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Estaria o maior detetive do mundo perdendo a forma, justamente quando um ciborgue terrorista resolve atacar a cidade?
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Capítulo VIII BOMBER
por Raul Kuk
"Máquinas são o produto das mentes do Homem.? - William Cobbet, 1816
- Terry! - O quê...? - Dormindo na aula de novo!? Quero ter uma conversa muito séria com você, rapaz! - Saco... - O que você disse!? - Eu disse ?sim, srta. Melges.?
?Pronto. Lá se vai meu sossego.?
- Terry, você tem sido um aluno até esforçado, mas eu peguei você dormindo na aula várias vezes essa semana. O que está acontecendo? - Ah, srta. Melges, eu trabalho à noite e... - Tem certeza de que esse emprego é o melhor para você? Logo agora que estou vendo você tão responsável, parece que você vai acabar desistindo das aulas. Exatamente, no quê você está trabalhando? - Eu sou assistente do senhor Wayne. Da Wayne Enterprises, sabe? - Sei, claro. O milionário. E isso precisa ser um emprego noturno? Nunca vi um assistente pessoal que trabalhasse à noite. - Ah, o senhor Wayne é velho e mora sozinho, é teimoso feito uma mula. Ninguém controla os horários dele, mas é um emprego com um bom plano de carreira. - Vai para a faculdade, Terry? - Vou sim. Quero fazer Ciências Econômicas. - Entendo. Bom, senhor McGinnis... Vou ficar de olho em você. Sua mudança de comportamento é um exemplo a ser seguido, mas você precisa pedir umas folgas para o senhor Wayne... - Pode deixar, srta. Melges. E obrigado.
Nove horas mais tarde...
- ?Teimoso feito uma mula?? - Qualé, Bruce? Eu não podia contar a verdade, podia!? - Muito engraçado. - Bom, de qualquer forma, isso me deixou com uma dúvida. Como você fazia para combater o crime à noite e cumprir seus compromissos durante o dia? - Cancelava os compromissos do dia. - Muito engraçado. Qual o segredo? - Eu durmo pouco. - Mas eu preciso... - Você não precisa dormir muito, Terry. Precisa apenas dormir bem. Há técnicas de relaxamento e meditação que fazem 40 minutos de sono valerem por 8 horas. - Você dorme quarenta minutos por noite!? - Não. Por semana. - Você não está falando sério, né? Eu preciso aprender isso! - Outra hora. Você tem compromissos agora. Do tipo que não pode cancelar.
Enquanto sobrevoava Gotham em mach-1 no batmóvel, Terry se perguntava que força era aquela que impulsionava Bruce Wayne. Ele se tornara o máximo da perfeição humana, física e mentalmente. Mas e quanto a seu espírito? Como era possível, após tantos anos, ainda ser o Batman, mesmo que sob outro aspecto?
- Terry, há uma movimentação da polícia na cidade velha. Não estou conseguindo rastrear as comunicações, mas é uma operação grande. - Você não tem acesso aos computadores da polícia? - Sim, mas parece que descobriram um meio de me bloquear. Acho que a comissária nos quer fora disso. - O que ela tem contra caras que se vestem de morcego? - Com o tempo, ela vai aceitar.
Tomara. Era bom ter amigos na polícia, principalmente nesse ramo. Como Batman, Terry já tinha salvo as vidas de vários policiais, mas a Comissária Gordon insistia em tentar demove-lo de seu ?emprego noturno?. Na cidade velha, a ação já tinha começado. Várias viaturas cercavam um velho edifício, mas pareciam disparar aleatoriamente. Terry McGinnis, o Batman, deixou o batmóvel a uma distância segura para se aproximar. Os policiais pararam de atirar. Não havia sinal de atividade no prédio.
- Terry, ative o infravermelho. - Falou, patrão.
Batman emudeceu. Alguém muito grande saltara do prédio, antes que os policiais pudessem reagir. O agressor tinha mais de dois metros e um arsenal poderoso o suficiente para matar todos ali.
- Morram, seus desgraçados! Morram! Morram! Morram!
Batman saltou a tempo de impedir que a comissária Gordon fosse atingida por um tiro.
- Não me convida mais para as festas, comissária? Magoei. - Batman! - Estou usando visão infravermelha. O grandalhão aí tem partes metálicas. Quem é ele? - Um contrabandista latveriano chamado Sergei Maratzin, vulgo Bomber. Ele veio a Gotham buscar um carregamento de armas roubadas da polícia, mas nós interceptamos o negociador. - Já vi tudo. Deixa comigo, comissária.
E, antes que a Comissária Bárbara Gordon pudesse intervir, o Homem-Morcego se lançou contra Bomber.
- Cara... Seu arsenal é impressionante... - Ora, ora... O morceguinho de Gotham... - Eu estava pensando se...
Mas Sergei ?Bomber? Maratzin não era de muita conversa. Apontando seus braços-fuzis para o Batman, ele detonou uma seqüência de disparos suficientes para deter um exército. Já o Batman...
- Credo, cara... Nem vai me dizer qual o seu plano para dominar o mundo?
Os batarangues explodiram os fuzis, mas Bomber avançou agarrando o Batman:
- Eu vou esmagar você, morceguinho! - Sai... pra lá...
Terry tentava golpeá-lo, mas Bomber sequer sentia os impactos. Bruce Wayne tentava passar instruções:
- Tente eletrocuta-lo, Terry! - Não dá... a pele... é isolada... - Falando sozinho, morceguinho!? ? gritou o Bomber. ? Vai ter muita gente para você conversar no cemitério! - Eu acho que não ? interrompeu a Comissária Gordon, disparando para o chão, próximo aos pés do Bomber. O antigo asfalto da rua não resistiu aos disparos e cedeu, tragando o ciborgue terrorista até os esgotos. A confusão ajudou Batman a escapar do abraço fatal, enquanto seu adversário afundava no subterrâneo da velha Gotham City.
- Vamos pesca-lo, comissária? - Não, deixe ele lá. Ele agüenta prender o fôlego por mais umas duas horas. - Você manda. A propósito, por que nos deixar de fora dessa?
A comissária deu as costas, visivelmente irritada, enquanto resmungava algo como ?para seu próprio bem?.
- Essa eu não entendi...
Horas depois, na caverna:
- Ela sabia que era perigoso, Terry. Foi o jeito de ela te proteger. - Como se eu precisasse. - Goste ou não, ela te salvou. - Que seja. Mas, Bruce... Como é que o maior detetive do mundo não sabia que um terrorista latveriano estava em Gotham? - Da mesma maneira que não consegui rastrear as transmissões da polícia. A comissária me sabotou. - Mas ela conhece os computadores da caverna? - Ela me ajudou a monta-los. Mas eu acabei ficando dependente demais deles. Talvez seja a hora de tentarmos os métodos convencionais. - Espero não precisar. Os métodos convencionais não funcionariam com o Bomber. - Será mesmo? A comissária não usou alta tecnologia para te salvar. - Ah! Desisto! Me ensina aquele método de meditação, vai... Amanhã eu tenho prova...
Epílogo: Os guindastes puxavam Sergei ?Bomber? Maratzin lentamente para fora dos esgotos. Enquanto segurava o fôlego, o terrorista pensava em como tinha sido descuidado. Mas ele não era um brutamontes sem cérebro. Era uma máquina de matar perfeita. E, muito em breve, teria sua vingança!
A seguir: Seqüestro!
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