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Canário Negro vai para Star City disposta a descobrir que razões levaram o Arqueiro Verde novamente querer adotar a cidade como base de operações. Apesar dos planos de Oliver Queen, Dinah Lance não está bem certa que o futuro dos dois possa estar na mesma cidade... É quando aparece uma adolescente chamada Mia Dearden.
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A vida dá voltas. Quanto mais as coisas mudam, às vezes mais as coisas permanecem as mesmas. Pelo menos essa é a história da minha vida.
Já houve uma Canário Negro na Sociedade da Justiça da América, e hoje, quarenta anos depois, continua havendo uma: eu, Dinah Lance, seguindo os passos de minha mãe, que também se chamava Dinah e também era super-heroína.
Super-heroína! Ah! Como é fácil me chamarem assim... Como é difícil eu mesma acreditar nisso... Sou apenas uma artista marcial que tem um grito sônico, estou longe de ser um peso pesado como a Mulher-Maravilha ou a Poderosa. Acho que nenhuma delas já passou pelo hospital tantas vezes quanto eu.
Ainda assim, eu insisto. Insisto em lutar pelo acredito, insisto em lutar por verdade, justiça e pela vida. Insisto em lutar pelo que eu amo. Mesmo que, no final das contas, eu saia ferida.
Só assim para explicar meu relacionamento com Oliver Queen. O número de vezes em que terminamos e voltamos... é cíclico. Quando ele “morreu”, acreditei que desta vez havia sido definitivo. Mas mesmo assim, ele retornou para me assombrar.
Com um sorriso generoso no rosto e sua atitude audaciosa de sempre. Um grande cara de pau, isso é o que ele é! Só sendo desse jeito pra me pedir em casamento, depois de tudo que ele já aprontou comigo! Eu deveria ter batido nele, pela audácia. E ele sabia desse risco. Ainda assim... Ele tentou. Pra ele fazer uma coisa dessas, pra se arriscar desse jeito a ouvir não só um não, mas o maior sermão da sua vida... É porque esse homem me ama profundamente.
Eu sei disso porque conheço Oliver Queen. Para nossos colegas ele é apenas o Arqueiro Verde, a figura anti-autoridade que é um vigilante não para ajudar as forças da lei e da ordem, mas por questioná-las. Uma pessoa tão liberal e com as idéias que ele tem, de amor livre e flower power, nunca acreditou em casamento. Pra ele, a liberdade sempre foi o maior dos tesouros. E pra ele chegar ao ponto de me pedir em casamento, porque sabia que era esse o tipo de compromisso que eu jamais esperaria que ele aceitasse, somente dessa forma para reatarmos.
Mas será que é realmente isso o que eu quero? Tenho certeza de que ainda amo Oliver, e que provavelmente nunca vou amar outra pessoa mais do que ele. Já tentei outras vezes, e sempre falhei. Por isso sempre estarei condenada a voltar, toda que vez que tentar fugir dessa sina. Meu destino parece irremediavelmente ligado ao dele, nem a morte foi capaz de nos separar...
Deve ser por isso que aceitei vir para Star City, apesar de não gostar nem um pouco da idéia. Digo, tenho minha vida como parceira da Oráculo e com a Sociedade da Justiça, viajando pelo país. Não sei mesmo se quero me assentar. E ainda por cima me assentar em Star City. Me preocupa essa decisão de Ollie, porque me parece pura nostalgia. Como se fosse um efeito colateral de sua experiência com a morte, ele procura retomar uma vida que já teve, mas cujo momento já passou. E se eu também for uma dessas escolhas? E se o pedido dele for apenas isso? Pura Nostalgia?
Ele me pediu para me encontrar num Centro Social para Recuperação de Jovens que vivem nas ruas. Sinceramente, não sei o que ele pretende. Talvez me pegar pelo ponto fraco, pelas crianças. Elas correm e brincam e gritam e gargalham num parquinho. Pelo menos, os menores. Os adolescentes estão encostados pelos cantos, jogando conversa fora, fazendo pose de revoltados. Bom, pelo menos esses têm seus motivos. Há alguns dentro das salas de aulas. Não duvido que haja também aqueles ainda dormindo ou apenas deitados nos dormitórios. O lugar é realmente grande. E lotado. Não sabia que Star City estava tendo um problema com menores abandonados e delinqüência juvenil.
Mas a cidade realmente parece com problemas. Só estive aqui uma vez, e nem de longe parece a mesma cidade. Há construções abandonadas, as ruas estão sujas e mal-cuidadas. Ninguém mais se importa em consertar os muros pichados, ou com reboco caindo. Há várias lâmpadas quebradas nos postes, e a cidade deve estar mais escura à noite. Talvez eu comece a entender porque Oliver quis voltar.
Apesar do centro de recuperação ficar na periferia da cidade, parece muito limpo e novo. Não deve estar funcionando há muito tempo. Logo na entrada, procuro uma forma de me informar e entro na secretaria. Pergunto para a atendente:
- Oi. Como eu faço pra chegar ao refeitório?
- Alguém está lhe esperando lá?
- Hã.. Sim. O nome dele é Oliver Queen. – Respondo, sem saber se deveria ao certo dizer o nome.
- Ah, o Sr. Queen. Claro, ele me falou de você. – Ela sai do balcão e me leva até a porta. Está vendo aquele prédio? Fica logo atrás, dobrando a quadra e... – Parou por um instante, quando suspeitou que talvez eu estivesse não entendendo. – Ok, acho melhor alguém levar você até lá.
Ela procura entre os jovens que estão por ali, marcando bobeira.
- Ei, você! – Ela chama uma garota de uns quinze anos, loira e de olhos azuis. – Mia, não é?
- Sim, por que...? – Ela não parece muito contente por ter sido notada. Noto um pouco de impaciência na voz.
- Seja gentil e me faça um favor: Leve essa senhora ao refeitório 2. Você sabe onde é, não é?
- E eu tenho escolha? – Ela não parecia muito satisfeita.
- Querida, é claro que você tem escolha. Mas mostre que você é mais educada do que a maioria dos seus colegas, e me faça esse favor, que prometo que irei lembrar disso.
- Ta. Pode ser. – Ela suspirou, como se fosse vencida. – Não tenho nada melhor pra fazer mesmo...
- Vem comigo...! – Ela me fez um gesto com a mão, para que a seguisse.
Caminhamos pelos corredores dos pequenos prédios de dois ou um andar, que formavam o conjunto educacional.
- Olha, obrigada por me ajudar a me achar. Sinto ter tirado você da conversa com suas amigas...
- Não são minhas amigas. Na verdade, não conheço praticamente ninguém por aqui... – ela me cortou.
- Você chegou aqui recentemente?
- Por que quer saber? – Ela perguntou desconfiada.
- Nada, só curiosidade... Mesmo.
- Cheguei ontem à noite. – Ela respondeu depois de avaliar um pouco e deveria responder ou não.
- Hã... Eu espero que você se de bem por aqui. – De repente, percebi que aquela conversa era meio surreal. Talvez eu tivesse errado em puxar assunto. Não sabia direito o que dizer, apesar de já ter trabalhado com jovens antes. Devia estar enferrujada.
- Claro, uma maravilha isso aqui. Comida ruim, dividir o dormitório com umas bruacas que você não conhece, não tem Tv a cabo, uns babacas que fingem que estão dando aula e te ensinando alguma coisa, além do excesso de pirralhos. Por que será que a maioria acaba voltando pra rua mesmo...?
- Bom, mas você tem que admitir que é mais confortável do que as ruas, não?
- Tanto faz. Eu não tenho pra onde ir mesmo.
- Você não tem pais?
- Era melhor não ter...
- Ora...
- Dona, não fale do que você não sabe, tá legal? A minha vida não é a da tua conta. E por que você se importaria? Digo, nada contra ti, só não acho que vai valer alguma coisa dividir meus problemas contigo.
- Por favor, não em chame de Dona. Mal passei dos trinta... Meu nome é Dinah. E o seu é Mia, não é? Vamos nos tratar pelo nome, então... – Eu tentei sorrir. - Pode ser que não seja mesmo da minha conta... Mas acho que quanto antes você dividir seus problemas com alguém, mais fácil vai ser de resolvê-los, sabe? Vai por mim. Não precisa me responder nada, só pensa no assunto, tá?
- Hunf... – Ela não me pareceu muito convencida, mas já tínhamos chegado no refeitório. – É aqui, dona. Se quiser uma dica, não se arrisque a comer a comida daqui. Dá a maior dor de barriga... – Ela sorriu, amargurada e irônica.
- Obrigada, Mia. – Agradeci, mas ela se virou e foi embora, como se não importasse. Olhei em volta, procurando Oliver, no meio das mesas, e vi que ele estava servindo algumas crianças. Sorri quando percebi como ele era realmente um bom homem, apesar dos seus defeitos. Ele me notou, tirou o avental e veio em minha direção.
Estava com um sorriso tranqüilo, e aqueles olhos azuis serenos e amigáveis. Nem parece o sujeito teimoso e esquentado capaz de comprar briga por alguma picuinha política, ou simplesmente porque acha que o jeito dele é o certo de fazer as coisas. Mas ele sempre se portou de um jeito diferente comigo. Vai ver porque ele quer alguma coisa. Bom, o tom da voz dele diz tudo:
- Canarinho, até que enfim! – Ele colocou as mãos nos meus ombros e me deu um beijo.
- Oliver, já faz duas semanas! Você prometeu voltar pra Nova York. – Falo de um jeito calmo, tentando passar calma e tranqüilidade. Não quero que ele pense que estou brava com ele. Não é isso... Estou realmente curiosa, acima de tudo.
- Dinah, algumas coisas mudaram... – Pelo visto, ele não sabia por onde começar. – É por isso que eu pedi pra gente se encontrar aqui. Talvez vendo esse trabalho que fazem com as crianças, você possa entender.
- Entender o quê, Ollie? – Olhei fixamente pra ele, mas tentei ser mais compreensiva do que taxativa. – Que mais uma vez você mudou as regras do jogo, antes mesmo dele começar?
- Não mudei regra nenhuma, Dinah. – Suas palavras ficaram mais firmes. - Eu não voltei pra Nova York porque não era meu lugar.
- Também não é meu lar, Ollie. Pessoas como nós não tem um lar. Além do mais, sempre pensei que você gostasse da Estrada.
- Não sou mais um garoto, Dinah. Eu quero me assentar, achar meu lugar, criar e cuidar de alguma coisa... Pensei que você já tivesse adivinhado isso. Foi por isso que eu te pedi em casamento.
- É isso que eu sou pra você, Ollie? Um teste de amadurecimento?
- Não! Não coloque palavras na minha boca. – Ele voltou a colocar as mãos nos meus ombros, afetuosamente. – Eu amo você, Dinah. Mas também amo outras coisas. E percebi que amo Star City. Eu percebi que amava quando vi o que fizeram com minha cidade. Enquanto eu estava fora, Dinah. Talvez a culpa tenha sido minha... – Ele baixou os olhos para o chão, como fazia quando estava envergonhado.
- Espera aí, Oliver. – Tentei consolá-lo. – Você não tem culpa de nada. As pessoas são responsáveis pelas suas vidas. Se você começar a acreditar que tudo é responsabilidade sua, vai começar a ficar tão obsessivo quanto Clark... Ou pior, igual ao Bruce.
- Não importa Dinah. Se eu voltei da morte, como vocês dizem, deve ser por alguma razão. Eu não posso ficar a vida inteira apenas apreciando a maré. Foi por isso que entrei nesse negócio de vigilante uniformizado. Pra fazer alguma diferença. E sinto que aqui, mais que em qualquer outro lugar, eu posso fazer a diferença. Eu sou necessário pra essas pessoas, Dinah, e é isso que importa.
- Que bom pra você, querido. Mas onde eu me encaixo nisso tudo?
- Bom, já que vamos nos casar, queria saber o que você acha de morar em Star City e...
- Não.
- Como não? Olha Dinah, pensei que você tivesse topado em viver comigo...
- Não, eu não topei viver contigo. Eu topei me casar com você, é diferente.
- Putz! Por essa eu não esperava. – Seus olhos esbugalharam de surpresa.
- Nós já moramos juntos antes, Oliver. Em Seattle. E não deu certo.
- Por isso mesmo. Daquela vez eu te segui, não? Fui morar em Seattle, porque você morava em Seattle...
- E agora é a minha vez? Você acha que é assim que as coisas funcionam...?
- Olha, desculpa se parece que eu coloquei as coisas desse jeito... Não era pra ser assim. Eu compreendo que você tenha tanto direito quanto eu de decidir onde vamos morar e... – O coitado realmente estava confuso.
- Ollie, será que você não escutou? Eu não vou morar com você. Não posso. Tenho minhas missões para a Oráculo. E sou membro da SJA.
- Você mudou de idéia em relação ao casamento? – Seus olhos eram pura apreensão, bem com seu tom de voz. – Mas Dinah...
- Não, eu não mudei de idéia em relação ao casamento. Podemos casar. Se for o que você realmente quer. – Desta vez, meus olhos foram taxativos.
- Como assim, se é o que eu realmente quero? Com certeza é o que quero! Como pode não pensar assim?
- Quero que você tenha certeza que está vivendo o presente, Oliver. E não o passado.
- Ah, então é com isso que está encucando, querida? – Ele sorriu, meio sem graça. – Olha, eu já pensei nisso... Eu ganhei uma segunda chance, Dinah. E vou aproveitá-la. Sobre todos os aspectos. É por isso que não posso te deixar escapar... Dessa vez. – Ele me encarou com aquele olhar tão profundo pra mostrar que independente dele ser confuso e contraditório, era sincero, acima de tudo. E com certeza essa era a melhor das qualidades de Oliver Queen.
Inevitavelmente, nos beijamos. O safado sabia que eu ia cair nessa.
- Bom, então como é esse negócio... Nos casamos, mas não moramos juntos? – Ele retomou o assunto, ainda meio aturdido.
- É outra forma de laço, Oliver. Não vai ser vivermos sob o mesmo teto que vai garantir a nossa felicidade. Por outro lado, viver desse jeito, cada um pro seu lado, pode apenas nos afastar... Por isso, o casamento pode ser uma boa idéia. Pra criarmos um vinculo mais forte.
- Mas Dinah... – Lá vinha ele de novo.
- Nada de mas, Ollie. Se conforte em saber que se não estou morando em Star City, não estou morando em lugar nenhum. Sou uma ave de rapina, estou voando por aí. – Acrescentei o floreio e o abracei pelo pescoço. - Mas meu ninho pode ser em Star City. Prometo que todas as minhas folgas, sempre que não estiver em missão, estarei por aqui. O problema é que você me conhece... Não sou de ficar sem fazer nada...
- Foi nisso que pensei, Dinah. Por isso queria te mostrar esse lugar. Lembrei-me que você já foi assistente social e...
- Você achava que eu viria morar em Star City e trabalhar por aqui?
- Sim, achei... – Ele coçou a cabeça. – Meu desculpe, péssimo plano.
- Bom, existe uma razão pra você nunca ter sido líder da Liga da Justiça... – Eu sorri.
- Engraçadinha. – Ele devolveu o sorriso, fingindo mal-humor.
Caminhamos pelo pátio, observando as crianças e adolescentes.
- Como você conheceu esse lugar, Oliver?
- Ele é administrado por uns novos amigos que eu fiz. Na verdade, até existe alguns conhecidos das antigas entre eles, quando eu era um playboy filantropo. É um pessoal que financia um movimento pela recuperação de Star City...
- Então esse lugar não é da Prefeitura?
- Esse é o motivo que Star City precisa de mim, Dinah. Os políticos, juízes e policiais abandonaram Star City. Muitos desses caras estão ligados ao crime organizado. A cidade tá uma bandalheira só. Um grupo de empresários e algumas entidades juntaram dinheiro pra criar esse centro social, pra ajudar o problema dos menores de rua, mas isso é só a ponta do iceberg. As escolas públicas foram dominadas pelas gangues, e são mais ponto pra venda de drogas do que de aprendizado. Pra sustentar o vício, uma penca de moleques tem se tornado assaltantes ou se prostituindo.
- Puxa Oliver, é difícil imaginar o que essas crianças estão passando. Vendo elas assim, conversando, jogando bola, ninguém poderia dizer o que estavam sofrendo ontem... Eu conheci uma menina adorável, quando cheguei. Ela parecia tão abatida, a coitadinha.
- Nem me fale. Tem de tudo por aqui. Abuso infantil, problemas com drogas, delinqüência, abandono familiar... Não é fácil. – Ele falou daquele jeito culpado, que sempre manifestava quando estava pensando em como era sortudo por ter nascido no topo da pirâmide social.
Foi então que escutamos gritos. Não gritos entusiasmados de uma brincadeira, mas de pessoas apavoradas. E outras berrando exigências. Claro, tinha que acontecer, afinal éramos Canário Negro e Arqueiro Verde, dois vigilantes que mesmo nos momentos de folga acabam trombando com coisas assim.
- Isso vem lá da frente...! – Oliver olhou pra direção de onde eu tinha caminhado.
De repente, escutamos um barulho de tiro.
- Alguma coisa está acontecendo. Vamos lá. – Saí correndo, na frente.
- Diacho, como é que essa menina consegue ser mais rápido do que eu... e usando salto alto? – Oliver praguejou enquanto tentava me acompanhar.
Crianças, adolescentes e adultos assustados passaram por nós, correndo na direção contrária, fugindo do perigo.
O motivo, logo encontramos: Achamos o vidro da porta da secretaria, estilhaçado, por um golpe ou por tiro, e a senhora que me atendeu, estava caída:
- A senhora está bem...? – Perguntei, ajudando a levantá-la do chão.
- Os maníacos... Eles querem levar uma das meninas. Eu não quis dizer onde ela estava e daí... – Ela chorou mais ainda, mostrando o sangue nos olhos, e o rosto inchado e roxo, onde deveria ter sido espancado.
Ouvimos mais gritos, e os sujeitos que provavelmente causaram toda aquela algazarra:
- Chefe, achamos a guria! – gritou um deles. E nos seus braços estava a tal Mia, a mesma garota que me orientou hoje cedo, tentando escapar.
- Não! Eu não vou voltar! Eu não quero voltar! – Ela gritava e chorava.
- Largue a garota! – Oliver gritou.
Ao notarem ele, outros dois caras armados, apontaram suas armas pra ele e começaram a atirar, surpresos pela intervenção. Felizmente, Ollie já se desviou de coisa muito mais rápida e pior. Jogou-se no chão, deu uma cambalhota e caiu direto em cima de um dos bandidos.
Antes que o outro pudesse fazer mira em cima do Arqueiro, o desarmei com um golpe de aikidô, e com um chute na melhor tradição do Kung Fu, deixei o cara grogue. Um cruzado direto nas fuças colocou o sujeito pra dormir de vez.
Ollie já tinha também nocauteado seu adversário e sua preocupação agora era com o cara que estava tentando escapar com Mia. Ele tentou correr em direção ao portão e provavelmente ao seu carro na calçada. Para nos atrasar, começou a disparar. Não tivemos problemas em desviar, calculando a direção dos disparos pelo modo como apontava a arma.
- Desista, companheiro. – Ollie lhe falou irônico, enquanto se aproximava.
- Largue a menina, e a gente pega leve. – Eu prometi em falso.
- Isso não é da conta de vocês! – O sujeito parecia assustado. – Eu só vim levar a menina de volta pros pais dela!
- Ele não é meu pai! O desgraçado não é meu pai! – Mia tentava escapar, se contorcendo.
- Quieta pirralha! – Ele se distraiu com a menina, e foi suficiente para que eu e Ollie o agarrássemos. Meu parceiro arrancou a arma da mão do cretino e o agarrou pelo colarinho, enquanto eu o esmurrei e tirei Mia dos seus braços.
- Está tudo bem, garota. – Eu a tranqüilizei, enquanto ela chorava. Estava quase em choque.
- Muito bem, cretino. Escolheu o dia errado pra brincar de seqüestro. – Ollie deu uma gravata, enquanto segurava suas mãos, procurando um modo de amarrá-las.
- Tá bom, eu desisto! Eu desisto! – O criminoso gritava, desesperado.
- Alguém tem que chamar a polícia pra recolher o lixo. – Eu lembrei.
- Hunf. Como se fossem de grande ajuda... – Oliver tinha, é claro, que resmungar contra alguma coisa.
- A polícia não, a polícia não! – Mia protestou, para nossa surpresa.
- O quê? – Eu me surpreendi. – Por que não, Mia? Por que não?
- Porque eles vão me fazer voltar pra casa! – Ela chorava, quase em desespero. – Eu não quero voltar pra casa, Dinah! Eu não quero!
- Bom, se o seu pai é do tipo que mandam esse tipo de pessoa “te buscar”, realmente gente boa não deve ser... – Oliver comentou.
- Ele não é meu pai.. É meu padrasto...! E o canalha é um criminoso!
- Criminoso? Da máfia, você está dizendo? – Eu perguntei.
- Não... – Ela engoliu em seco. – Ele me machucou, Dinah. Ele me machucou!
Meu Deus. E quando a gente não quer se envolver, acaba-se envolvida completamente. Porque as coisas são assim quando se está com Oliver Queen. As coisas nunca caminham para um fim, mas sempre para um começo...
CONTINUA!
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