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OS NOVOS VINGADORES
CAPÍTULO 4
SOBRE O QUE FALARAM OS VELHOS PROFETAS – Parte 3
Por Fábio Ochôa e Márcio Sampayo
Riverside Park
Nicholas Joseph Fury saiu com seu carro, uma Ferrari 250 Testa Rossa 1957, que valia pelo menos três vezes mais que seu apartamento duplex com vista para o Riverside Park. Comprara o carro por 17,5 milhões de dólares em um leilão de carros antigos no seu último dia à frente da S.H.I.E.L.D., zerando o orçamento para desenvolvimento de armas da agência de espionagem daquele ano, quinze minutos antes de entregar formalmente sua carta de demissão para o presidente Alexander Luthor, quase três anos antes.
Sorriu com a lembrança. Foi convocado para depor no Congresso a respeito da compra alguns meses depois, mas usou alguns podres que tinha contra o líder do Partido Democrata, e o caso foi arquivado.
Assim que saiu da garagem do edifício, duas SUVs pretas o escoltaram, mantendo distância de dois metros da Ferrari vermelha.
O vento frio batia na cabeça agora permanentemente raspada, o carro conversível chamava a atenção por onde passava.
A maior parte das pessoas admirava o carro clássico, ignorando que o motorista era a pessoa mais importante do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
Deu a volta no parque, acendeu um charuto e o GPS do painel começou a piscar, indicando que chegara à posição correta para decolagem.
As vans pararam no meio da avenida movimentada, deixando uma distância de quatro metros na frente e na traseira da Ferrari. Fury apertou algumas teclas no painel de LCD do carro, fazendo com que as quatro rodas girassem sob o próprio eixo, enquanto um campo magnético mantinha o carro na mesma posição.
As quatro rodas ficaram paralelas ao chão, e as rodas começaram a girar, adquirindo uma coloração azul, enquanto as turbinas impulsionavam o carro para cima.
Era um espetáculo que sempre impressionava as pessoas em volta. Fury viu algumas crianças apontando para o carro, enquanto chamavam a atenção de pais e mães que andavam apressados pela calçada.
Fury acendeu um charuto, enquanto o carro ganhava altura, sem pressa. Acenou para algumas pessoas que via nas janelas dos edifícios, a maior parte atarefada demais para perceber um carro voador passando do lado de fora.
Ligou o rádio, uma música dos Rolling Stones encheu as caixas de som do carro. Apesar do vento e do ruído externo, podia ouvir a música perfeitamente.
Trabalhar para Tony Stark tinha suas vantagens, afinal.
Pouco antes de atingir o limite das nuvens, a música foi interrompida por uma mensagem de rádio. Os radares do aero-porta aviões tinham identificado o carro, mas a troca de senhas era padrão para identificação de agentes a partir do nível 2.
Fury forneceu sua identificação, ciente de que seria atingido por um míssil em menos de trinta segundos, se não o fizesse ou se errasse o código.
Era uma determinação expressa dele mesmo, para dificultar o acesso à base dos Novos Vingadores.
Como sempre, assim que atravessou a linha das nuvens, ficou maravilhado com a visão do USS Dwight D. Eisenhower, flutuando majestosamente sobre a cidade, pelo menos quatro vezes maior do que o antigo aero-porta aviões operado pela S.H.I.E.L.D.
Fury tivera muitas residências ao longo de sua vida, e apesar de estar morando no mesmo endereço durante os últimos três anos e de ter construído uma vida em família, era ali, enquanto pousava o avião na pista principal do aero-porta aviões, que ele realmente se sentia em casa.
Abriu a porta do carro e foi recebido por um soldado, que lhe bateu continência. Devolveu o cumprimento, atravessando a pista rapidamente, a caminho de sua sala.
Descobriu o grupo de especialistas religiosos do Exército caminhando pelos corredores, discutindo ruidosamente as implicações do caso na Palestina, ávidos por sua opinião.
Fury vinha na direção contrária, mas se deteve ao ouvir o burburinho de vozes e dobrou no primeiro corredor que encontrou.
Decididamente não queria encarar mais duas horas de debate teológico intenso. O grupo de religiosos tinha lá sua utilidade em crises como esta e na previsão de seu impacto no colo de suas respectivas comunidades, mas gostar deles era pedir demais.
Entrou na primeira sala que viu, dobrou à esquerda, no setor principal de psi. Estava em um laboratório pequeno e branco. Pelo vidro da sala, um homem de 40 anos dormia em um quarto decorado com desenhos infantis.
Estavam no laboratório o Dr. Hammond, responsável pela saúde do habitante do quarto, verificando seus níveis de glicose e, ao seu lado, uma mulher gorda, Esther.
- Então aí está você! – disse ela avançando com o dedo em riste na direção de Fury.
Merda. Ele deveria ter ficado com os religiosos. Coçou o olho bom.
- Ahnn... Olá, senhora Esther. - Fury, seu preguiçoso! – apontou para o homem, dormindo no quarto – Meu Phillip está reclamando dos sonhos. Ele está dizendo que o Presidente Stark vai trazer o fim do mundo, e que o Armagedoom já começou! O que o senhor está fazendo para impedir isto? Meu Philip tem que dormir em paz! - Senhora... Esther... Eu te garanto que a gente tá tomando providências quanto a isto. Não se preocupe. - É bom mesmo! Você vai se ver comigo se meu Philip não dormir em paz. - Não se preocupe, senhora Esther, nesse exato momento a gente tá trabalhando para resolver isto. - Você me dá sua palavra? - Ahnn... Claro. - Mentiroso.
Ela saiu da sala. Graças a Deus. Ele esticou o dedo médio para a porta fechada e falou:
- Tenha um bom dia, senhora Esther.
Fury olhou em silêncio para Philip através do vidro grosso da sala.
Um quarto infantil com Mickeys e Nemos nas paredes, onde um homem calvo, com quase 40 anos, dormia aninhado em uma cama em formato de carro de corrida, ao redor dos brinquedos espalhados pelo chão.
Philip. O maior cognitivo da divisão Psi do Exército.
Sozinho, era mais eficaz que a equipe inteira de psi da SHIELD, com mais de 30 membros.
Philip era assombrado desde criança por suas visões. Visões que, a serviço do Exército, já tinham salvado o mundo pelo menos umas 20 vezes... E por isso Fury aturava as exigências da senhora Esther da melhor maneira que podia. Philip ainda era uma criança, emocional e intelectualmente, e isso também era do interesse de Fury. Quanto menos crítico e analítico ao que via do futuro ele fosse, melhor.
O quarto reforçava esta infantilidade, além de acalmá-lo depois de sessões cognitivas.
- O que você acha? – perguntou Fury para o Dr. Hammond. Cabelo escovinha, magro e óculos. O tipo de sujeito que passaria despercebido em qualquer ocasião. Era ele o médico designado para cuidar especificamente de Philip.
Ele continuou, desinteressado e apático, comparando o resultado da glicose com os outros, de dias atrás.
- Eu não sou pago para achar nada, general. Regras da SHIELD. - Pro inferno com a SHIELD, ela já está morta e enterrada. Você trabalha pra mim agora! Responda minha pergunta. Com toda a sinceridade. - As previsões de Philip nunca falharam, senhor. Se é isso que quer ouvir, sim, estou assustado. Talvez seja hora de rever os planos de Stark antes que ele os coloque em ação.
Os planos de Stark. Quais eram, exatamente, ninguém poderia dizer, ele nunca os compartilhava.
- Também preciso de um aumento e acho o senhor um babaca.
O olhar de Fury poderia congelar o inferno. Hammond murchou.
- O senhor disse para eu ser sincero. – falou com voz apagada. - Mantenha Philip sedado, quero que quando a mãe dele vier aqui ele esteja tão sorridente e doidão que cante Mary Poppins pelado no colo dela, entendeu? - Sim senhor. - Faça isso.
E se retirou da sala.
HELICÓPTERO MILITAR DOS VINGADORES - 18 HORAS DEPOIS
A leitura dos manuais foi breve e auto-explicativa. A tradicional explicação que o Capitão América dava quando todos estavam dentro do helicóptero fora igualmente curta e eficaz. Tinham uma única pista, que era um provável paradeiro do General Hamman, em algum lugar da Palestina, rodeado por cadáveres ambulantes.
O Homem de Ferro, Thor, Gigante, Gavião Arqueiro e Vespa apenas ouviram, sem tecer comentários.
Jesse Quick ficara de fora.
O helicóptero que transportava a todos circulava baixo entre a chuva. Indetectável para radares inimigos.
Estavam quase na zona de pouso palestina predeterminada.
O barulho dos novos rotores era inaudível.
Todos os ocupantes leram os dossiês especificando os detalhes sobre a missão, a zona onde se encontravam e os mortos apurados até o presente momento, sacudiram os papéis duas vezes e eles entraram em combustão espontânea, virando pouco mais que cinzas indecifráveis em questão de segundos.
Steve Rogers fitou absorto o papel se queimar. A situação como um todo o incomodava profundamente. Tivera uma forte educação católica na década de 1930. Fazia tempos que não pensava nestas questões... Mas e se este fosse mesmo o fim do mundo?
Mortos andando sobre a terra.
A desculpa de que Jesse Quick não poderia vir, pois estava em uma palestra sobre anorexia, também o perturbava um pouco.
Ela estava sendo usada como garota-propaganda de segundo escalão pelo Exército. Estavam dando este novo papel a ela para mantê-la segura e longe de missões que ele achava serem de alto risco.
E esta foi a única condição que Rogers impôs para voltar a liderar a equipe.
Sentia-se terrivelmente sujo por isso.
Calado debaixo de sua armadura, Hu Sien, o terceiro homem a ironicamente ostentar o título de Homem de Ferro, permanecia isolado, em todos os sentidos, de seus companheiros.
Seus pensamentos guardados apenas para si mesmo.
O grupo como um todo não confiava inteiramente nele. Ele sabia que sua presença era incômoda. Muitos o julgavam muito mais uma jogada política ousada de Stark do que um herói.
Todos eram amigos, se conheciam de longa data, confiavam uns nos outros. Sien era visto como um incômodo, sempre sendo tratado meio com reserva, meio com boa dose de constrangimento.
Um novato em uma equipe de veteranos, que não fazia esforço algum para vê-lo como um igual.
No entanto, sua presença havia sido imperativa no grupo, como símbolo de aliança do polêmico presidente americano e seu pai.
O Mandarin.
Eram realmente tempos estranhos.
O novo Thor era simplesmente indiferente ao conceito de morte. Para uma divindade como ele, viver entre os mortais era um verdadeiro suplício. Estava na equipe por um pedido especial de seu pai, para que aprendesse a ter humildade vivendo entre os habitantes de Midgard, reproduzindo um comportamento que o regente de Asgard sabia por experiência própria que daria resultado.
Mas ele ainda estava longe de aprender a lição. Batendo com o martelo várias vezes no chão e rindo, se jogou do helicóptero e convocou trovões e tempestades. Gargalhava em pleno ar, uma visão terrível e bela ao mesmo tempo. Esperava pela batalha vindoura, pela glória ou pelo fracasso de peito aberto.
O Gigante disfarçava o tremor de suas mãos. Aquilo tudo era, por caprichosa ironia, grande demais para ele. Tinha uma visão simplista das coisas, preferia quando o inimigo tinha um rosto e um objetivo claros, algo que ele pudesse atingir, que ele pudesse derrubar. Absorto em seus pensamentos, tentava disfarçar o nervosismo que sentia.
Seu uniforme parecia apertado demais.
O suor banhava seu corpo, mais rápido do que os nano-robôs dentro do tecido podiam absorver e devolver à pele, para mantê-lo hidratado e em temperatura constante.
A Vespa tossiu. Era a segunda vez que fazia isto desde que partiram, e o fato não passou despercebido pelo Capitão América. A equipe de informática que monitorava os biográficos, em Washington, se alarmou quando os índices dispararam. Ela não estava em condições de descer, os biográficos indicavam isto. Os técnicos tinham despejado remotamente grandes quantidades de endorfina para manter seu organismo regulado.
Não era o procedimento esperado. Algo estava errado. Ela estava bem quando embarcara.
Clint Barton brincava com o arco. Fazia mira em descargas elétricas que o deus do trovão criava. Seu corpo retesado ansiava pela ação, não pensava nas conseqüências do que estava fazendo. Puxou o cabo de aço do arco e falou:
- Por que não chamaram Tim Hunter?
O Capitão América respondeu, ainda cuidando de Janet. Sentia que algo estava errado. Muito errado.
- Segundo o boletim da inteligência, ele está perdido no tempo. - Dr. Estranho? - Não concorda com a política Stark. - Ah, e o cara do penico amarelo na cabeça? Aquele da Associação Geriátrica da Justiça. O Lorde Destino? - Sociedade da Justiça. SENHOR Destino. Você está fazendo isso pra me irritar. - Estou. Mortos andando e nenhum místico a bordo. Dá pra sentir o cheiro de fiasco em andamento de longe.
Steve Rogers esticou a mão e segurou o arco de Clint, abaixando-o. Ambos se encararam.
- Clint, seja um bom garoto e não piore ainda mais o meu dia.
Silêncio entre ambos. Fora, outra descarga elétrica estourou.
- E o George Romero? Esse sim é o expert que estamos precisando! Ninguém ligou para ele? Ou ele também não concorda com a política Stark? - Clint... - E o Jack Bauer? Aposto que ele resolvia tudo isso em 24 horas.
O piloto se virou para eles.
- Senhores, esta é a área do Couraço Andante. Salto programado em três minutos.
Rogers se levantou. Colocou-se em posição, examinou o suor no rosto da Vespa.
- Janet não está em condições de pousar. Ela fica fora desta. - Sim, senhor. - Janet... Você está me ouvindo?
Ela suava por todos os poros. Excessivamente. Algo soou na cabine. O piloto virou-se e falou:
- Senhor... - O quê?
Antes que pudessem trocar qualquer outra palavra, cinco meta-humanos kamikazes palestinos emergiram das nuvens, dois sendo imediatamente interceptados pelo martelo do deus do trovão, se desfazendo em uma névoa de fogo e sangue.
Os outros três atingiram em cheio o jato, pondo o veículo aéreo em chamas em uma rota direta para o solo.
Na central de comando, em Washington, todos os biográficos oscilaram por um momento. Então, no terminal da Vespa, lentamente todas as informações começaram a desaparecer, sendo substituídas por apenas uma singular frase.
“Ninguém é intocável”.
Com a velocidade do medo e desrespeitando a hierarquia, o operador correu para informar o presidente Stark.
FRONTEIRA DA PALESTINA COM O LÍBANO – Planalto Sahl Akkar
Eles estavam escapando dos mortos há três dias. Era um destacamento israelense de 40 homens e, agora, restavam apenas 12.
O líder do grupo situava-se naquele limite indefinível entre os homens e as criaturas... Era uma das armas bem sucedidas de Israel.
Emil Blonsky.
Pisando a areia, sendo seguido de maneira respeitosa pelos exaustos sobreviventes.
O Abominável.
O Couraço Andante.
Apelido que causava terror nas tropas inimigas.
Causava.
O Tenente Leishberg tentava acompanhar suas passadas gigantescas. Era o líder do destacamento devastado até seus caminhos se cruzarem com os de Blonsky.
Ele os assustava, mas era também sua única chance de sobrevivência.
Era uma péssima situação.
A vila surgiu no horizonte. Suas pernas pararam, congelados entre a esperança e o medo. Talvez aquele pesadelo finalmente acabasse e pudessem descansar um pouco.
- Senhor...?
A voz sibilante e rouca, inumana de Blonsky se fez ouvir.
- Esperem aqui. Ainda estamos no território de Hamman.
Olhou para aqueles homens esgotados. Não sem uma dose de vínculo e piedade.
- Vou na frente... Ver se é seguro...
Ninguém discutiu.
Sem mais, o Couraço Andante se pôs em direção à vila.
As portas se abriram, um homem de moto avançou urrando em sua direção, os habitantes da vila portavam facas de cozinha, paus e pedras, avançaram como uma turba, repentinos e em simultâneo, 30, 40 pessoas, homens, mulheres, crianças, idosos.
Mortos. Todos mortos. Gritando sobre “nossa terra”.
Com um soco o Abominável simplesmente pulverizou o ocupante da moto, agarrando o veículo e jogando sobre a turba que estava cada vez mais perto.
- Fujam!!! Fujam!!! – gritou para seus homens. Os mortos já começavam a subir em cima dele, era como nadar em um mar de lama, a cada soco corpos se pulverizavam, se liquefaziam, despedaçavam com o impacto, e eles eram tantos!!! Tantos!!! - Venham!!! Podem vir mais!!! Vou aleijar A TODOS!!! – gritou com toda a fúria de seus pulmões.
E os mortos não paravam de avançar.
SEIS HORAS DEPOIS
Ao todo, sete dos seus homens tinham morrido no ataque. A vila tinha sido total e completamente destruída. Os quatro homens, mais farrapos humanos que homens, seguiam o Couraço Andante pelas areias inóspitas.
Dormiram três horas nas ruínas de uma precária mesquita abandonada, apenas o céu estrelado acima de suas cabeças.
Emil sonhou com um espião russo traído. Condenado a uma forma semi-humana.
O mesmo sonho de todas as noites nestes últimos 16 anos.
Despertou com explosões de granadas, os estilhaços atingindo inutilmente seu corpo. Os mortos estavam novamente atacando. Odiando. Reivindicando sua terra. Furioso, com um único golpe virou a parede da mesquita sobre a turba que avançava com tochas, pedras, foices, ancinhos e pistolas. Tentou achar seus homens naquele mar de ferimentos e carne apodrecida.
Foi em vão.
Eles já haviam sucumbido antes mesmo que ele acordasse.
Saiu socando carnes flácidas, espalhando destroços humanos para todos os lados, se perdendo no labirinto de sangue e gritos.
Isso durou a noite toda.
Quando a manhã chegou, os mortos viram a inutilidade daquilo. Não poderiam matar aquela coisa, assim como ele também não poderia matá-los.
Simplesmente foram embora, fazer outras coisas.
Por três dias o Couraço Andante vagou sem ser incomodado. Achou a aeronave avariada dos Vingadores no final do terceiro dia, esparramada sobre a terra. Havia marcas de sangue e combate.
Mas nenhum sobrevivente ou cadáver.
Arrancou o símbolo deles da fuselagem e esmigalhou o metal como se fosse papel.
Em seguida, continuou em sua peregrinação, até chegar a seu destino.
Uma vila reconstruída. Cem, talvez duzentos desmortos morando ali. No topo da colina, a voz inconfundível mandando cavar.
O general Hamman, um buraco se projetando em sua testa. Mandando freneticamente os mortos cavarem sepulturas para os vivos daquela vila.
Os mortos enterrando os vivos.
Esfregou suas mãos escamosas e se aproximou sorrindo. Os mortos abriam espaço para ele naquela praça. Hamman interrompeu suas atividades e ficou olhando para aquela imensa forma a andar em sua direção.
- Isto é que é coincidência. Sabe, general...
Estalou os punhos, contando mentalmente quantos desmortos teria que incapacitar.
- Eu fui enviado para cá com a missão de te levar vivo ou morto, tanto faz...
Sorriu.
- Quem diria? No fim das contas, vou valer o meu dinheiro.
Continua...
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