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Oliver volta para Nova Iorque por causa do amor da sua vida. Dinah Lance foi hospitalizada depois dos eventos mostrados em SJA e Ollie decide que é hora de dar a sua última cartada. O problema é que ele terá de passar por alguns obstáculos para ver a sua amada. Não perca, Arqueiro Verde X Pantera!!!!
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História escrita por Waltão e Márcio Sampayo
Aeroporto de Chicago:
O Aeroporto Internacional O´Hare, em Chicago, é um dos que mais recebe e faz conexões nos Estados Unidos. Por muitos anos, foi o de maior movimento na América, antes que o Aeroporto de Atlanta assumisse o manto.
Mais de 70 milhões de pessoas viajam anualmente através do Aeroporto O´Hare. Algumas ficam apenas alguns minutos dentro do aeroporto, embarcando rapidamente para seus destinos, enquanto outras chegam até mesmo a passar a noite no aeroporto, aguardando suas conexões.
Oliver Queen encaixa-se no primeiro grupo. Depois de passar algum tempo com seu amigo, o detetive John Jones, ele decidiu que já era hora de viajar novamente. Não conseguia ficar muito tempo em nenhum lugar, talvez por medo de criar raízes, talvez simplesmente por tédio. Sem destino certo para viajar, acabou escolhendo Metrópolis, lar do Homem de Aço.
Ollie não teve dificuldades para comprar a passagem, encontrou os guichês da Lex Air praticamente vazios. Enquanto pagava pela passagem, não conseguiu deixar de sorrir diante da ironia que era viajar em uma companhia cujo dono era o atual Presidente dos Estados Unidos. Como um crápula como Lex Luthor conseguia enganar tanta gente continuava a ser uma grande incógnita para Oliver Queen.
Como ainda tinha que esperar pelo menos uma hora para poder embarcar, Ollie decidiu esperar fazendo algo útil. Subiu até o segundo andar e entrou em um restaurante, com vista para a pista. Escolheu uma mesa ao lado da imensa janela e pediu uma cerveja, enquanto assistia aos pousos e decolagens. A televisão transmitia mais um desses seriados sobre a juventude dos heróis, que infestavam a TV. Sem dados concretos de pesquisa, e como normalmente os heróis não licenciavam o próprio nome e imagem, as redes de televisão podiam praticamente criar qualquer tipo de filme ou seriado a respeito de suas vidas, com suposições a respeito de origem e identidades secretas, sem sofrer processos. Na tela, um jovem alienígena do planeta X era escolhido para ser o salvador da Terra e, antes de partir, seus pais lhe davam o nome de Homem Aranha.
Simplesmente ridículo.
Ollie ignorou o programa, preferindo deixar que sua atenção ficasse no copo de cerveja gelado diante de si e no lento movimento dos aviões na pista. Sem perceber, o seriado enfadonho terminou e deu lugar a um noticiário. Normalmente, Oliver também não dá muita bola para esses programas, prefere ler as notícias em jornais impressos, mas a chamada do repórter definitivamente chama sua atenção:
“Boa noite, aqui é Jack Ryder ao vivo diretamente do Belmont Hospital, em Nova Iorque. Como anunciamos com exclusividade hoje, os membros da super-equipe conhecida como Sociedade da Justiça da América, sofreram um violento ataque do grupo terrorista SOCIEDADE DA INJUSTIÇA. As informações ainda não foram divulgadas para a imprensa, mas segundo fontes internas, é seguro afirmar que estão internados neste momento o Sr. Incrível, Canário negro e também...”
Ao ouvir o nome de Dinah, a Canário Negro, Oliver imediatamente levanta, tira uma nota de vinte do bolso do paletó e deixa sobre a mesa, saindo do restaurante de forma apressada. Ele desce as escadas, pulando de dois em dois degraus e praticamente atravessa o saguão correndo, até os guichês da Lex Air. Quando chega ao balcão, ele ignora os outros passageiros da fila e fala:
- Por favor, senhorita, é uma emergência. Eu preciso trocar o destino do meu vôo.
- Pois não, senhor, e qual seria a nova localidade?
- Nova Iorque, no primeiro avião disponível!
ARQUEIRO VERDE Um caçador urbano no meio da selva de pedra Oliver Queen – Arqueiro Verde Exímio Arqueiro Arqueiro Verde criado por Mort Weisinger e George Papp Astros Convidados Dinah Laurel Lance – Canário Negro Vigilante e Membro da SJA Canário Negro criada por Paul Levitz, Joe Staton e Bob Layton Roy Harper – Arsenal Ex-parceiro mirim do Arqueiro Verde Todos os conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto são dos autores da Quadrim.
Star City:
Mia Dearden tinha apenas nove anos quando seu pai morreu, em um acidente de carro. Engenheiro industrial, Robert Dearden estava em uma cidade vizinha, trabalhando em uma indústria química, supervisionando a instalação de uma máquina. Mia faria parte de uma peça da escola, e estava muito triste porque seu pai não estaria na platéia. Era ainda muito pequena para entender as obrigações e responsabilidades de um adulto e, quando falou com o pai naquela manha, ela chorou porque queria que ele estivesse na platéia. E, apesar da pesada chuva que caia naquele dia, Robert decidiu encarar a viagem de duas horas para assistir a apresentação da filha.
Porém, o destino tinha outros planos. Um motorista bêbado dormiu ao volante, atravessou a pista e acertou o Toyota de Robert de frente, matando-o instantaneamente.
Mia sempre culpou-se pela morte do pai. Se não tivesse chorado no telefone, ele não teria pegado à estrada, e não teria morrido.
Sua mãe casou-se, pouco tempo depois, com um amigo do colégio, Frederick Garner, filho de uma família rica. Mia não tinha como saber, na época, mas sua mãe já saía com esse amigo há algum tempo, mesmo antes de seu pai morrer. No início, não foi tão ruim. Apesar da recusa absoluta de Mia de aceitar Fred como substituto para seu pai, ele fez o possível para que tivessem uma boa vida em família. Agradava Mia, trazia presentes para ela e sua mãe e, na medida do possível, mostrava-se compreensivo e encantador.
Mas o tempo passou, e o corpo de Mia começou a se desenvolver, chamando a atenção de Frederick. Quando ela tinha quatorze anos, sua mãe saiu para trabalhar, deixando-a sozinha. Fred chegou em casa bêbado, algo que começava a tornar-se comum, subiu ao quarto e agarrou-a, estuprando-a pela primeira vez.
Quando a mãe chegou e ela contou o que tinha acontecido, o padastro a confrontou, dizendo que chegara em casa e a encontrara transando com um garoto da vizinhança. A mãe acreditou em Fred, deu-lhe uma surra e deixou-a de castigo.
No meio daquela mesma noite, ela recebeu a visita do padastro, mais uma vez. Ele deitou-se sobre ela, imobilizando-a com o peso de seu corpo e, sussurrando em seu ouvido, jurou que “se ela contasse aquilo mais uma vez para alguém, ele mataria ela e a mãe”. E então estuprou-a novamente.
Depois da ameaça, os ataques tornaram-se praticamente diários. Sua mãe chegou a testemunhar um dos estupros, mas levou uma surra de Fred e preferiu não denunciá-lo. Disse a Mia que se ele fosse preso seria uma humilhação pública, que as duas teriam dificuldades para viver sem o dinheiro de Fred, que ela estudava nos melhores colégios e que não podia se queixar.
E Mia nunca mais se queixou, mesmo quando ouvia a mãe sendo surrada no quarto. Mesmo quando era estuprada mais de uma vez por noite. Mesmo quando engravidou e seu padastro obrigou-a a fazer um aborto, para que a estória não se tornasse pública.
Mia simplesmente nunca mais se queixou.
Nova Iorque:
Três dias atrás, a Fox News noticiou o desaparecimento do pequeno William Gold, de apenas cinco anos, sequestrado na porta da escola, no Queens. As imagens da mãe desesperada fizeram com que Roy Harper se interessasse pelo caso. Durante os três dias seguintes, Harper dedicou-se com exclusividade ao sequestro de William. Conversou com os pais, com professores, com crianças que estavam junto a ele na hora do sequestro e até com policiais. Conseguiu algumas pistas mas, diferente da Polícia, ele não precisava prender-se a procedimentos, mandatos e leis. Começou a investigar no submundo, pressionando informantes, interrogando traficantes e deixando claro que viraria a cidade de ponta cabeça, se fosse necessário para encontrar o garoto.
Hoje, finalmente ele descobriu o paradeiro do garoto. Diferente do que ele imaginava, o sequestrador não passava de um viciado “pé-de-chinelo”, que esperava ganhar algum dinheiro para sustentar seu vício.
Foi mais do que Roy Harper poderia suportar.
Ele invadiu a casa do viciado, derrubando a porta com um chute. O criminoso nem teve tempo de alcançar a arma, pois foi atingido por uma flecha no ombro. Em seguida, Roy pegou o criminoso, arrancou a flecha com violência e jogou-o contra a parede. Ele negou o crime, mesmo quando Roy começou a espancá-lo. Só contou a verdade depois que Harper pisou repetidas vezes no ferimento em seu ombro.
Harper arrombou a porta do quarto superior, e encontrou o garoto acorrentado a uma cama, em cima de um colchão fino e sujo. Assim que o viu, ele gritou, mas Harper o abraçou e sussurrou diversas vezes que “tudo ficaria bem”, até que ele se acalmasse.
Foi surpreendido quando descia as escadas. Apesar do ferimento, o viciado pegara a arma e disparara a esmo, errando a cabeça de Harper por alguns milímetros. Ele colocou o garoto delicadamente em cima do sofá, e então dedicou-se ao criminoso. Espancou-o impiedosamente e, quando o garoto começou a chorar, voltou a si, percebendo que segurava o corpo inerte do viciado, com o rosto completamente desfigurado pelos golpes, sangrando profusamente.
Ele checa o pulso do viciado que, apesar de fraco, ainda está vivo. Harper perdeu o controle, e isso o assusta. Ele sai da casa, e vai direto para o Queens, onde devolve o garoto para seus pais. Ele não ouve os agradecimentos histéricos e sinceros do casal. Antes que possam perceber, ele já foi embora.
Mais tarde, já em seu apartamento, ele assiste ao noticiário, que informa que o garoto foi encontrado e que o sequestrador estava em coma, devido à violenta surra que recebera.
As imagens de sua filha sendo maltratada voltam a assombrá-lo (1) e, quando ele percebe, suas mãos estão tremendo. Roy vai até o banheiro, pega três comprimidos e os engole, de uma única vez. Em seguida, vai até o bar e pega uma garrafa de Whisky. Essa noite ele precisa da companhia de seu velho amigo Jack Daniel´s.
Star City:
A Dogde Dakota vermelha chega cantando pneus, e Mia Dearden já sabe o que vai acontecer. Fred vai chegar completamente bêbado, bater na sua mãe e, em seguida, entrar no quarto para, mais uma vez, violentá-la.
Mas hoje será diferente. Mia está cansada de ser espancada e estuprada pelo seu padastro, com a conivência da mãe. Ela ignora os gritos e os sons de luta do quarto ao lado, e espera, pacientemente. Dessa vez, Mia já tem tudo preparado. Ela observa, por baixo das cobertas, quando Fred entra, com uma lata de cerveja na mão. Ele afrouxa o cinto e aproxima-se da cama. Ela continua deitada, imóvel.
Ele afasta as cobertas, com um puxão, e abre as pernas dela, com força. Em seguida, deita-se em cima dela, lambendo seu pescoço, deixando-a mais e mais enojada. Ela estica o braço, pega o abajur de sua mesa de cabeceira e o acerta com toda a força na cabeça de Fred, que cai desacordado.
Ela tem que se esforçar para fazer com que o canalha role e saia de cima dela. Quando finalmente consegue, ela pega a mochila que já tinha arrumado, desce as escadas, tira todo o dinheiro que Fred tinha na carteira e sai, para nunca mais voltar.
Em direção à sua liberdade.
Nova Iorque:
Assim que saiu do Aeroporto JFK, Oliver Queen pegou um táxi e foi imediatamente para o Hospital Belmont. A segurança na frente do hospital estava reforçada, e Oliver teve que mostrar sua credencial de membro da Liga da Justiça diversas vezes, até finalmente ter sua entrada autorizada.
Na recepção, a mesma coisa. Começava a ficar profundamente irritado com as normas de segurança, apesar de entender que esse era um procedimento padrão para assegurar que os heróis internados não sofreriam assédio da imprensa, de fãs ou, pior ainda, de vilões querendo terminar o que começaram.
Oliver demorou mais de meia hora para ter sua identidade confirmada pelos policiais que faziam à guarda do saguão, descobrir o número do quarto de Dinah e, finalmente, tomar o elevador até o quarto andar.
Assim que saiu do elevador, ele avistou Ted Grant, o Pantera e Sanderson Hawkins, o Sand, em frente ao quarto da Canário Negro. Os dois estavam ansiosos e preocupados, esperando que ela acordasse, para saber seu estado de saúde e também para conseguir maiores detalhes sobre o combate com o Ultra-Humanóide (2).
Oliver andou até eles e, quando chegou, cumprimentou os dois:
- Ted, Sand.
- Oliver.
Sand é o único a responder, enquanto o Pantera prefere dar apenas um aceno de cabeça. Nunca foi muito com a cara de Oliver Queen, que fala:
- Como ela está?
- Fisicamente, ela está bem. Foi uma das que menos sofreu, apenas algumas queimaduras ,o nariz quebrado, e os pulsos machucados por causa das cordas que a estavam prendendo, nada demais... O problema é o seu estado emocional.
- Como assim?
- Como você se sentiria se o Ultra-Humanóide matasse a Dinah e começasse a se passar por ela para atacar você e a sua família?
- Peraí, quer dizer que o Humanóide continua vivo, coisa que não me surpreende, e que ele matou o...
- Isso mesmo, Ollie. Ele matou o Dr. Meia-Noite e se passou por ele para nos atacar.
Oliver leva as duas mãos à cabeça, chocado com o que acaba de ouvir. Vira-se subitamente e diz:
- Meu Deus! Eu preciso conversar com ela!
Ele dá as costas para os dois companheiros e prepara-se para entrar no quarto, mas é impedido pela mão do Pantera em seu ombro. Grant, que mantivera-se em silêncio até então, fala:
- Espera aí, Oliver. Eu queria falar uma coisa.
- Então fala, Grant, eu estou com pressa...
- Nós dois sabemos muito bem como é o seu relacionamento com a Dinah. Não quero que você a machuque mais, ela é como uma filha para mim.
- Escuta aqui Ted, só porque você trepava com a mãe dela de vez em quando, não tem o direito de ...
SOC!
Oliver não consegue terminar a frase, pois leva um violento soco no queixo, que o derruba. Ted pula em cima dele, gritando:
- Você não devia ter falado isso, seu filho duma...
Os dois começam a rolar pelo chão do hospital, trocando socos e chamando a atenção das enfermeiras. Sand tenta, inutilmente, apartar a briga:
- Ei, ei, ei, vamos parar com isso, estamos no meio de um hospital, ou será que ainda não perceberam isso?
- Não se mete pivete, que isso é assunto de gente grande!
Oliver, depois de gritar com Sand, se aproveita do peso do Pantera, empurrando-o com as duas pernas pra cima do companheiro de equipe, que se torna areia e deixa que o amigo passe por ele. Sand se ajoelha, abaixa a cabeça e diz:
- Coroa desgraçado, aqui não é lugar para brigar.
Ele coloca as duas mãos no chão e fecha os olhos, concentrando-se. Ele conecta o seu corpo com o ambiente e começa a sentir todas as moléculas presentes nas estruturas do prédio. Ele sente as moléculas de silício ao seu redor e começa a realinhá-las, abrindo uma “porta” para fora do prédio em pleno quarto andar. Então ele se levanta, e diz:
– Pantera, agora é com você!
Ted Grant já enfrentou inúmeras batalhas ao lado de Sand, e sabe exatamente o que deve fazer. Sem demonstrar e menor hesitação, ele corre na direção de Oliver, agarra-o e pula pelo buraco feito pelo seu parceiro, lançando os dois no vazio.
Sand sabe que o seu amigo possui sete vidas, exatamente como um gato, mas também sabe que não vale a pena desperdiçar uma delas pulando de quatro andares por causa de uma briga de “egos com outro vigilante”. Novamente ele se concentra, expandindo sua consciência para o terreno fora das estruturas do prédio. Sanderson sente cada grão de areia, como se eles fizessem parte do seu próprio corpo.
Ao mesmo tempo que Oliver e Ted vão caindo, do chão surgem duas enormes mãos de areia, que os agarram em pleno ar, levando-os até o chão.
Enquanto isso, dentro do hospital, Dinah Lance acorda com todo o barulho, e decide verificar que tipo de confusão esta acontecendo em pleno hospital. Ela aproxima-se da janela, e quase não acredita no que vê: Oliver Queen e Ted Grant trocando socos em pleno hospital, enquanto Sand tenta separá-los, de qualquer maneira.
Imediatamente, ela vira-se e sai correndo do seu quarto, ainda vestida com a “camisola” do hospital, que é aberta nas costas, proporcionando uma bela visão para os assustados médicos que observam enquanto ela desce os quatro andares pulando de três em três degraus, indo diretamente para o jardim, onde Oliver e Grant rolam, para delírio da platéia de repórteres, que se esforçam ao máximo para aproximar as objetivas de suas câmeras. Ela grita, a plenos pulmões, para que eles parem com a briga, mas eles não ouvem os apelos de Dinah. Ted Grant aplicou uma gravata em Oliver, que rola de um lado para outro, tentando livrar-se do “abraço” que começa ameaçar tirar seu oxigênio. Dinah se desespera, sem saber o que fazer e a única coisa que vem a sua mente é a vontade de gritar, vontade que não sente há muito tempo. Sua garganta começa a doer, ela sente o pescoço esquentar, como uma sensação gostosa e há muito esquecida. Ela se sente bem, então abre a boca, lentamente, e deixa que um grito começe a formar-se:
-AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Os vidros do prédio atrás dela estouram com a freqüência do som, assim como as lentes dos fotógrafos que conseguiram chegar perto o suficiente. Oliver e Ted caem no chão com as mãos nos ouvidos, enquanto Sand se desmancha no chão. Então, ela simplesmente coloca as duas mãos na cintura e fala, com um olhar reprovador:
- Ok rapazes, agora vocês podem me ouvir?
Oliver está desconcertado, não só pelo alívio de ver que Dinah está bem, mas ao perceber que ela recuperou seu poder. Ele se levanta, batendo a areia da roupa, e diz:
- Dinah, você está bem? Como você recuperou o seu grito sônico?
Ela se esforça para parecer irritada, mas não consegue muito, pois está ainda mais desconcertada do que ele com a recuperação de seu grito. Ela faz o possível para disfarçar a surpresa em sua voz, e diz:
- Sim Ollie, eu estou bem! E não te interessa como eu recuperei o meu poder. Eu só quero saber porque dois homens adultos estão se socando como adolescentes no meio de um hospital!
- Desculpa minha flor, eu não tinha a intenção de arranjar confusão, ainda mais por causa de você, mas ele começou e acabou me tirando do sério.
Ted Grant fala e, em seguida, dá um “tapão” no topo da cabeça de Oliver, que imediatamente se vira e diz:
- EPA! Não vem que não tem, foi o SENHOR quem começou, Pantera.
- Mas você é bem abusado, vou te ensinar uma lição, seu ...
Grant fecha os punhos e pula para cima do Arqueiro, mas Sand se interpõe entre eles, impedindo que continuem a se estapear. Dinah volta a levantar sua voz:
- EU MANDEI PARAR, OS DOIS, CHEGA!!!!!!!!!
Grant e Oliver abaixam a cabeça, como dois garotos de oito anos que acabaram de levar uma bronca. Os dois praticamente murmuram ao mesmo tempo:
- Desculpe.
- Desculpe.
Dinah percebe que, apesar de tudo, os repórters também se recuperaram, e um curioso Jack Ryder começa a se aproximar, com um gravador. Ela segura a porta do hospital e fala:
- Antes de qualquer coisa, vamos entrar todos, não estou a fim de dar nenhum show para a televisão. Vamos.
Os três entram no prédio e Jack Ryder acaba levando uma “porta na cara”, mas pelo menos é recompensando com um rápido vislumbre do maravilhoso derrié de Dinah Lance.
Os heróis sobem até o quarto, fazendo o possível para ignorar os demais pacientes, que os observam como se fossem alienígenas, e entram no quarto onde Dinah estava internada, onde tentam ter uma conversa “civilizada”.
- O que você veio fazer aqui, Ollie? Eu já não disse que precisava de tempo para pensar?
- Eu sei o que você disse, passarinho, mas eu vi na TV que você estava hospitalizada, e não quis nem saber, troquei de passagem e vim atrás de você.
- Ollie, isso é muito lindo, não pense que eu não gostei de você ter vindo até aqui, mas isso não vai mudar em nada, você já não faz mais parte da minha vida! Para de me perseguir, pois isso só vai nos machucar ainda mais. O que havia entre nós acabou, entende?
Oliver se irrita e dá um soco na mesinha ao seu lado, fazendo uma garrafa de água voar. Ted pensa em intervir, mas é seguro por Sand, que simplesmente balança o rosto de um lado para outro, deixando claro que eles não devem se envolver. Olliver grita:
- PORRA DINAH, PARE DE MENTIR! Por que você está fazendo isso? Eu amo você, e eu SEI que você ainda gosta de mim, então porque tanta frescura?
- O mundo não gira ao seu redor, Oliver. Você não pode aparecer aqui de repente, achando que é um cavaleiro montado em um cavalo branco, que vai resgatar a princesa da torre.
Dinah tenta parecer firme e decidida, mas não consegue. Ela se vira, inutilmente tentando esconder suas lágrimas, e Ted e Sand viram-se para a parede ao perceber que a camisola do hospital revela mais do que deveria. Oliver coloca a mão no ombro de Dinah lentamente, e diz:
- Você não tem culpa do que aconteceu, Dinah. Poderia ter acontecido com qualquer um.
Dinah se vira, não mais tentando segurar as lágrimas, que rolam livremente pelo rosto. Ela grita:
- Não tenho culpa, Oliver?!?!?!?! Tem certeza? O Humanóide tomou o corpo do Meia-Noite para me afetar diretamente, tá na cara que ele sabia que já tivemos um caso. Se isso nunca tivesse acontecido, ele ainda estaria vivo. Será que você não percebe que é por isso que não podemos estar juntos? Eu não quero que usem VOCÊ pra me atingir. Não quero que você tenha o mesmo destino que ele.
Oliver abraça Dinah, que esconde o rosto em seu ombro, e diz:
- Meu amor, acredite em mim, o Humanóide pegou o primeiro que ele viu pela frente, ele jamais soube que vocês estavam saindo. Ele só pegou o Meia Noite por ser um membro “novo” da SJA e por ser mais fácil de enganar a equipe na pele de um novato do que de alguém como o Sentinela, por exemplo.
- Você não sabe o que está dizendo, Ollie!
Ted Grant decide intervir. Pode não simpatizar com Oliver, mas não pode negar que ele tem razão. Ele fala.
- Não Dinah, o Oliver tem razão. Não foi sua culpa. Podia ter acontecido com qualquer um de nós.
- Passarinho, não tem porque se sentir culpada... Não tem nada a ver com você...
Sand percebe que está “sobrando” dentro do quarto e, puxando Grant pela camisa, fala:
- Essa é nossa deixa pra sair daqui, Ted..
- Mas...
- Sem mais nem menos, Ted. Isso é conversa de casal. Vamos embora.
Grant abana a cabeça, concordando com o amigo. Ele sabe que não vai adiantar protestar, Dinah é uma mulher adulta, que ama Oliver Queen, não importa o que os outros digam. Resoluto, ele passa pela porta e, antes de sair, fala para Sand.
- Vamos nessa. Eu preciso de um drinque.
Aproveitando que o quarto ficou vazio, Oliver ternamente separa-se do abraço com Dinah, colocando-a sentada na cama. Ele segura o rosto dela com as duas mãos, e ela diz:
- Eu não quero te perder, Ollie...
- Você não vai me perder, passarinho... Nunca. Eu sempre vou estar ao seu lado, não importa o que aconteça. Esse tempo longe de você foi um dos piores da minha vida... Eu percebi que quero passar o resto da minha vida com você, vendo nossos filhos crescendo e...
Dinah o interrompe, colocando o indicador nos lábios dele. Ela diz, com um sorriso triste:
- Para, Ollie... Você sabe que eu não posso ter filhos e...
É a vez de Oliver Queen interromper. Ele tira uma mecha de cabelo louro do rosto de Dinah, prendendo-o atrás da orelha dela, com delicadeza, e diz:
- Você não pode gerar um filho, Dinah... Mas isso não significa que não podemos quantos quisermos. É só adotar... Existem milhares de crianças por aí que precisam de pais, e você sabe que pai não é quem gera, e sim quem cria, quem ensina, quem acompanha... Quem melhor do que você pra fazer isso?
Dinah não responde. Ela começa a rir, emocionada, e as lágrimas voltam a rolar. Oliver se afasta um pouco, enquanto remexe os bolsos. De alguma forma, Dinah parece prever o que está para acontecer, mas mesmo assim não acredita que possa estar mesmo acontecendo. Ela se pergunta se não estará sedada e tudo aquilo é fruto da sua imaginação, mas no fundo ela sente que não, que tudo esta mesmo acontecendo. Então, Oliver se abaixa, apoiando-se em um dos joelhos e, com um sorriso luminoso, estende uma pequena caixa preta, enquanto diz:
- Passarinho, decidi que quero passar o resto da minha vida com você. Chega de mal entendidos, chega de afastamentos... Eu te amo, sempre te amei e preciso muito te perguntar uma coisa: Por acaso, você quer se casar comigo?
Dinah começa a rir, nervosa, em meio às lágrimas. Ela abre a caixinha, onde vê um belo anel de ouro, com uma pedra de diamante considerável em cima. Ollie se levanta e, com delicadeza, coloca o anel no dedo indicador esquerdo de sua amada. Ela o abraça, emocionada e, depois de algum tempo, ele diz:
- E então?
- Então o que?
- Como assim, “o que”? Você quer se casar comigo ou não, porque se não quiser eu...
Dinah o interrompe, mas desta vez com um beijo. Em seguida, ela o abraça e diz:
- É claro que eu me caso com você, seu bobo...
Dia seguinte, Mansão Dodds, sede da SJA.
Sand acorda e, como faz todos os dias, cumpre sua rotina diária. Tira os lençóis com cuidado, evitando que a areia que se depositou na cama durante a noite caia no chão e, em seguida, leva o bolo de roupas para a lavanderia. Liga a cafeteira e enquanto o delicioso perfume de café fresco invade o ambiente, ele vai até a frente da casa, para apanhar o jornal.
Cumprimenta um vizinho, enquanto amaldiçoa mais uma vez o entregador do jornal, que novamente jogou o jornal muito longe da porta. Enquanto caminha de volta para a porta, Sand decide dar uma olhada nas manchetes. Ele para, subitamente, com os olhos arregalados, e murmura:
- Cara, a Dinah vai matar esse repórter... Na primeira página, uma matéria assinada por Jack Ryder mostra uma fotografia da porta do hospital, onde Dinah aparece de costas, com a camisola do hospital deixando a mostra toda a parte de trás do seu corpo...
(1) Para saber mais, acompanhe as aventuras dos Novos Titãs. (2) Para saber mais, acompanhe as aventuras da SJA.
História escrita por Waltão e Márcio Sampayo
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