Feed RSS Twitter da Quadrim

Você já ouviu o Quadrimcast?

 



Nós temos 7 visitantes online

Latest Message: 9 months, 1 week ago
  • Henrique JB : Uma nova edição da série da nova Questão, by José Eduardo Bertoncello
  • Luis Garavel : Quadrimcast 22 falando de Alienígenas nos quadrinhos!
  • Nikita : O Quadrimcast #21 sobre o CDZ foi muito bom! E ha que eu nem curto o Anime/Mangá...
  • Luis Garavel : Quadrimcast 21 fala de cavaleiros do Zodíaco! ME DÊ SUA FORÇA PÉGASO!
  • André Facca : AVANTE VINGADORES, QUADRIMCAST 20 NO AR!
  • Luis Garavel : Quadrimcast 19! Guerra nas Estrelas! A nova trilogia!
  • Luis Garavel : Saiu o Quadrimcast 18, falando de Watchmen e Liga Extraodinária! Crossover com o Badernacast!
  • [Luis Garave : Quadrimcast 17 homenageia Moebius! Com depoimentos de amigos!
  • Luis Garavel : Quadrimcast 16 homenageia as artistas femininas das HQs!
  • Luis Garavel : O cast15 atrasará um pouco devido ao Carnaval, mas vai te botar na estrada!

Guests are shown between [].

Only registered users are allowed to post

Arqueiro Verde 18 - O Fim da Infância PDF Imprimir E-mail
Avaliação do Usuário: / 0
PiorMelhor 
Escrito por Nano Souza   
Sex, 17 de Dezembro de 1999 00:00

Para proteger Mia Dearden, o Arqueiro Verde está disposto a burlar a lei, e tomar as suas próprias providências. Mas o maligno padrasto de Mia, Frederick Garner, também tem idéias a respeito, como contratar um grupo de capangas, sem nenhum pudor de fazer um serviço bem feito!

"


Meu nome é Mia Dearden e eu tenho quinze anos. Meninas da minha idade, de classe média e numa cidade cosmopolita, deveriam estar se preocupando com namorados e compras no shopping. Não com padrastos estupradores que contratam bandidos para levá-la de volta pra casa. E nem com a polícia ou com o juizado de menores eu posso contar, porque Frederick Garner tem boas conexões. Nascido em berço de ouro, ele aprendeu que o dinheiro o colocou acima da lei, e lhe deu o direito de espancar sua esposa e estuprar sua filha adotiva, simplesmente porque podia.

Tentei fugir de casa, cheguei ao Centro de Recuperação de Jovens de Star City. Mas os capangas de Fred conseguiram me achar, eu sabia que deveria ter me mandado da cidade. Mas pela primeira vez na minha vida eu tive sorte: conheci um casal que deu uma surra em quatro sujeitos armados, sem suar. Minha nossa, eu acho que eles são superheróis ou algo do gênero. Achei que esse tipo de gente não existisse mais em Star City, apenas em lugares mitológicos como Metrópolis, Nova York ou Gotham.

O nome dele é Oliver, ela se chama Dinah. O homem concordou que era melhor me esconder da polícia e me levou pra um hotel, mas a mulher ainda acha que deveriam contatar as autoridades. Particularmente eu normalmente não me sentiria à vontade com um sujeito de meia idade me levando por aí, mas Dinah me dá alguma segurança. Nossa, o jeito que ela arrebentou com aqueles caras. Eu gostaria de fazer isso. Principalmente com Fred.

- Ollie, não podemos agir desse jeito. Aqueles canalhas vão se livrar da cadeia sem nosso depoimento! – Dinah e seu namorado começaram a discutir assim que me instalaram nesse quarto. Com certeza ela não sabe como funcionam as coisas em Star City. Felizmente, Oliver sabe.

- Querida, se duvidar, eles nem foram pra delegacia. Se nos revelássemos, fatalmente teríamos que entregar a Mia também. E enquanto eu não ficar conhecendo melhor esse padrasto dela, não rola.

- Por que não deixamos isso pro juizado de menores decidir? Oliver, nós estamos provavelmente cometendo algo ilegal escondendo essa garota desse jeito!

- Olha, um cara que manda quatro sujeitos armados buscar a filha, merece alguma investigação. Eu não confio no sistema judiciário pra deixar a menina nesta roubada, caso ela esteja falando a verdade. Vamos ver quem ele é, antes de entregar a menina pro juizado ou algo assim.

Ela ia retrucar algo, mas acabou desistindo. Acho que eram um casal há algum tempo e já deveriam ter tido todo tipo de discussão, pra saber o que um ou outro ia dizer. Ela se deu por vencida, soltou um suspiro, e de repente se voltou para mim.

Eu estava sentada na cama, me recompondo. Na verdade, morria de medo que eles fossem pro juizado, e acabassem me devolvendo pro pulha do Fred.

- Você tem certeza de que quer isso, meu bem? – Ela se sentou do meu lado, e me deu um semi-abraço, segurando no meu ombro. – Se seu padrasto abusou de você, deveria denunciá-lo pro juizado.

- Não ia adiantar, Dinah. O juizado iria acreditar nele, e não em mim, como aconteceu com minha mãe. – Eu queria evitar, mas voltava sempre a chorar. Maldito Fred!

- Sua mãe não acredita em você?

- No início não, o canalha disse pra ela que eu estava transando com um garoto da vizinhança. Até que ela pegou o safado me violentando, e então ele bateu nela. Depois disso, ela me pediu silêncio por causa do “escândalo” que seria na sociedade de Star City. Sabe, Fred é um homem de negócios muito respeitado...

- É o que eu to dizendo, Dinah. – Oliver se acocorou diante de nós, para seu rosto ficar a altura dos nossos olhos. – Temos aqui o caso clássico do riquinho com as costas quentes. Agir de acordo com a lei não irá trazer resultado nenhum.

- E o que trará resultado, Oliver? – Dinah o encarou nos olhos secamente, mas parecia já saber a resposta.

- Por que somos vigilantes afinal? – Ele sorriu maliciosamente e se levantou. – Trouxe seu uniforme?

- Eu não saio de casa sem ele... – Ela disse um pouco receosa, provavelmente, percebendo que estavam me revelando um segredo ou algo do gênero.

- Então vamos fazer uma visitinha a esse tal de Frederick Garner. Sabe qual é a dele, afinal.

- Está bem. – Dinah se levantou e pôs as duas mãos no meu ombro, para dar ênfase. – Mia, nós vamos sair para tentar resolver seu problema. Tranque a porta e não abra pra ninguém a não ser a gente, ok? Vou deixar o número do meu celular, qualquer problema, você nos liga, ok?

- Ok... – Balbuciei uma resposta. – Ela me deu um beijo na testa, pegou a mochila de viagem que a acompanhava, e após Ollie me dar um tchau, fecharam a porta e me deixaram.

- Tem certeza de que a menina vai ficar bem, sozinha desse jeito?

- Na verdade, pessoas que sofrem esse tipo de violência se sentem mais seguras sozinhas, do que acompanhadas. Desenvolvemos um pouco de paranóia, sabe.

- Putz, às vezes quase me esqueço pelo que você já passou...

- Eu não. É por isso que no fundo, concordo com essa sua atitude de justiceiro, Oliver. Qualquer desgraçado que abusa de uma mulher, ainda mais uma criança, merece uma punição muito maior do que a lei está disposta a dar. Ainda mais se for um sujeito que pensa que seu dinheiro vai deixá-lo impune. Mas o que nós podemos fazer?

- Sei lá, dar uma prensa nele. Se pelo menos confirmássemos algum tipo de contravenção que o colocasse na mira dos federais, além da jurisdição de Star City...

- Bárbara está trabalhando nisso. Vou ligar pra ela agora mesmo...

- E então, Babs? Descobriu alguma coisa?

- Até agora, nada Dinah. O tal Fred é um relapso com sua fortuna, mas até aí isso não é crime. Ele tem a ficha impecável em Star City, o que não é grande coisa, conhecendo o departamento de policia daí. Mas já foi detido e multado numa via interestadual, por dirigir embriagado.

- Eu tive uma idéia, Dinah. Diz pra Babs vasculhar o computador pessoal dele. Diz pra procurar pornografia infantil.

- Bem pensado, Oliver. Mas se descobrirmos, o que faremos?

- Uma coisa de cada vez. Agora, vamos pra mansão do bastardo. É hora dele saber que o Arqueiro Verde e a Canário Negro estão na cidade.


Gostaria de pegar no sono, mas estou muito ansiosa. Felizmente estou num quarto de hotel com frigobar e TV a cabo. Ajuda a passar o tempo... Meu Deus, no que será que a minha vida vai dar? Por que tudo tem que ser tão difícil? Como eu queria ser normal...

De repente, escuto passos no corredor. Mais de uma pessoa. Vai ver são só vizinhos. Mas não, eles batem na porta. Estremeço quando reconheço a voz:

- Muito bem, Mia, sabemos que você está aí! Abra essa porta!

- Fred, seu canalha. Saia ou eu vou chamar a polícia! – Pego o telefone para ligar para Dinah, mas a telefonista do hotel não me libera a ligação.

- Se você acha que vai conseguir ligar, desista. Achou mesmo que poderia se esconder num hotel de Star City? Ainda mais num onde o dono é amigo meu? Abra, ou eu irei colocar essa porta abaixo!

- Não!

- Ah é, sua vagabunda? Foi você quem pediu!

De repente, algo se chocou com muita força sob a porta e o trinco se fragmentou. Era um dos seguranças de Fred. Ele estava com dois deles. Invadiram o quarto, era como se eu estivesse vivendo um pesadelo.

- Achou mesmo que podia fugir de mim, piranha? Pois agora você vai ver! – Ele avançou até mim e me deu um tapa. Chorei mais de pavor do que de dor.

Agarrou-me então forte pelo pulso:

- Se eu não tivesse prometido pro Morton que não iria barbarizar no hotel dele, fazia o que devo bem aqui. Mas não importa. A tua hora vai chegar, nós vamos pra casa!

- Não! Não! – Tentei resistir, mas fui agarrada pelos dois seguranças, e eles me arrastaram gritando pelo corredor afora.

Se algum dos hóspedes se importou, não deu as caras. O rapaz na recepção fingiu indiferença. Vi Fred dando uma nota de 500 pra ele. Então me levaram pra fora, onde vi uma das mini-vans que Fred gostava de usar quando saia com seus gorilas. Me atiraram pra dentro. Fred me agarrou pelo cabelo, e com a outra mão começou a acariciar minha barriga.

- Ah, garotinha, então achou que podia escapar do papai, né? Agora vou ter que te colocar de castigo... E que castigo será esse, ehehe. – Pelo bafo, dava pra perceber que estava alcoolizado, pra variar. Será que aquele animal seria capaz de me estuprar ali mesmo, entre seus empregados, enquanto o carro circulava pela cidade?

Aqueles foram os trinta minutos mais aterrorizantes da minha vida. Fred me batia, puxava meus cabelos, e acariciava meus seios, tocava minha vagina. Sentia-me um animal preste a ser abatido. E quando vi os grandes muros da mansão de Fred, meu terror aumentou infinitamente.

Nessa hora, tive alguma esperança de Oliver e Dinah aparecerem. Eles disseram que iam procurar Fred. Então poderiam estar neste exato momento em casa. Mas os canalhas me arrastaram pela garagem em direção a sala e nada. A única pessoa que veio me receber era minha mãe, que estava aterrorizada.

Pelo visto, havia sido punida por minha fuga. Estava com os olhos e a boca inchada, e um braço quebrado.

- Toma a tua putinha de volta...! – Fred me jogou no chão, aos pés dela.

- Mia...! Mia, minha filha! – minha mãe correu pra me abraçar.

- Sai! – Rejeitei-a. – Fica longe de mim.

- Oh, Mia, o que fizeram com você... – Ela começou a chorar.

- Você fez...! Você se casou com este monstro! E o que é pior, não faz nada, não procura ajuda, tudo pra manter as aparências...

- Oh Mia, não diga isso... Por que você é tão revoltada... – Ela tentou me consolar. Eu estava ficando com nojo.

- Meu Deus, mãe. Em que mundo você vive? Caia na real! Esse monstro está me estuprando e bate na senhora!

- Chega! – Fred me deu outro soco. Senti meus dedos ficarem moles. Cai sangrando no chão novamente. – Essa tua filha é muito desobediente, Martha. Mas eu vou colocá-la na linha, como fiz com a mãe. – Disse isso, abrindo a braguilha da calça.

- Frederick, não! – Minha mãe tentou segurá-lo.

- Me larga, sua vaca! – Fred a afastou com um pontapé. – Tem idéias de quantos problemas sua pirralha me deu? Da confusão no centro de recuperação de Star City? Do dinheiro que tive que gastar pra manter isso longe dos jornais? Aliás, falando nisso... – Ele então se agachou, e levantou meu rosto do chão, segurando forte pelo meu pescoço:

- Quem é que salvou a tua pele, hein guria? Com quem tu anda se metendo...?

- Com alguém que vai fazer você se arrepender se algo me acontecer de novo, Fred... – Eu tentei fazer uma ameaça.

- Ah, que medo...! – Ele riu, zombando – E onde estão eles agora? Pelo visto te deixaram na mão... Caia na real, menina... O papai aqui é tudo que você tem...

De repente, escutamos o barulho de tiros lá fora.

- O que...? – Pela primeira vez, vi algum medo nos olhos de Fred. Ele me largou e correu pra pegar o walk-talk em cima da mesa:

- David, o que está acontecendo? – gritou no aparelho.

- Chefe... – uma voz tentava se impor em meio aos chiados. – De repente nossos homens começaram a ser alvejados por flechas... Tentei acionar o sistema de segurança e chamar a policia, mas ele foi cortado. Não consigo completar nenhuma ligação no celular, algo está interceptando a ligação. E agora uma mulher apareceu e nocauteou Morris e Gilbert... Meu Deus... sinto muito, mas eu vou dar o fora daqui... Scriz...

- David? David? – Fred chamou em vão pelo walk-talk, mas ele desligou abruptamente. De repente, ele se sentiu muito sozinho naquela casa com nós duas.

- Não... Quem poderia... – Ele procurou pelo revolver na escrivaninha. Começou a carregá-lo. Foi quando as janelas se partiram e duas figuras pularam para o centro da sala;

E então eu vi Oliver e Dinah, mas de uma maneira como não tinha visto antes. Eles estavam fantasiados. Dinah vestia couro, de um tipo brilhante. Será isso que chamam de kevlar? Já Oliver parecia um Robin Hood destes filmes antigos... Todo de verde. Foi aí que eu me toquei: Oliver era o Arqueiro Verde! Ele tinha voltado pra Star City!

- Muito bem, canalha. Acabou o jogo. – Oliver apontava uma flecha direto para Fred, que empunhou seu revólver, de forma defensiva.

- Saiam daqui! – Ele apontou sua arma para Oliver. – Vocês estão invadindo a minha casa! Eu vou chamar a polícia!

- Mas é muita cara de pau. – Disse Dinah, com nojo. – Você não manda em nós, Garner. Viemos dizer para deixar Mia em paz. Ou vai se ver com a gente.

- Ou vou ver o que? – Ele riu daquele jeito horrível de sempre. – Vocês não podem provar nada. E eu tenho a lei do meu lado. Eu vou descobrir quem vocês são, fantasiados. E vou colocá-los atrás das grades.

- Quem vai pra trás das grades é você, safado. – Oliver sorriu sarcasticamente. – Neste exato momento, o FBI está recebendo os arquivos do seu computador e uma denúncia sobre pornografia infantil. Descobrimos que você andou financiando uns filmes caseiros por aí. E isso é jurisdição federal, cumpadre. Não tem juiz de Star City que vai salvar teu rabo.

- Você está blefando... – Foi então que ouvimos ele engatilhar a arma. Mas antes dele apertar o gatilho, a flecha de Oliver zuniu certeira, atingindo a mão de Fred, que foi atravessada. Pelo grito dele, deve ter doído muito. Não consegui deixar de sorrir.

- Agora muito quietinho, canalha! – Dinah deu um murro nele que o nocauteou. Nunca pensei que uma mulher pudesse ter tanta força num golpe.

- Venha, vamos te tirar daqui, guria. – Ollie colocou a mão no meu ombro, e deu a outra para e ajudar a levantar. Mas não resisti, comecei a chorar e o abracei. Era a segunda vez que era salva na minha vida, não conseguia acreditar que finalmente alguém realmente se importava comigo.

- Por que vocês demoraram tanto? – Perguntei.

- Quando chegamos, percebemos que o tal Fred não estava em casa, e resolvemos vigiá-la. Assim que percebemos a mini-van entrando na garagem, e ouvimos seus gritos, então resolvemos agir. – Ele disse, enquanto afagavam meus cabelos.

Dinah veio até mim e também me confortou:

- Calma, vai ficar tudo bem agora. Tudo bem... – Ela afagou meus cabelos.

- Não... – De repente, um balbucio me lembrou da minha mãe. Ela havia ficado encolhida num canto, amedrontada, durante toda a ação. Havia se arrastado e pego a arma que Fred derrubara.

- Senhora, tome cuidado com isso! – Quando Ollie notou, ela já apontava a arma para nós. Desta vez não havia nenhuma flecha nas suas mãos, e com certeza minha mãe não daria tempo para ele sacar uma da aljava.

- Seus bandidos... Como se atrevem a invadir nossa casa? A se meter nas nossas vidas? – Ela estava fora de si, chorava descontrolada.

- Sra. Garner, podemos garantir que seu marido irá pagar pelo que fez... – Dinah tentou acalmá-la, enquanto seus olhos estudavam uma forma de desarmá-la.

- Pagar...? E quem vai pagar pelas minhas contas? E a nossa imagem na sociedade? O que os jornais vão falar disso tudo? Vou ser ridicularizada! Nunca mais poderei sair na rua! As festas! Os eventos! Vocês acabaram com minha vida, seus canalhas! Acabaram com ela!

- Meu Deus... – Foi então que Dinah compreendeu o tipo de monstro que minha mãe havia se tornado. Em todos esses anos de indiferença, minha mãe se importou apenas com ela, e não comigo. Para ela, era mais importante o que o mundo achava dela, e o nível de vida que levava, do que nossa segurança.

- Sra. Garner, você ainda tem uma filha pra criar... – Ollie tentava chegar mais perto.

- Essa ingrata? Ela só pensou nela! Que vocês fiquem com ela! – Então, mamãe colocou o revólver contra sua têmpora, e antes que Dinah e Oliver pudessem fazer algo, puxou o gatilho:

- BLAM!

Dei um grito e escondi meu rosto entre os braços de Dinah. Ao longe, podíamos ouvir as sirenes da polícia, que se aproximavam.

- Canarinho, acho que é hora de nós cairmos fora... – Ollie começou a dizer.

- Vá você. Minha identidade é pública, e acho que ser membro da SJA ainda conta pra alguma coisa.

- Mas Dinah...

- Não, Oliver. Vá. Mesmo se a polícia fazer corpo mole como você sugere, lembre que sou praticamente uma celebridade, eles vão ter que me tratar com respeito e mostrar serviço. E alguém precisa ficar com Mia, enquanto arrumam essa bagunça. Quero esperar o FBI chegar o quanto antes. Só saio da cidade, depois de ver Garner na cadeia, e Mia segura.

- Você que sabe, Canarinho. Eu vou ficar de olho, pra ver se não rola problema. Se precisar, eu venho correndo.

- Eu sei, querido. Agora, vá.

Oliver se foi por uma das janelas, e ficamos apenas eu e Dinah, além do corpo da minha mãe. Num canto, estava o centro disso tudo, Frederick Garner, desmaiado.

- Dinah, por que...? – Eu finalmente consegui falar.

- Por que o quê, querida?

- Por que existem pessoas tão ruins quanto Frederick? Por que ele gosta de machucar as pessoas? E por que minha mãe deixava? Como pode existir gente assim tão ruim?

- Eu não sei, meu bem. – De repente, percebi que seus olhos também lacrimejavam. – Há pessoas que parecem que sentem prazer em fazer o mal, e outras que tem medo de reagir, e acabam sendo cúmplices do mal por pura fraqueza. Eu não sei porque algumas pessoas têm que ser assim, só sei que a gente não tem que sofrer por causa delas.

- É por isso que você faz isso? Sai fantasiada por aí espancando bandidos?

- Uma das razões, Mia.

- Eu gostaria de ser como você, Dinah. E não tão fraca e indefesa. Aposto que você nunca passou por tanta humilhação...

- Já passei sim, garota. Te entendo muito bem...

- Você quer dizer...

- Anos atrás um criminoso que eu estava investigando conseguiu me pegar. Ele me violentou e me torturou, enquanto eu estava amarrada, indefesa. Se não fosse por Oliver, eu estaria morta. Acredite... Sei muito bem que pior que a violência, e a sensação de impotência.

- Dinah, por favor... – Voltei a chorar. – Me ajuda nisso. Não quero mais ter medo. Me ajuda a superar isso. Eu não tenho mais ninguém nesse mundo...

- Menina, eu... – Ela estremeceu. – Nós acabamos de nos conhecer, deve ter algum parente que...

- Eu não tenho ninguém, Dinah. Ninguém nunca se importou comigo. Agora entendo porque chamam vocês de “heróis”. É isso que vocês são...

Então não dissemos mais nada, até a polícia chegar e nos levar até a delegacia. E foi assim que terminou a mais longa noite da minha vida, e já naquele momento eu tinha certeza de que ela jamais seria, felizmente, a mesma.


CONTINUA!

"

Última atualização em Ter, 02 de Novembro de 2010 22:20
 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

random_aranha.png