos genes que Paul, mas não era ele. Ele conhecera Christine Saint-Clair e sabia do conflito da agente da Interpol com o Conselho, quando ela conhecera Batman e Paul Kirk, quando ela viu o Caçador morrer ao mandar pelos ares a sede daquela organização que queria controlar o mundo [1].

Um dos clones do Caçador criados pelo Conselho para formar a guarda pessoal de seus mentores ainda estava vivo e tomara o lugar do original, jogando na lama o pouco de dignidade que restara a um dos maiores heróis que Cyrill “Speed” Saunders conhecera.

Estava na hora de passar à parte dois de seu plano. Depois de vários anos, chegara a hora de Speed rever sua neta: Kendra Saunders, a atual Mulher-Falcão.


PRELÚDIO 2
SEMANA PASSADA
SEXTA-FEIRA

Aeroporto Particular
Nova York

11:45h (Hora Local)


Aqueles dias foram calmos para Charles. Felícia estava longe e não havia viagens programadas até a semana seguinte. O jato executivo que ele pilotava tinha acabado de retornar de sua manutenção periódica e ele fazia as últimas verificações para confirmar se tudo estava o.k. Como fazia viagens intercontinentais com freqüência, tudo o que ele não queria era ser pego de calças curtas enquanto sobrevoasse o Oceano Atlântico. Foi quando terminou de verificar o sistema de comunicação via satélite do avião que ele ouviu o estrondo.

A porta do hangar havia sido arrombada por uma rajada de energia e arremessada a vários metros de distância no interior da edificação. Dois vultos entraram voando pela porta arrombada. Um deles usava asas e agarrou Charles pelo pescoço erguendo-o no ar assim que ele chegou à porta de seu avião para ver o que estava acontecendo. Ele o carregou por vários metros imprensando Charles contra uma das paredes do hangar.

- ARRGGHH...!! O... o que é isso?!? Quem... quem são vocês??

- Sou eu que faço as perguntas!! – A Mulher-Falcão apertava forte o pescoço de Charles – ONDE ESTÁ A GATA NEGRA?!

- Não sei... do... do que está... falando...!!

- Passei os últimos dias revirando esta cidade em busca desta ladra maldita e todas as pistas me levaram até aqui. NÃO ESTOU COM PACIÊNCIA PARA JOGUINHOS!! Se você gosta de seu rostinho é melhor começar a falar!!

Enquanto sentia a mão apertar ainda mais seu pescoço, Charles viu a heroína erguer a maça que carregava na outra mão, prestes a usá-la para golpear o seu rosto.

- KENDRA, NÃO! Espere! Você está indo longe demais!

- Se isso é muito duro para você ver, espere lá fora Sideral! Já estou cheia de rodar essa cidade atrás de pistas daquela vagabunda!

- Eu... eu não conheço a Gata Negra! – disse o piloto.

- RESPOSTA ERRADA!!

Charles começou a gritar, prevendo a destruição que a maça faria em seu rosto. Ele sentiu no instante seguinte uma pancada em sua face direita que lhe fez cuspir sangue, mas ela não fora forte o bastante para ter sido feita por uma maça de guerra. Apesar de estar segurando a arma, Kendra lhe aplicara um soco.

Charles se debatia, tentando se desvencilhar do aperto da Mulher-Falcão. Com o agito, seu celular caiu do seu bolso aos pés de Sideral, que estava abaixo deles. Ela pegou o aparelho.

- Se assustou, hein?! – Kendra parecia ainda mais incontrolável – O golpe que você imaginou será o próximo que eu vou dar! Vou perguntar mais uma vez: ONDE ESTÁ A GATA NEGRA?!

- Já disse que... não conheço ela!!

- PÁRA!! Você vai acabar matando ele! – Sideral flutuou até Kendra com o celular de Charles na mão – Não adianta mais mentir, cara! Isso aqui prova que você conhece muito bem a Gata Negra.

Kendra e o piloto olharam para o celular, cuja tela tinha como pano de fundo uma foto de Felícia Hardy ao lado de Charles tirada dentro do avião dele.

- Mesmo sem a máscara, esses cabelos brancos não deixam dúvidas. É melhor você falar de uma vez. – Sideral olhou para Kendra antes de prosseguir - A Mulher-Falcão não vai voltar para casa sem uma resposta.

- Está bem, está bem! – Charles suspirou, sentindo o gosto de sangue na sua boca – A Gata está... no meio do Atlântico.

- Como é que é?

- Ela foi... fazer um serviço em Nice, na França, e está voltando de navio... [2]

Kendra e Courtney pousaram e só então a Mulher-Falcão soltou o pescoço de Charles, que tossiu e respirou fundo, tentando recuperar o fôlego. Apesar de não estar mais sendo seguro pela Mulher-Falcão, Charles não tentou fugir.

- Vamos ver se isso é verdade. – Kendra pegou o celular das mãos de Courtney e fez uma ligação – Alô? Oráculo? É a Mulher-Falcão... Pode verificar se existe um cruzeiro de Nice, na França, para Nova York nesse momento...? Sim, eu espero. Se tiver, tem como descobrir se há uma moça de longos cabelos brancos entre os passageiros..? O nome dela é Felícia Hardy... Sim, é a Gata Negra. Mas ela não deve estar registrada com seu nome verdadeiro... Valeu.

Menos de trinta segundos depois...

- Já tem a resposta...? E quando o navio chega a Nova York...? Ótimo... A Canário tem razão sobre você. Obrigada. – Kendra desligou o telefone e encarou Charles - Você falou a verdade, piloto. Que bom pra você. No meio do oceano não tem para onde essa vagabunda fugir. Ouça bem: se a Gata Negra não estiver no navio quando ele chegar na quarta-feira, vou saber que foi você que, de alguma forma, deu com a língua nos dentes. Se isso acontecer vou voltar aqui e acabar de vez com esse seu negócio e te dar um grande prejuízo! Você não terá como escapar de mim, entendeu?!

- Sim... entendi. – Charles ainda tentava recuperar o fôlego e massageava o próprio pescoço.

As duas heroínas voaram para fora através da porta arrombada, deixando Charles novamente sozinho. Antes de ir, a Mulher-Falcão largara o celular do piloto no chão. Ele pegou o aparelho e tentou verificar qual fora o último número discado. Não se surpreendeu ao ver que o número para o qual a Mulher-Falcão ligara não estava registrado no aparelho. A seguir, Charles fez uma ligação.

- Operativo 715/9, codinome Charles... Heróis da Sociedade da Justiça estiveram aqui no aeroporto, conforme o esperado. Na verdade, foram duas heroínas... Eu disse onde estava a Gata Negra depois que elas me pressionaram um pouco, como vocês disseram para fazer... Ainda acho que devíamos avisar Felícia... A Mulher-Falcão estava muito obcecada. Ela pode tentar alguma coisa antes do navio chegar a Nova York... Sei que ela é uma super-heroína, mas essa parecia ser uma daquelas capazes de matar... Tá, tá bom. Também sei que ela é da Sociedade da Justiça, que eles não fazem essas coisas, mas já estou nessa há um bom tempo. Ela pode não ter feito isso ainda, mas tenho certeza de que, nesse caso, a Mulher-Falcão poderá matar... NÃO estou preocupado com a Felícia. Estou apenas querendo que essa missão não fracasse depois de tanto esforço... O que vai impedir que ela agarre a Felícia na quarta-feira, quando o navio chegar aqui...? O quê?? O Super-Adaptóide?? Vocês estão brincando...

Enquanto isso, Sideral e Mulher-Falcão voavam sobre o Rio Hudson, voltando para Manhattan. Enquanto Kendra parecia ter uma doce ansiedade substituindo sua tradicional expressão de pouco amigos, Courtney estava introspectiva, o que não era de seu feitio.

- Ainda bem que ainda lembro de cabeça o telefone que Dinah nos deu para situações como essa. – disse Kendra – Não pensei que Oráculo fosse dar a resposta tão rápido. Por isso que ela está com essa bola toda com a Liga da Justiça.

Kendra olhou para Courtney que continuou voando calada ao seu lado.

- Quarta-feira tem de chegar logo! Nem vou esperar o navio atracar no porto. Vou surpreender aquela vagabunda chegando no convés voando e pegando ela pelo pescoço. Posso ver como está Hector sem ficar me preocupando onde diabos a Gata Negra está agora.

Sideral prosseguia sem dizer nem uma palavra.

- Acabamos fazendo uma boa dupla, Courtney. Gostei de sua intuição em começar aquele jogo de “tira bom e tira mal”. Isso sempre funciona.

- Não estava jogando, Kendra.

- Como assim? – finalmente Sideral falara alguma coisa.

- Não somos uma dupla. Só prossegui nessa busca com você porque você salvou minha vida naquela noite no museu [3]. Tinha uma dívida com você. Além disso estava com medo do que você podia fazer.

- Medo...?

- Eu segui você durante esses dias em que buscamos a Gata Negra! Vi o que você fez com os suspeitos para conseguir dicas e informações! Se eu não estivesse lá, você podia ter matado o piloto!

- Court...

- Eu estava louca em querer treinar com você!! Você não é durona, é má!! É rancorosa, invejosa de quem não sofreu na vida e não tem pena!! Já aprendi tudo o que você podia me ensinar e não gostei!!! Agora que você sabe onde encontrar a Gata Negra, minha dívida com você acabou!! Mas vou avisar aos outros membros da SJA. De jeito nenhum você vai encontrá-la sozinha! Tenho certeza de que, se isso acontecesse, você ia se tornar uma assassina!!

- Courtney, espere!!

Mal terminara de falar, Sideral virou à esquerda e começou a voar em outra direção, desaparecendo na curva do Rio Hudson. Kendra começou a segui-la continuando a gritar por seu nome, mas logo desistiu. Além da jovem voar bem mais rápido que ela usando seu cajado cósmico, naquele dia Sideral certamente não ouviria nada mais que ela tivesse para dizer.

Com a vida ensolarada que teve, Kendra imaginava que Courtney nunca poderia entender o que uma menina órfã como ela sofrera nas ruas. Os abusos, a fome, a discriminação, a humilhação. O encontro com o avô, que só estava interessado nela por acreditar que Kendra era sua irmã reencarnada e era obcecado em trazer a Mulher-Falcão de volta, não melhorara em nada suas carências familiares e seus problemas de convívio social. Kendra nunca confiara em ninguém e os tempos com a Sociedade da Justiça não mudaram isso.

Mas os últimos dias ao lado de Courtney haviam sido diferentes. Ter alguém mais jovem que parecia se espelhar nela começava a mudar suas perspectivas. Aquilo porém ainda não havia ficado claro para Kendra porque só uma coisa ocupava seu pensamento, além de velar pelo sono de seu primo Hector enquanto ele estivesse em coma: encontrar a Gata Negra e fazê-la pagar por ter roubado uma peça do Museu da Sociedade da Justiça no seu turno de vigilância.

Kendra sempre levava tudo a ferro e fogo. Aquela ladra havia zombado dela e a fizera falhar em suas responsabilidades. A Mulher-Falcão quase matara a Gata Negra na noite em que ela roubou o Museu e o ódio que sentia por ela ainda não diminuíra. O arranhão em seu busto, feito pela ladra naquela ocasião, ainda não cicatrizara e servia para lembrar-lhe de que não descansaria enquanto não a pegasse e recuperasse o cinto conversor cósmico que ela havia roubado.

Mas, mesmo ocupada com sua típica obsessão, aqueles dias foram diferentes para a Mulher-Falcão. Courtney estivera ao seu lado quase todo o tempo, tentando aplacar sua fúria, agindo como se fosse sua consciência. Ter Sideral ao seu lado também era quase como ter um filho, como ter alguém sob sua responsabilidade. A garota tinha razão: sua presença aplacava um pouco sua ira, deixava seu pé no chão.

Sideral não percebera que o efeito que provocava na Mulher-Falcão poderia fazer da heroína alada uma nova mulher, ou então não queria essa responsabilidade para si. Kendra só tivera noção disso naquele momento, quando Sideral lhe deu as costas e sumiu na curva do Rio Hudson.


PRELÚDIO 3
SEMANA PASSADA
SEXTA-FEIRA

Quarto Particular 205
Bloco de Metahumanos
Belmont Hospital
Nova York

16:10h (Hora Local)


- Como assim, “o Adão Negro fugiu”?! Ele não estava sendo transportado para a Gruta?!

Jakeem Trovoada havia entrado no quarto onde o Sr. Destino se encontrava em coma alguns segundos antes anunciando a grande novidade. Adão Negro, o traidor, o responsável pelo Sr. Incrível estar incapacitado da cintura para baixo – talvez para sempre – conseguira escapar. No quarto onde repousava em coma Hector Hall, o mais recente herói a controlar os poderes do Sr. Destino, além de Ted Grant – o Pantera – Kendra Saunders, estava a Mulher-Falcão, que mais uma vez estava velando o sono sem fim de seu primo [4].

- Estava, mas algo aconteceu no meio do caminho... Ouvi as conversas no corredor e o rádio noticiou alguma coisa sobre um raio e um engarrafamento na ponte do Brooklyn.

- Um... raio??! Ninguém falou para esses idiotas que Adão Negro precisava ser levado amordaçado?!?!

- Ted... TED!! Não grite com o Jakeem. Ele não tem culpa do que aconteceu. E, ainda que tivesse, você não pode gritar aqui dentro.

- Err... Tem razão, Kendra. Desculpe Jakeem. Bandidos que fingem que se regeneram sempre me tiram do sério.

- Tudo bem, Pantera. Sei que o lance não foi comigo.

- Já avisaram o Sand? Quem está disponível para ir atrás desse cara?

- Como o gênio do Jakeem está fora de combate, acho que somos só nós dois, Kendra.

- Que seja, então. Eu te levo. Com o metal enésimo você não vai pesar quase nada mesmo.

- Certo. Jakeem, avise o Sand e o Alexander. Nós não damos conta do Adão Negro, mas podemos descobrir para onde ele foi e tentar retardá-lo.

- “Não damos conta”? Fale por você. Se o Michael derrubou esse cara eu também consigo.

- Tá bom, passarinho... Vamos lá.

Pantera e Mulher-Falcão chegaram na Ponte George Washington quinze minutos depois e o caos dominava o local. Além do engarrafamento, que já estava com quilômetros de extensão, o local estava isolado pela polícia e uma equipe de policiais forenses examinava o local. Os heróis respeitaram a faixa de interdição e pousaram fora da área restrita. O Pantera conversou com os policiais enquanto Kendra permaneceu afastada, impaciente e sem o menor esforço para demonstrar alguma simpatia para com os agentes da lei. Alguns minutos depois, Ted foi ao encontro da Mulher-Falcão.

- Não sobrou nada dos agentes que estavam transportando o Adão para contar a história. São mais duas mortes para pôr na conta dele.

- Humpf... Não precisava ter falado com esses caras para sacar isso.

- Pelo que as testemunhas disseram, Adão saiu voando em direção ao Oceano Atlântico... Vamos voltar. Não há mais nada para fazer aqui. Sand deve falar com a Liga, os Vingadores e todos os que tenham um contato mais próximo com as Nações Unidas. Temos de tentar falar com Capitão Marvel, Dr. Estranho, Zatanna... Os grandes que lidam com magia. O velho mago da Pedra da Eternidade também precisa ser acionado.

- Não estou entendendo nada. O que você quer dizer?

- Quero dizer que Adão Negro está solto por aí sem nenhum controle, sem a mão do Sr. Destino sobre ele, sem uma coleira para diminuir seu raio de alcance, sem uma focinheira para impedi-lo de morder quem não deve. A essa altura ele já deixou os Estados Unidos e tenho certeza que sei para onde ele vai.

- E para onde é?

- Khandaq, no Oriente Médio. Ele vai querer conquistar seu reino de volta. Uma ação de Adão sem cuidado naquele barril de pólvora pode começar a Terceira Guerra Mundial. A coisa agora ficou grande demais para uma equipe de heróis caindo pelas tabelas como a nossa nesse momento. Precisamos de ajuda, de muita ajuda.


Quadrim orgulhosamente apresenta:
uma nova fase para a

SJA - SOCIEDADE DA JUSTIÇA DA AMÉRICA

Criação de Sheldon Mayer e Gardner Fox

SEIS GRAUS DE SEPARAÇÃO: PRELÚDIOS & NOTURNOS

Escrito por Carlos Vinicius Marins
Editor DC:Pedro Caldeira



MEMBROS ATIVOS PRESENTES:

Sand
Geomorfo feito de silício

Joel Ciclone
O primeiro Flash

Pantera
Ex-campeão mundial de boxe




Canário Negro
Vigilante com potente grito sônico


Mulher-Falcão
Guerreira que utiliza o metal enésimo para voar


Sideral
Possuidora do cinto conversor e do cajado cósmico



Jakeem Trovoada
Possuidor de gênio da 5ª dimensão



MEMBROS RESERVAS PARTICIPANTES:

Ray
Gerador e manipulador de energia

Homem-Hora II
Possuidor de superforça, resistência física e vidência de futuro próximo



CONVIDADO ESPECIAL:

Homem-Elástico
Corpo com propriedades elásticas


HOJE
SEGUNDA-FEIRA

Mansão Dodds
Museu e Memorial da SJA
Sala de Reuniões
Nova York


Havia se passado apenas uma semana desde que os membros da Sociedade da Justiça haviam lutado contra o herói conhecido como Falcão de Aço – e perdido a batalha fragorosamente -, mas parecia ter se passado um ano. Em apenas sete dias a vida de alguns ali mudaram da água para o vinho. Uma dessas mudanças era o assunto que dominava o encontro naquele momento: finalmente o Arqueiro Verde pedira a mão da Canário Negro em casamento – e ela não só aceitara, como decidira morar com ele em Star City [5].

- Ainda não acredito que aquele playboy falido de esquerda finalmente tomou coragem e conseguiu te levar para aquele lugarejo do meio-oeste...

- É, Pantera... Está na hora de parar de implicar com ele. Oliver vai ser meu marido em breve.

- Ele não é meio “do século passado” pra você, Dinah?

- Hehehehe.. Sou bem mais velha do que aparento Jakeen. Vou considerar isso um grande elogio seu.

Outros assuntos em baila envolviam Joel Ciclone: o fato de ter perdido um de seus melhores e mais antigos amigos – o centenário velocista chamado Max Mercúrio [6] – e de ter sido convidado para ser um dos mentores de um novo grupo de heróis adolescentes – os Jovens Vingadores [7].

- O velho Max vai deixar saudades, Jay... lembro como você falava o quanto ele foi importante para sua formação.

- Max já agia há décadas por baixo dos panos quando comecei a correr mais rápido que as pessoas normais nos anos 30, Ted. Naquela época não havia referências, não existiam super-heróis em que pudéssemos nos espelhar. Eu era pouco mais que um adolescente. Se Max não tivesse aberto meus olhos teria desperdiçado minha vida como um astro de futebol trapaceiro.

- Bom, você estaria rico...

- Rico e sem conseguir ter uma única noite de sono tranqüilo. Teria enriquecido usando meus poderes, trapaceando. Nunca teria uma conversa tranqüila com meu travesseiro. Além do mais, quantos teriam morrido por eu não estar lá para ajudar?

- Hã... Vem cá, Seu Jay... E esse grupo de jovens heróis?

- Os Jovens Vingadores? O que têm eles?

- Eles ainda estão aceitando novos membros?

- Gostaria de estar com gente da sua idade, não é Jakken? Pode ser, eu andei pensando nisso. Mas primeiro precisamos resolver o problema do seu gênio.

Havia também vários heróis presentes que não participavam de uma reunião como aquela há um bom tempo – e tinha até alguns que nunca estiveram em uma assembléia da SJA.

- Nossa! Ainda não acredito que estou aqui com todos vocês.

- Isso ainda é novidade para você, Ray? Soube que você já é membro-reserva da Liga e participou de várias aventuras com eles.

- É. Tive histórias com os Titãs também, mas isso é diferente... Você é o Homem-Hora, certo?

- Isso... Mas eu sei o que você está sentindo. Assim como eu, seu pai também era um herói da Era de Ouro e estar na SJA faz você se sentir seguindo os mesmos passos dele. Passei por essa fase de deslumbre também.

- Pois é... A gente acaba se acostumando com isso, não é?

- É verdade. Mas meu caso é diferente. Estou fora desse lance de super-herói há algum tempo.

- Mesmo? E dá para deixar essa vida de uma hora para a outra depois que se entra nela? Não consigo imaginar como...

- Nem todos se dão bem nesse negócio, Ray. Falar em “vocação”, “satisfação em ajudar os outros” e “grandes responsabilidades” fica bem nos jornais ou em discursos para animar jovens em formação, mas o buraco é bem mais embaixo. Tem muitas coisas que esses caras aqui não dizem. Só sentindo na pele é que você vai saber, vai entender. Mas eu espero que essa lição você nunca precise aprender.

- Hã... Desculpe, mas se você pensa assim, se está fora desse lance de “super-herói”, por que está aqui? Por que atendeu ao chamado?

- Sinceramente..? Não sei. Talvez eu sinta saudades de meus antigos colegas e queira ver como eles estão. Talvez eu tenha ficado curioso por saber que ainda lembram que eu existo. Talvez eu só quisesse saber se ainda conseguia vestir esse uniforme sem me sentir ridículo.

- Ou talvez você esteja enganado e não se consiga mesmo largar de vez essa vida de super-herói...

- Hehehehe... É. Pode ser. Acho que é bom para alguém como você achar que essa opção não só seja possível, como provável.

Todos os presentes procuravam colocar o papo em dia e falavam de amenidades. Ninguém conversou sobre o que efetivamente trouxera todos ali até a chegada de Sand, o atual líder da Sociedade da Justiça – e ele foi o último a chegar. Quando Sanderson Hawkins entrou na Sala de Reuniões, todos se calaram. Parecia que o Espectro havia se materializado ali. O silêncio só foi quebrado pelo próprio Sand, ao bater um martelo na mesa:

- Muito bem. Declaro iniciada mais uma Assembléia da Sociedade da Justiça. Agradeço a presença de todos, principalmente aos membros reservas que aqui estão e não tinham nenhuma obrigação de vir, a não ser para com suas consciências. Sei que estão curiosos e muitos já devem suspeitar que essa não será uma reunião apenas para discutir assuntos corriqueiros do dia-a-dia da equipe. Bem, suas suspeitas estão corretas. Mas vamos primeiro aos assuntos em pauta.


INTERLÚDIO 1
HOJE

Antigo Teatro de Vaudeville
Benoits
Opal City


Não foi difícil para Ralph Dibny deduzir que tipo de lugar alguém como Shade, com sua tendência a gostar de elementos associados à cultura mundana da virada do século 19 para o 20, escolheria como casa ou esconderijo. Mas foi preciso alguns dias para encontrar os locais prováveis, pois Ralph era novo em Opal e ainda não conhecia a cidade onde passou a morar. Mais algumas semanas e essa deficiência seria sanada.

O Teatro de Vaudeville ou de variedades era uma das principais formas de entretenimento para as massas na Europa e nos Estados Unidos, que se consolidou durante a Era Vitoriana e viu seu ocaso com a Crise de 1929 e o surgimento de uma forma mais barata e encantadora de diversão: o cinema. O Vaudeville era marcado pela mistura de atividades circenses, como a mágica e o malabarismo, com esquetes rápidos de humor e música ambiente.

O Teatro de Vaudeville de Benoits teve o auge de sua popularidade nos anos 20, encerrando suas atividades no meio da década seguinte. O prédio, com suas características arquitetônicas de art noveau, permaneceu lacrado desde então – conseguindo passar intacto e desapercebido até pelo “boom” imobiliário que tomou conta do bairro nos anos 80. Ao descobrir a existência do teatro, o Homem-Elástico sentiu seu nariz sacudir como um pudim. Estava claro que aquele era o reduto do Homem das Sombras.

O fato de Shade parecer estar envolvido no desaparecimento de Jack Knight, o atual Starman, tornou este caso ainda mais interessante para o Homem-Elástico [8]. Era realmente uma agradável coincidência. Quase ninguém lembrava disso – nem sua esposa Sue, para sua surpresa, recordava –, mas Shade foi um dos primeiros vilões que Ralph enfrentou quando começou sua carreira de vigilante mascarado.

Mascarado?

Sim, mascarado. Quando entrou na vida de combatente do crime em Central City – ao lado de Barry Allen, o segundo Flash – Ralph seguiu o costume da maioria dos heróis uniformizados e adotou uma máscara para ocultar sua identidade. Não demorou muito porém para que achasse que aquele pedaço de pano que mal encobria seus olhos não combinasse com seu visual nem com sua personalidade e fosse logo descartado. Ralph Dibny tornou-se o primeiro grande super-herói de sua geração a não possuir identidade secreta.

Na época em que confrontou Shade com certa freqüência ao lado do Flash, Ralph era um neófito deslumbrado com as possibilidades de uma vida de aventuras que podiam lhe oferecer as aplicações elásticas que ele mesmo descobrira do soro da rara fruta latino-americana chamada gingo. Ainda não tinha conhecimento de seus dons dedutivos de detetive e ele mais atrapalhava do que ajudava no trabalho do Flash. Certamente o vilão não devia ter noção de suas capacidades como combatente do crime hoje em dia.

Mas o Homem-Elástico sabia muito bem do que Shade era capaz. Lembrava bem da extensão de seus poderes e de sua personalidade. Tinha certeza de que pegaria o vilão de surpresa.

Nem ele nem o Flash souberam qual era a verdadeira identidade do Shade no período em que o vilão parecia não sair da cola do seu amigo velocista e da cidade que ele defendia – Central City. Aliás, o Shade parecia ter predileção por velocistas: ele também dera um bom trabalho a Joel Ciclone nos velhos tempos.

No seu tempo livre, Ralph costumava investigar curiosos mistérios que ainda não tinham solução, e o Shade era um deles. Apesar de não ocultar seu rosto com uma máscara, ninguém parecia saber quem ele era. A origem de sua capacidade de controlar as sombras, dando formas a elas além de conseguir acessar uma estranha dimensão em que elas pareciam dominar, nunca foi devidamente esclarecida. Parecia haver referências sobre ele e seus atos em narrativas do século 19 nos Estados Unidos e na Europa. Era difícil acreditar que Shade pudesse ser tão velho assim, apesar de seus maneirismos lembrarem os dândis vitorianos [9].

O Homem-Elástico se esticou como um fio de arame, passando fácil pelas reentrâncias das paredes centenárias do prédio, que pareciam estar prestes a cair por total falta de manutenção. Ralph se viu na antesala do teatro, oculto pela penumbra e com o chão e as paredes cobertos por uma espessa camada de poeira. Ele resistiu à tentação de espirrar e esperou seus olhos se acostumarem com a escuridão. Tudo indicava que ninguém andara por ali desde o fechamento do teatro. Mas um detetive não se contentava apenas com as aparências.

Ralph ignorou a grande platéia com sua centena de poltronas e imensas cortinas drapeadas e, meneando como uma cobra, foi direto aos camarins, que estavam lacrados. Novamente na forma de um arame fino ele tentou entrar no cômodo por reentrâncias. Mas, diferente das paredes externas, elas eram mais difíceis de se encontrar ali – os camarins pareciam hermeticamente lacrados.

Após procurar por alguns minutos, o Homem-Elástico encontrou uma passagem oculta na rebuscada decoração do teto por onde conseguiu se esticar por uma fresta sem abri-la e entrar em um dos camarins: um iluminado e amplo recinto que mantinha irretocável a sua decoração – móveis e pintura típicas das casas de show dos anos 20. Ralph sentia como se tivesse voltado mais de 80 anos no tempo.

- Você demorou, Ralph. – disse Shade, sentado numa imensa e chamativa cadeira que parecida saída do cenário de alguma peça shakespeariana. Ele estava no único canto mal iluminado do camarim, segurando sua bengala e envolto por suas sinistras e tremulantes sombras – Com sua alastrada fama de detetive, esperava que me encontrasse, no máximo, ontem. Não se pode mesmo acreditar em tudo que se ouve por aí...


INTERLÚDIO 2
Quarto particular 212
Ala de Metahumanos
Setor de Custódia
< Belmont Hospital


Por ser o único hospital de Nova York especializado no tratamento de metahumanos, não tardou para o Belmont Hospital estabelecer um acordo com o governo para que a instituição pudesse tratar de vilões com super-poderes sob a custódia do estado. Era comum que estes se ferissem no confronto com a lei ou mesmo depois de encarcerados, nas constantes disputas pelo poder em presídios especiais desenvolvidos especialmente para esse tipo de criminoso, como a Ilha Riker ou o Asilo Arkham.

Depois de Adão Negro ter recebido alta na semana anterior, a ala mantinha naquele momento um único prisioneiro da justiça sob tratamento: o assassino e terrorista Slade Wilson, também conhecido pela alcunha de Exterminador. Slade teve a tíbia de sua perna esquerda esmagada pelo Falcão de Aço, no confronto deste com o grupo que ele liderava: o Esquadrão Suicida [10].

Mas Slade não culpava o ex-herói pelo ocorrido. Ele sabia que o Falcão de Aço havia enlouquecido e não controlava os próprios atos. Além do mais, como poderia se vingar dele? O insano herói tinha morrido no confronto com os Vingadores e o mutante chamado Wolverine depois que o Esquadrão fracassara em sua tentativa de matá-lo [11].

Slade atribuía parte da culpa de sua condição a si mesmo, pois ficara desnorteado, irado e descuidado ao ver sua companheira de equipe Dalila morrer de forma tão violenta pelas mãos do herói que eles deveriam matar. Mas, para ele, o maior culpado pela sua atual condição e pelo total fracasso de sua missão era outra pessoa.

Joel Ciclone, o primeiro Flash.

O Esquadrão Suicida começou a lutar contra o Falcão de Aço após este ter derrotado a Sociedade da Justiça, deixando apenas dois heróis da equipe de pé: o Pantera e Joel Ciclone [12]. Eles lutaram ao lado do Esquadrão contra o herói insano mas, de acordo com Slade, o velocista mais atrapalhou do que ajudou. Nas duas vezes em que o Exterminador poderia ter cravado seu sabre no peito da criatura, ele foi impedido por Joel. Por causa da interferência dele em sua segunda tentativa de matar o Falcão, o ex-herói conseguira pegar a perna do mercenário e quebrá-la.

Por isso Slade estava naquele momento na situação que mais odiava: convalescendo em um hospital como um peixe fora d’água, exposto como fracassado para a mídia e seus inimigos, que poderiam se vingar dele a qualquer momento. Ele se sentia um covarde e o preço para a covardia era a morte. Ainda bem que ele possuía um fator de cura acelerado. Fazia pouco mais de uma semana que estava ali e sua perna estava quase curada – um homem normal precisaria de meses para restaurar uma tíbia quebrada. E seus superiores sabiam que ele estava no ponto para ser resgatado.

Como para confirmar a certeza de Slade Wilson, um homem de jaleco branco conduzindo uma mesa com rodinhas coberta por um lençol entra no quarto, bem no horário da visita diária para ver como andava o paciente. Mas dessa vez não era um médico, nem um enfermeiro a fazê-lo.

- Ora, ora... Olá Monroe. Sabia que estava na hora da Waller mandar alguém para me buscar, mas não esperava que fosse você.

Jack Monroe – também conhecido como Nômade – permaneceu calado, não respondendo à provocação. Seus longos cabelos estavam ocultos por uma bandana branca e seu rosto estava escanhoado, deixando-o sem sua característica e eterna barba por fazer.

- Me salvar deve estar sendo um martírio e tanto para você. Waller tem mesmo senso de humor. Veio sozinho?

- Prefiro trabalhar sozinho do que com qualquer um de vocês. E quanto menos tiver de falar com você será melhor.

- Certo, vou ficar quieto. Mas antes, me diga: trouxe alguma coisa para mim?

- Vai ter de se contentar só com seu cajado retrátil. A segurança aqui parece maior do que na Casa Branca.

- Ele é mais do que suficiente. Qual é o plano de fuga?

- A Amanda teve acesso à planta e ao sistema de segurança do hospital. Tenho tudo na cabeça. Basta me seguir e cuidar da retaguarda. E lembre-se: só tem heróis acamados aqui no hospital. Podemos dar conta do que aparecer sem matar ninguém. Amanda não quer mortes desnecessárias.

- Sou um soldado, Monroe. Só mato por três razões: se me pagam para isso, por necessidade para cumprir a missão... e por vingança. O Joel Ciclone está se tratando no hospital?

- Não.

- Então parece que ninguém vai morrer hoje. Vamos. Não quero ficar nem mais um minuto aqui.

A seguir:A roupa suja começa a ser lavada! A Terra a beira da Terceira Guerra Mundial! Mais participações especiais! E começa a se definir aquele que deverá ser um dos maiores combates já vistos na Quadrim!!


Notas do Autor:

[1] – A genial e premiada história do retorno e da segunda morte do Caçador, lendário super-herói dos anos 40, foi contada em uma mini-série da autoria de Archie Goodwin e Walt Simonson publicada aqui pela última vez entre os números 01 e 07 da 1ª série da revista Batman, pela editora Abril, lá pelos idos de 1985. Já está mais no de que na hora de republicarem isso de novo!

[2] – O “trabalho” de Felícia em Nice, na França, pode ser conferido na edição #30 de Gata Negra aqui na Quadrim.

[3] – Se você quer saber como foi o primeiro encontro de Sideral e da Mulher-Falcão com a Gata Negra e porque Kendra está tão obcecada em capturar a ladra, leia Gata Negra #28, aqui na Quadrim.

[4] – Esse prelúdio continua exatamente de onde parou a edição #46 do Superalmanaque Quadrim (SAQ), com a aventura “Adão Negro – Fuga de Nova York”. Se não sabe do que estou falando, leia correndo!

[5] – Oliver Queen pediu a Canário Negro em casamento na já lendária edição #15 do título do Arqueiro Verde aqui na Quadrim.

[6] – A última aventura do mais antigo velocista da Era Heróica pode ser vista entre as edições #09 e #14 do título do Flash aqui na Quadrim.

[7] – Joel Ciclone foi convocado para ser um dos mentores do mais novo grupo de jovens super-heróis da Quadrim na primeira edição de Jovens Vingadores.

[8] – Para quem está chegando agora, o atual Starman está desaparecido desde a edição #01 de SJA. O Homem-Elástico assumiu a sua busca na edição #10.

[9] – Os dândis eram (Ou “são”. Muitos dizem que eles ainda existem) pessoas esnobes com apurado senso estético e capacidade intelectual, que aparentem ter boa renda e viver extremamente próximo a nobreza ou membros da classe alta burguesa, sem necessariamente pertencer a elas de fato. Tem atitude e gestos delicados e educados, são individualistas, procuram ser sempre irônicos e não costumam ter muita tolerância com quem não vêem o mundo com eles nem com aqueles que considerem ser de classes inferiores. O ponto alto desta tribo urbana foi durante a Era Vitoriana, no século XIX.

[10] – O incrível confronto dos vilões com o herói insano, parte da saga “O Crepúsculo do Falcão”, pode ser visto na edição #41 do Superalmanque Quadrim (SAQ).

[11] – Isso aconteceu no final da Saga “Crepúsculo do Falcão”, na edição 30 de “Falcão de Aço, aqui na Quadrim – o último número do título.

[12] – O desastroso combate entre a Sociedade da Justiça e o Falcão de Aço, também parte saga “O Crepúsculo do Falcão”, pode ser acompanhado na edição #09 de SJA, aqui na Quadrim.



Posted on Sunday, June 14 @ 10:00:00 BRT by Leandro_Laurentino
 
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Re: SJA 13 - Seis Graus de Separação: Prelúdios & Noturnos (Score: 1)
by Henrique on Wednesday, June 17 @ 09:42:59 BRT
(User Info | Send a Message)
Como assim "um dos maiores combates já vistos na Quadrim"?? O que você está planejando, ó malévolo ser ancestral?


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