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O Espectro perdera o controle sobre seus atos, causou dezenas de mortes em Gotham e quase acabou com a Liga da Justiça. Isso porém é coisa do passado e ele está disposto a começar do zero ao lado da equipe que ajudou a fundar. Mas a Sociedade da Justiça estará disposta a novamente dar a mão a quem precisa?
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Casa dos Garricks Keystone City
Jakeem Willians, também conhecido como Jakkem Trovoada, estava atrasado para a escola. Já deveria estar na sua sala de aula há pelo menos 15 minutos. E o pior: aquele era um dia de prova de Geografia. Ele arrastava sua mochila enquanto descia correndo escada abaixo, vestindo seu casaco e soltando imprecações.
- CARALHO, CARRIE!! Cadê você?! Eu falei para não parar de me chamar enquanto eu não saísse do quarto!!
- Carin não pôde continuar te chamando, querido. – respondeu Joan Garrick que, para surpresa do garoto, se encontrava na sala vendo TV e não na cozinha preparando o café da manhã – Os enjôos dela estão ficando mais fortes pela manhã. E você precisa aprender a parar de falar palavrão e a acordar sozinho.
Carin Taylor, também conhecida pelo nome de Velocidade, era uma mutante adolescente com o dom de correr em velocidades supersônicas. Desde a ocasião em que o Flash e Mercúrio a encontrou na Rússia, Carrie – como Carin é chamada pelos amigos – estava vivendo na casa dos Garricks. Velocidade tinha se afastado da equipe que fazia parte – a Cyber Force – para pensar no que queria fazer de sua vida, quando se viu envolvida num confronto entre super velocistas e alguém que parecia ser o renascido Anti-Monitor. Como resultado ela entrou em coma por mais de um mês e, quando acordou, surpreendeu-se ao descobrir que estava grávida – mesmo ainda estando virgem [1]. Para Joel Ciclone e sua esposa – que sempre fora estéril – aquilo era uma dádiva dos céus. Nunca puderam ter filhos e, após cinqüenta anos de casados, tinham agora aos seus cuidados o jovem Jakeem Trovoada e uma adolescente com poderes semelhantes aos de Jay, que em breve lhes daria alguém para chamar de “neto”.
- Foi mal, Dona Joan... Não sabia que a senhora estava na sala.
- Você precisa ter educação mesmo quando eu não estou por perto, Jakeem. Nunca se sabe quando tem alguém nos escutando. E se o Superman estivesse aqui procurando o Jay?
- Ah, aquele escoteiro é um mala...
- Bom, e se fosse o Batman?
- É... Aquele morcego podia achar que eu não merecesse o Relâmpago e tirá-lo de mim. Por falar nisso, será que posso usar ele para ir a escola só hoje?? Tô muuuito atrasado e tem prova agora de manhã. Se perder essa prova eu tô fu...
- Jakeem...
- Hã... Fulminado. Tô fulminado.
- Está bem, está bem. Mas não se acostume, em? Sabe que deve procurar agir como as crianças normais quando não estiver atuando como super-herói.
- Pode deixar, Dona Joan. Só desta vez. “MANEIRO AÍ”!!
Ao falar as palavras mágicas empunhando a caneta que carrega seu gênio da 5ª dimensão, segundos depois Jakeem normalmente vê Relâmpago sorridente e prestativo, brilhando como um raio de luz, aguardando a próxima ordem de seu amo e amigo. Mas não foi isso que aconteceu daquela vez.
O gênio saiu da caneta em grande velocidade e começou a gritar e ricochetear pelas paredes da sala, derrubando objetos pelo chão e deslocando móveis de lugar. Parecia totalmente fora de si. Joan gritou assustada e se encolheu no sofá, enquanto Jakeem acompanhava o vôo errante de Relâmpago com os olhos e gritava ordenando sem sucesso que ele parasse. Até que, após alguns minutos que transformaram a sala da casa dos Garricks em um cenário de guerra, Relâmpago cai aos pés de Jakeem, como se sua energia estivesse exaurida.
- Relâmpago!! – Jakeem se abaixou, tentando reanimar seu gênio – O que aconteceu? Parecia que você tava maluco!! Tá tudo bem??
- M-mestre... – Relâmpago balbuciava enquanto sua luminosidade natural parecia que ia se exaurir – Algo... algo está errado no Campo Quântico... Não posso... Não posso me manifestar plenamente neste... neste plano... Os jogadores não... não estão nas posições que deveriam estar... Aztar, o Espírito da Vingança, vai voltar a conviver conosco...
Enquanto resmungava essas palavras, Relâmpago foi ficando transparente até que voltou a ser mera energia e retornou ao interior da caneta rosa de Jakeem. Ainda surpresos com o que acabara de acontecer, Jakeem e Joan não perceberam a repentina lufada de vento que tomou conta da sala vinda do banheiro, até escutarem a voz de Velocidade.
- Nossa...!! – Carin ainda estava enjoada e não gostava muito de correr carregando sua barriga de seis meses de gravidez, mas ficara preocupada com o barulho que ouvira vindo da sala – O que aconteceu por aqui??
Jakkem e Joan se encararam como se um esperasse que o outro dissesse algo sobre o que ambos presenciaram e ouviram. Joan acabou sendo a primeira a falar:
- Acho melhor chamarmos Jay e falar com ele sobre o que aconteceu.
Museu e Memorial da SJA Salão Principal
Quando Ted Grant finalmente abriu os olhos, ele olhou em volta e viu que não estava mais na Sala de Jantar, mas no Salão Principal do Museu. E teve certeza de uma coisa: tinha perdido toda festa.
A sua frente ele viu Courtney e Pat sendo atendidos por alguns dos funcionários do museu e por paramédicos e enfermeiros – provavelmente do Belmont Hospital. Outros funcionários circulavam apressadamente, atendendo a pedidos dos agentes de saúde ou tentando organizar a bagunça que estava no local. As gigantescas estátuas da primeira formação da SJA pareciam observar tudo com a distância e a isenção dos deuses.
- Caramba, Ted! Finalmente você acordou. Já estava ficando preocupado.
Só nesse momento Ted se deu conta que tinha alguém velando por ele. Era Alexander Montez, o curador do Museu da SJA e relações públicas da equipe.
- Sou um vaso ruim... Além do mais posso quebrar mais umas quatro vezes antes de... antes de vocês se livrarem de mim... para sempre... – Ted ainda sentia seus pulmões e garganta arderem, dificultando o ato de falar – Que aconteceu...? Perdi alguma coisa muito importante, não foi...? Aquele morto-vivo banhado em alvejante não fez tudo isso sozinho... Quem o estava controlando deste vez?
- Quando eu cheguei tudo já havia acabado. Não sei bem o que houve ainda, o pessoal parecia meio perdido. Mas pelo que entendi tivemos algumas perdas na equipe...
O Pantera perdeu instantaneamente o seu conhecido bom humor e em segundos estava de pé, como se nada tivesse acontecido com ele.
- Pelo que me lembro, houve uma explosão intensa no quintal da mansão... Os vizinhos e a imprensa já devem querer algumas respostas.
- É verdade. O pessoal da imprensa não para de chegar. Já marquei uma coletiva no auditório do Belmont Hospital para daqui a uma hora.
- No Belmont...? Quem foi levado para o hospital?
- A Canário, Adão, Destino e o Incrível. O Joel parece estar sentindo a cabeça, mas se recusou a ir enquanto a equipe não decidir o que fazer... E o Adão está sob forte vigilância no quarto de contenção do hospital. Ordens do Sand.
- Eles estão aqui na Sala de Reuniões ou lá no Hospital?
- Aqui.
- Pode deixar que antes da coletiva, você vai saber o que dizer aos repórteres.
Dizendo isso, Pantera se dirigiu decidido a Sala de Reuniões, no segundo andar da Mansão Dodds. Ele acreditava estar preparado para qualquer coisa que fosse encontrar ao chegar lá, mas uma surpresa inesperada o esperava na ante-sala da Sala de Reuniões. Ao entrar no recinto, Ted encara alguém que ele acreditou que nunca mais veria na sede da SJA. De pé e de braços cruzados no meio da ante-sala, se encontrava envolvido em névoa o Espectro, o Espírito da Vingança, membro fundador da Sociedade da Justiça. A sensação de irrealidade que ele emanava só aumentou a impressão de que Ted estava tendo uma alucinação.
- Jim...??
- NÃO, PANTERA... – Percebendo que evocava fortes lembranças do passado de Ted, o Espectro decidiu baixar a guarda, dissipando a névoa e mudando seu aspecto, deixando aflorar sua porção humana. Em segundos, o assustador espírito de malha branca e capa e capuz verde dá lugar a um homem com cabelo castanho e grisalhos nas têmporas. Trajava calça jeans, camiseta de algodão e uma jaqueta de piloto de provas da Ferris Aeronáutica. Sua voz também muda drasticamente de tom, ficando mais acolhedora e confiável. - ... Sou eu, Hal Jordan.
Ted preferia que fosse o velho Jim Corrigan que estivesse na sua frente, com seu sobretudo de Humphert Bogart, olhar durão de tira nova-iorquino dos anos 40 e aquele humor amargo e ácido que tirou o velho boxeador do sério várias vezes. Mas a alma de Jim conseguira merecidamente seu direito de descansar depois de décadas de trabalho como âncora humana do Espírito da Vingança e agora a alma desencarnada de Hal Jordan ocupava seu lugar.
Só que Jim Corrigan era um policial de Nova York com a ficha limpa que morrera no cumprimento do dever antes de sua alma ser invocada para tornar-se parte do Espectro. O próprio Ted o encontrara duas vezes antes de sua morte – uma antes e outra depois de vestir o uniforme do Pantera pela primeira vez. Já Hal Jordan...
Hal tinha sido um policial intergaláctico, considerado o melhor de todos os membros da Tropa dos Lanternas Verdes e um dos maiores super-heróis da Terra. Até o dia em que se sentiu responsável por não estar presente na sua cidade no dia em que ela foi vaporizada impiedosamente por alguns vilões. Caindo em profunda depressão, ele acabou sucumbindo a um desejo que nunca poderia ter cogitado – trazer toda a população de Coast City de volta a vida. Obcecado e sufocado pelo desejo, tudo o mais deixou de importar, varrendo do caminho seus amigos super-poderosos e matando quase todos os seus líderes – os Guardiões do Universo – e os membros da sua Tropa que encontrava pela frente, pois eles estavam decididos a impedi-lo a todo custo. Na sua busca insana, ele acabou por se tornar aquilo que sempre combateu: um super-vilão, dos mais poderosos que o Universo já vira. Assim surgiu Parallax [2].
É verdade que, no fim, ele se arrependeu do destino que escolhera para si e salvou todo o Sistema Solar da destruição, perdendo sua vida no processo [3]. Esse momento de redenção deve ter sido o suficiente para que sua alma tivesse a oportunidade de ter seus pecados perdoados ocupando o lugar de Jim Corrigan como a âncora humana do Espectro, mas Ted Grant, assim como vários de seus colegas uniformizados, não concordava com isso. Um herói uniformizado que muda de lado, matando alguns de seus antigos colegas no processo, não podia ser perdoado de uma hora para outra. E os últimos fatos que chegaram aos ouvidos do Pantera só reforçavam a sua opinião.
- Hã... Olá Hal.
- É bom ver você de novo, Pantera.
- Bom... Já deve saber que o Alan não está conosco e deve demorar a voltar. Você veio vê-lo, não?
Dos antigos membros da SJA, Alan Scott era o único que ainda mantinha relações com o Espectro, pois acreditou no arrependimento de Hal. Alan foi mentor de Jordan quando este começou a agir como Lanterna Verde e o via como aquele que manteria acesa a chama de seu legado. Para o Lanterna Verde original, Hal Jordan era como seu terceiro filho. O Espectro chegou inclusive a consolá-lo quando Alan não conseguiu salvar os passageiros e tripulantes do avião que caiu em Washington durante os atentados de 11 de setembro [4].
- Não, sei que Alan está no espaço recrutando novos Lanternas Verdes. – Hal olha para o lado e sorri – Engraçado... Eu o chamei várias vezes para integrar a Tropa, mas ele nunca quis. Dizia que já agia a tempo suficiente para saber o que era certo e errado e que jamais iria deixar que anões alienígenas azuis mandassem nele. Bem... os anões alienígenas azuis não existem mais.
- E você acha isso engraçado?
- Pois é... Dizem que fazemos humor com pessoas mortas para diminuir a nossa tensão, tentar contornar a saudade e o sentimento de culpa. Deve ser isso.
- Se você não veio atrás do Alan, por que está aqui?
Hal Jordan encarou os olhos de Ted Grant. O Pantera sentiu sobre si o olhar de alguém que já vira o melhor e o pior da existência, seja no planeta, seja no Universo. Alguém que conhece as respostas e não se satisfez com nenhuma delas. Alguém que era recheado de esperança e que agora está aquém da própria falta da esperança. Nem no milenar Vandal Savage ele encontrara esse olhar.
- Você já soube o que aconteceu na Lua, certo? – Perguntou Hal.
- E em Gotham também. Acho que todos os membros da Sociedade já sabem [5].
- Já deve saber então porque aquilo aconteceu. Tenha certeza de que nunca ocorrerá novamente. Eu mudei Pantera. Deixei de ser um mero instrumento divino. Estou reavaliando meus objetivos e procurando seguir em frente com minhas próprias pernas.
- Boa sorte pra você. Mas você ainda não me respondeu: por que está aqui, Hal?
- Ted Grant, você daria um ótimo Lanterna Verde. – Hal sorriu para o velho boxeador – Estou esperando uma resposta dos seus colegas. Minha conversa com você só confirmou o que acho que eles vão me dizer. E posso dizer que não estou surpreso. – Hal se afastou, abrindo passagem para Ted – Entre. Eles vão gostar de saber que você está bem.
O Pantera passou por Hal Jordan e entrou na Sala de Reuniões, procurando não reparar que o aviador voltava aos poucos ao seu aspecto mais sombrio, com seu uniforme branco e verde, enquanto uma névoa sepulcral recomeçava a envolvê-lo.
Mal o Pantera adentrou na Sala de Reuniões os olhos de todos os presentes se voltaram para ele.
- TED!! – Joel, que estava do outro lado da sala, gritou e no instante seguinte já estava ao lado do Pantera dando tapinhas de confraternização em suas costas – Sabia que ainda era cedo para esse velho guerreiro ir embora!
- Jay, o que houve enquanto eu estive apagado? Quem nos atacou? O que o Espectro está fazendo aqui? Por que vocês decidiram se reunir num momento como esse, com o mundo desmoronando?
Todos ficaram em silêncio e olharam para Sand, que estava sentado em uma das cadeiras que contornavam a mesa redonda localizada no centro da sala. Como líder da SJA, ele já sabia que teria de dar as notícias ruins para o recém-chegado. Ele respirou fundo antes de falar e fez questão de encarar seu colega de equipe enquanto respondia suas perguntas.
- Bom, vamos começar pelo mais fácil... O Espectro está querendo voltar a ser um membro ativo da equipe.
Ted nem pestanejou para comentar aquela afirmação:
- ...E naturalmente vocês disseram “não, obrigado” e partiram para questões mais importantes, certo?
- Bom, Ted... – comentou Joel – É verdade que temos todos os motivos para ter um pé atrás em relação ao Hal...
- “Um pé atrás”?? Jay, já esqueceu das mortes e mutilações que ele provocou naquelas pessoas em Gotham? E como os membros da Liga quase foram trucidados por ele?
- Foi a vinda de surpresa dele à mansão que nos salvou, Ted. – Sand interrompeu a demonstração de ultraje de seu amigo – Gostaria que fosse diferente, mas se o Espectro não aparecesse teríamos tido uma quantidade muito maior de baixas.
- Baixas...? Alex me falou que Michael, Hector e Dinah foram levados ao Belmont. Como eles estão? E quem nos atacou afinal? E porque Adão está no quarto de contenção?
- Quem nos atacou foi uma nova formação da Sociedade da Injustiça. E Adão fazia parte da equipe.
Ted não pode deixar de sorrir após um segundo de surpresa.
– Parece que nunca vamos nos livrar de certos clichês... – disse o velho boxeador – E quem foi que reuniu esses perdedores dessa vez? Vandal Savage ou algum lutador novo no ranking?
Mais alguns instantes de silêncio.
- Foi o Ultra-humanóide.
- Quê?! Você só pode estar brincando! O ULTRA-HUMANÓIDE ESTÁ MORTO!!! Eu estava lá quando aconteceu. Vi quando o gorila albino, que aquele cérebro asqueroso estava usando, se despedaçou em dezenas de pedaços ensangüentados nos despenhadeiros do Aconcágua!!
- Todos conhecemos essa história e ficamos tão surpresos quanto você quando descobrimos. O fato é que a esta altura já devíamos estar acostumados com esse “eterno retorno”... – Sand fez uma curta pausa antes de continuar – Agora vamos para o mais difícil... É melhor você se sentar, Pantera. Você provavelmente está achando que Pieter deve ter ido ao hospital monitorando o estado de nossos amigos, mas não foi isso que aconteceu...
INTERLÚDIO
Desde o fatídico dia 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas caíram, que as redações dos jornais não ficavam tão agitadas àquela hora da manhã. Normalmente só encontramos nelas meia dúzia de repórteres de plantão antes do meio-dia. Quando toda a ilha de Manhattan ficou às escuras e um poderoso feixe de luz capaz de iluminar a mais negra das noites surgiu na zona sul da cidade rasgando o céu, não demorou muito para a maioria deles abandonar o que fazia e chegar às redações – nenhum deles queria ficar de fora de uma grande história.
Não foi difícil para vários deles somar dois mais dois quando souberam onde exatamente surgira o feixe de luz. Aos poucos os repórteres foram aparecendo no quintal da Mansão Dodds em busca de informações e a devastação que encontraram, além da presença de ambulâncias e paramédicos, só confirmou a suspeita deles: a Sociedade da Justiça enfrentara algum inimigo bem poderoso na sua sede e tiveram sérias baixas. Cada repórter que tentava entrar na Mansão Dodds recebia a mesma informação: o relações públicas da equipe daria mais tarde uma entrevista coletiva no auditório do Belmont Hospital. Os jornalistas nada podiam fazer a não ser ir ao hospital e esperar a coletiva começar, já que nenhum dos funcionários do Museu aceitou dar qualquer informação a nenhum deles.
Um dos repórteres, porém, acabou tendo informação privilegiada.
Aproveitando a confusão, a falta de energia da cidade e o curto circuito em todo sistema elétrico da Mansão Dodds, um vulto saltou pelos telhados dos prédios próximos e conseguiu entrar na sede da SJA pelo teto sem ser visto. Com sua agilidade quase sobre-humana, passou por diversos cômodos e ouviu conversas sem que dessem pela sua presença – assim teve uma boa noção do que aconteceu.
Ele não ficou mais do que 20 minutos dentro da Mansão. Logo o invasor estava em um beco próximo e apertou com um polegar direito um dispositivo oculto sob a pele no pulso da mão esquerda. Uma nuvem de fumaça surgiu e a cabeleira verde, o olhar insano e o uniforme de cores berrantes do Rastejante deram lugar a um dos jornalistas mais desprezados pelos seus colegas de profissão na cidade. Logo Jack Ryder estaria ao vivo no ar, e daria em primeira mão quem eram os responsáveis pelo ataque a SJA em sua própria sede.
Museu e Memorial da SJA Ante-sala da Sala de Reuniões
O Espectro estava de costas quando a porta da Sala de Reuniões se abriu. Ele se virou no momento exato que o último membro presente da SJA saiu de lá de dentro.
- Não demorou muito para chegarem a uma conclusão.
- Sim – o Pantera queria que aquilo terminasse logo – Foi uma votação simples. “Quem for a favor levanta o braço” e coisa e tal.
- Bom, Hal... – Joel tomou a palavra antes que Ted falasse mais do que devia - ...se você não estivesse aqui o final de nosso combate seria bem mais trágico. Você estava na formação original da Sociedade da Justiça e fez a diferença em diversos outros momentos da equipe.
- Não era ele. – Intrometeu-se o Pantera – Aquele era Jim Corrigan. Eu conhecia o velho Jim. Ele nunca faria o que esse aí fez em Gotham!!
- Ted, a culpa não foi de Hal. E combinamos que o Joel falaria por nós.
Pantera suspirou fundo e trincou os dentes, mas não falou mais. Jay prosseguiu:
- Acabamos de ser atingidos por um golpe que veio de dentro de nossas fileiras. Um ex-vilão que se dizia regenerado e um velho inimigo que durante meses ocupou o lugar de um dos nossos membros mais novos, foram os responsáveis.
- E acho que é erro suficiente para essa geração... – falou Kendra para quem quisesse ouvir, sendo repreendida por um olhar de poucos amigos de Sand.
- Conversamos com o pessoal da Liga e sabemos que os problemas em Gotham ocorreram porque o Espectro sobrepujou você. Sem uma âncora humana ele perde os parâmetros de julgamento e até quem joga lixo na rua passa a merecer o sofrimento eterno. Mas, entenda Hal... Depois do que acabou de acontecer conosco não estamos em condições de aceitar como membros na SJA quem não podemos confiar plenamente. Na realidade estamos pensando até em fazer uma avaliação detalhada de todos que já fazem parte da equipe. Não podemos ser pegos de calças curtas de novo. Da próxima vez você pode não estar por perto para ajudar.
- Bom... – Falou Hal depois de alguns segundos de silêncio – Como havia dito ao Pantera, não estou surpreso. Cheguei mesmo num momento delicado. Vocês estão com tantos problemas quanto eu e precisam resolvê-los antes que outros sofram e a equipe caia em descrédito. PRECISAMOS DA SOCIEDADE DA JUSTIÇA PARA OS CONFLITOS QUE VIRÃO. VOLTAREMOS A NOS VER.
Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, o Espectro ergue sua capa e desaparece no ar envolto em fumaça e luminescência verde.
- Diabos... – O Pantera sai de sua mudez forçada – Pode não ser o Jim, mas este também adora soltar previsões e saídas dramáticas como ele.
- Foi o Espectro falando, Ted. – comentou Joel – Não sua âncora humana.
- Mas que diabos ele quis dizer afinal? – Questionou Esmága-Átomo.
- Parte da mensagem é óbvia – respondeu Sand – O Ultra-humanóide está por aí usando o corpo de um super-herói, membro da Sociedade da Justiça. Precisamos avisar a toda nossa rede de colegas o que aconteceu para se prevenirem caso o Dr. Meia-Noite tente contatá-los. E temos de capturá-lo o mais rápido possível antes que todos saibam o que houve.
- Não vamos contar a imprensa que o Ultra-Humanóide está usando o corpo do Dr. Meia-Noite? – Indignou-se Esmaga-Átomo – Tem idéia do que ele pode já estar fazendo nesse exato momento usando o nome de Pieter?
- Tenho – Sand encarou Al – E você tem idéia do que pode representar para o nome da Sociedade da Justiça se chegar aos jornais que um de seus membros está sendo usado para o mal? Seu padrinho [6] nunca lhe falou sobre o clima de tensão e desconfiança que o Ultra-Humanóide instalou em todos os aliados na época da Guerra? Qualquer um, mesmo um amigo de longos anos que você conhecia como a palma de sua mão, podia não ser quem você imaginava e te esfaquear pelas costas quando você não estivesse olhando. Trazer esse clima de volta pode fazer com que todos tenham um pé atrás com qualquer membro de nossa equipe. Exatamente como nós acabamos de fazer com o Espectro. Ponham-se no lugar dele.
Todos se calaram e se entreolharam sem saber o que dizer.
- O Espectro também profetizou que a equipe será necessária para os problemas que virão. Isso só confirma que a Sociedade da Justiça não pode acabar. Se pudermos prender o Ultra-Humanóide sem que toda essa podridão venha a tona, assim faremos. Agora precisamos conversar com o Alex para ele saber o que vai falar com a imprensa daqui a pouco.
Os heróis caminharam em direção ao 1º andar com aquelas palavras em sua cabeça. Alguns deles já haviam percebido que as coisas não seriam mais as mesmas dali para à frente. Mas só com o passar dos dias a ficha iria cair para a maioria deles.
Os problemas estavam só começando.
FIM
A Seguir: Com boa parte da equipe fora de combate, a SJA começa a receber visitas de amigos... e de gente que quer tirar satisfações! Nossa história continua no Confronto do Século em Arqueiro Verde #15 (já lançada aqui na Quadrim), depois retornem para a próxima edição onde outra visita pode terminar com o fim de amizades muito antigas!
Notas do Autor:
[1] Tudo isso você pode acompanhar em detalhes aqui na Quadrim no primeiro arco do título do Flash: “Liga da Velocidade”.
[2] Para aqueles que ainda não viram essa história – “Crepúsculo Esmeralda” –, ela foi publicada na revista DC Especial da Abril Jovem de novembro de 1995.
[3] A Morte de Hal Jordan foi mostrada no arco “Noite Final”, publicado entre as edições 02 e 08 da revista Melhores do Mundo da Abril Jovem.
[4] Se você ainda não conhece, corra e vá ler agora a mini-série “Setembro Negro” aqui na Quadrim!
[5] Se você ainda não sabe, procure o arco “Guerra Infernal” nos episódios da Liga da Justiça 02 a 05 aqui na Quadrim.
[6] O padrinho do Esmaga-Átomo era All Pratt, o Átomo, herói falecido que pertenceu a Sociedade da Justiça nos anos 40 e 50.
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