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Novos Vingadores 03: SOBRE O QUE FALARAM OS VELHOS PROFETAS - Parte 2 PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Márcio Sampayo   
Seg, 26 de Março de 2012 23:03

OS NOVOS VINGADORES

CAPÍTULO 3

SOBRE O QUE FALARAM OS VELHOS PROFETAS – Parte 2

Por Fábio Ochôa e Márcio Sampayo


MONTANHAS ROCHOSAS DO CANADÁ – Próximo ao Monte Elbert

A imensidão branca era absoluta e perfeita. Os montes formados em rocha e neve apontavam para o céu, como uma oração das coisas.

O homem de azul e vermelho em movimento era a única cor do ambiente, uma nota dissonante, um tom fora da paleta monocromática daquela paisagem.

Um anacronismo.

Algo que não era bem-vindo ali. As montanhas estavam muito bem sem ele, entretidas em suas conversas seculares, travadas não em palavras, mas em rochas e erosão, seus contos e crônicas inumanas espalhadas pelos gélidos ventos seculares.

Óbvio que nada disto importava para o homem que encontrava paz naquele ambiente onde poucos sobreviveriam. Durante muito tempo ele viveu em um chalé, apenas alguns quilômetros longe dali.

Quando soube o que aconteceu, ofereceu-se para a missão.

Os sensores térmicos dentro de seu capacete indicavam o caminho, os satélites enviavam uma fotografia diretamente para o seu córtex cerebral, cortesia do chip implantado na base da sua nuca, que recebia as informações a cada dois minutos.

Finalmente, seus olhos azuis avistaram o econômico avião caído, em um pequeno platô, coberto pela neve de dois dias, a mesma neve que havia coberto as cicatrizes no solo do pouso forçado.

Sua busca havia acabado.

O homem de azul e vermelho se dirigiu para o avião, sereno naquela imensidão, considerando que havia sido um plano ousado da parte deles.

Mas não muito esperto, na verdade. A neve costuma se acumular nas asas de pequenos jatos, aumentando a instabilidade e dificultando o vôo, detalhe que eles levaram em consideração durante a fuga.

Uma pequena iluminação crepitava pelos vidros grossos do pássaro ferido.

Sobreviventes.

Ótimo.

Colocou a mão no trinco da porta, deformada e emperrada. Com uma flexão de músculos arrancou-a sem cerimônia e esperou seus olhos se acostumarem com o apertado ambiente.

Havia uma mulher coberta por peles, ela segurava uma pistola.

Do outro lado, três homens, ruivos e de aparência rústica, sob a mira da arma. Um segurava a perna ferida, sua calça tomada por sangue seco. Barbas por fazer, embrulhos de chocolates devorados entre eles.

A mulher não se virou para olhar o visitante recém chegado, era morena e pequena, corpo atraente, cabelos compridos e perfil grego. Olheiras profundas a repousar abaixo dos olhos.

- Dois dias! – disse ela, com a voz cansada – Dado o que foi roubado, já estava me perguntando quando um de vocês ia aparecer.

O homem símbolo, sem dar sinal do seu imenso peso, entrou no jato.

- Feche a porta, por favor... O frio está entrando – os lábios dela estavam roxos, a pele pálida, falava trincando dentes... Ela estava em estado bem pior do que queria mostrar.

O Capitão América puxou a porta metálica, com um estalo estava provisoriamente fechada.

- Obrigada. Sabia que você é bem maior do que eu imaginava?

Ele não falou nada. Olhou um embrulho quadrado jogado em cima do banco do co-piloto. Havia marcas de bala no painel de controle. Duas ao menos.

Os homens batiam queixos, abatidos pelo frio. Nos olhos apenas resignação. Estudou de longe o ferimento na perna do terceiro homem, não havia sinal de infecção em um primeiro momento. Havia hematomas nos rostos dos dois maiores, e sangue seco no rosto de um deles, oriundo do nariz.

Ela sabia se defender. Gostou dela. Considerou que a mulher deveria ser bastante atraente em condições ideais.

- Onde estão meus modos? Estes cavalheiros sob minha mira são Rob Gigantor, o barbudo da direita é Eddie Cochrane e, segurando a perna, Bill Thooty. Foram eles que me auxiliaram no roubo, se é o que quer saber, e também cometeram a bobagem de tentar me jogar para fora do avião em fuga para quebrar o pescoço nestas montanhas... Acho que dividir o lucro entre três é melhor que em quatro.... Homens. – sorriu divertida – Ainda bem que minha falecida mãe me ensinou a andar sempre armada.

O soldado americano abriu um dos bolsos no cinto e sacou quatro algemas. Com calma, atirou três em direção aos homens.

Eles as pegaram, e resignados começaram a colocar nos próprios pulsos.

- Por que não matei todos eles para me livrar do risco de morte, estupro e divisão de lucro? Porque só tenho uma bala e eles são três... E não conseguiria matar os outros dois com as mãos, se é o que quer saber... Felizmente nenhum deles foi homem o suficiente para arriscar a levar esta bala.

Esticou a outra algema para ela, girando-a no dedo indicador.

- Sabe, estou feliz por você ter chegado... Não dormi, estou com fome e frio e mais um dia, teria que tomar uma atitude drástica.

Devagar, apontou a arma para o super-soldado. Ela ficou olhando para ele, considerando. Falou, pela primeira vez, em tom monocórdio:

- Não faça nada estúpido.

Ela sorriu a contragosto, a arma pendeu de sua mão, a alcançou para ele, pegou as algemas e colocou nos próprios pulsos.

- Foram dois dias muito chatos.

Ele caminhou até o banco e pegou o embrulho. O enrolou com o manto que o Vingador Fantasma havia lhe dado.

Estava seguro agora. O Necronomicon. Roubado dos subterrâneos do museu de Nova Iorque.

Lá fora holofotes iluminaram a imensidão branca. Os novos helicópteros, resistentes a nevascas, chegavam. Portando o embrulho, o super-soldado americano abriu a porta do jato. O ar frio invadiu o compartimento, mais uma vez.

Depois de viver quarenta anos dentro de um iceberg, estava mais do que acostumado ao frio.

Os pássaros gigantescos pousavam maciamente, iluminados, sem barulho. Soldados vestidos de branco e fortemente armados surgiram de seu interior.

- Coronel Rogers?
- Sim, soldado?
- O presidente quer ver o senhor, Coronel.


A CASA BRANCA – WASHINGTON – DC

A água suave e fresca estava à altura dos tornozelos daqueles três homens. Acima deles um céu limpo, um céu perfeito e fabricado, o sol a suprir uma temperatura ideal. A praia se estendia em uma faixa de água a perder de vista.

Um horizonte fractal sem fim.

Imersa na água, uma jukebox estilo anos cinqüenta tocava Count Basie, para um homem sentado em um banco de areia, calças dobradas, pés imersos no frescor daquele mar raso, nó da gravata afrouxado, anotando em pastas e planilhas virtuais que flutuavam no ar ao seu redor.

O presidente Anthony Edward Stark. Todo aquele paraíso perfeito era a sala oval.

- Bom dia senhores!

Cumprimentou com um sorriso os três homens que entravam. Levantou-se, com um sinal do indicador duas folhas virtuais entraram em pastas holográficas e sumiram. Com pequenas batidas tirou um pouco de areia das calças enquanto se dirigia a seus antigos aliados.

Steve Rogers, Nicholas Fury e Clint Barton... Os corações e mentes por trás dos Novos Vingadores.

Caravan chegava ao fim. Após um pequeno intervalo os primeiros acordes suaves e calculados de Duet começaram a se ouvir no ar.

- Senhor Presidente. – disse Rogers.
- Tony, Steve, T-o-n-y, já lhe disse milhares de vezes, não é tão complicado assim de aprender, é?

Apertaram as mãos, efusivos. Stark continuou:

- Apesar de você sempre recusar nossos convites para jantar, é bom te ver de novo, Steve! Como foi o resgate do Necronomicon?
- É difícil me acostumar a ter um amigo como Comandante em Chefe, Tony. Correu tudo bem.
- Certo... Clint, faça-me um favor: Atire nele na próxima vez que ouvir esse “Senhor Presidente”, ok? Eu te autorizo.
- Depois de atirar nele, eu posso ser o novo líder da equipe?
- Pode.
- Você ouviu o Presidente, velhote. É hora de trocar estes ossos caquéticos por carne nova.
Os quatro homens começaram a caminhar em direção a quatro bancos de areia que não estavam ali há um minuto atrás. Saboreando a água, a brisa, o sol e os resquícios reacendidos de uma coisa chamada amizade. Fury afundou os sapatos na água, e resmungou:

- Espero não estragar essa merda. Sharon garante que são italianos... Trabalhando duro, Stark?
- O suficiente. Esboçando roupas que alimentam o corpo e a mente e podem aumentar a média de vida humana saudável para 150 anos a um custo de quarenta dólares a unidade, novos espaços dimensionais para colonizar com o excedente humano, transgenias alimentares, entre outras coisas... Não estamos mais em uma época que nossos cofres custeavam a guerra a um custo de trilhões de dólares. Hoje eles custeiam a vida.
- Sei. Até algum filho da puta meter uma bala na tua cabeça por querer salvar o mundo...
- Vocês são pagos para impedir que isso aconteça. O que acharam da nova Sala Oval?
- Molhada. Cê conseguiu transformar a Casa Branca numa sucursal do Havaí. Isso tudo é holograma? Porque eu acho que o Fury tá mesmo preocupado com os sapatos. A gente acha que ele apanha da mulher.
- Tecnologia mista. Holografia com programação sensorial elevada. Daí a sensação térmica, o vento e os pés molhados. – passou a mão na areia.- minha primeira idéia foi fazer algo na linha de M.C. Escher, mas optei por algo mais simples a princípio. E idílico. E não estragam seus sapatos, Fury.

Sentaram-se em seus lugares. Clint passou a mão na areia, avaliando, tateando.

A ilusão perfeita.

- Bonito, Tony. Eu poderia ficar aqui o dia inteiro.

Tony ajustou a gravata torta.

- Você só precisa ganhar a eleição.
- É meu primeiro projeto depois de atirar em Steve e virar líder dos Vingadores. Qual o problema desta vez? Quem está querendo dominar o mundo agora?

A luz bruxuleou um pouco. Uma tela surgiu em meio ao céu azul.

- Recebemos esta gravação há cerca de três dias.

Havia estática na tela. Lentamente o céu, a água, o sol, todos começaram a escurecer.

Havia apenas a escuridão e a tela.

A imagem custou a entrar em foco. Trêmula. Um ar de filmagem caseira, câmera um pouco inclinada e um desagradável chiado.

Obviamente não era um trabalho profissional.

Na tela, começaram a aparecer pessoas trôpegas, andando lentamente, de forma incomum. Um grupo palestino, cidadãos comuns. Civis. Pessoas que só tentaram viver em meio à loucura e ódio cotidiano, até esse mesmo ódio tragar a todos.

Pessoas que viveram em meio ao ódio.

Pessoas que aprenderam a odiar.

Pessoas que morreram pelo ódio.

Era um grupo de 6 ou 7 em uma planície palestina desolada e arruinada. Alguns falavam, outros não possuíam maxilares.

E estavam todos mortos.

Todos ostentando os horrores violentos, as mutilações que a morte e vida bruta lhes infligiram. Pararam na frente da imagem carregando algo. Um saco preto se movendo convulsivamente.

Outro morto-vivo entrou claudicante no campo de visão da câmera. Óculos quebrados, barba por fazer, pele amarelada e ressecada e uma cratera que se estendia da sua orelha esquerda até o topo da cabeça. Roupas bonitas, porém simples. 

Conferiu se a imagem o estava enquadrando. Olhou para os outros ao redor, em seguida, para a câmera. Tentou esboçar um sorriso, sem sucesso. Falou, em tom lento e firme:

- São tempos estranhos...  Esperamos que este vídeo chegue até vocês... É um aviso. Uma mensagem.

Aproximou-se mais da câmera. O saco continuava a se mexer de maneira perturbadora.

- Não tivemos paz em vida. Não tivemos paz em morte.

Ajeitou os óculos. A orelha direita, em frangalhos, não oferecia suporte para ele. As palavras eram fluídas, quase sem interrupção. Não havia o respirar que pausava uma conversa, ditando seu ritmo.

- Esta é nossa terra. E é nosso direito tentar encontrar a paz aqui. É nosso fadário. Nossa condenação. Nada queremos com os vivos.
- Queremos paz.
- E vamos vagar...aqui... até encontrar.
- Não queremos vocês aqui. Esqueçam-nos e deixem-nos finalmente encontrar nosso destino.
- Senão...

Ele se afastou da câmera. Surgiram no raio de visão dois desmortos, não muito velhos, carregando o saco preto.

Rasgaram em tiras. Havia um homem amarrado, barbado, sobrancelhas espessas.

Anuar Sabbath.

Um velho conhecido, um régio comerciante de armas que, seguindo suas regras, negociava de bom grado com ambos os lados. Seu suor escorria pelo rosto, o pânico era evidente. Sua pele rosada contrastando com os tons de faces amarelo-ocres à volta.

Tentar vender armas para os mortos tinha sido uma péssima idéia.

O pânico era tanto que o homem não conseguia sequer falar. Os braços amarrados. Uma granada atada à boca. Um outro morto entrou em cena. Era baixo, não mais que 11 anos. Não possuía um braço.

Carregava uma pistola automática em sua mão direita.

Fez mira cuidadosa e errou, atingindo a perna direita do homem. O sangue brotou negro, o urro abafado de Anuar Sabbath se fez ouvir.

Caiu de joelhos ao chão. A execução prosseguiria.

O jovem encostou a arma na têmpora de Sabbath e disparou, o sangue voou com pedaços de crânio e cérebro em um halo. O corpo gordo voou para trás, pousando pesadamente no chão.

Ficou imóvel por quase um minuto, depois começou a levantar. Os olhos rodavam em incompreensão. Metade da cabeça esfacelada. Mas ainda escapara de morrer.

O garoto fez nova mira.

A bala acertou a granada na boca.

Foi o fim da gravação.

As luzes se acenderam na sala oval, enquanto a projeção de vídeo desaparecia, lentamente. Aos poucos, os quatro homens estavam de volta a uma praia não tão confortável quanto antes, processando o que acabaram de ver.

A imagem congelada em suas mentes.

Outro dia de serviço na Casa Branca.

O Gavião Arqueiro interrompeu o silêncio incômodo:

- Como... Isso chegou aqui?

Ainda restava um leve odor de peixe fresco pela sala, um resquício. O presidente Anthony Edward Stark se ergueu e caminhou pela água enquanto falava.

- Por mais prosaico que possa parecer, Clint, foi entregue em mãos por um representante deles.
- Defina “representante”, Senhor Presidente.
- Incrível como você consegue fazer a palavra “presidente” parecer um insulto, Fury. – Stark estalou os dedos e outra tela começou a surgir nos céus, a iluminação ambiente começando a morrer.

Na tela, a imagem de um homem magro, um morto erguido em pé. Outro gesto de Stark e as imagens do homem desmorto se submetendo a vários testes tomou conta do ambiente.

- Este é Fahied, não sabemos o sobrenome...  Ele foi pessoalmente à embaixada dos Estados Unidos em Israel para entregar a gravação, como um representante dos povos da região. Submeteu-se sem resistências a todo tipo de testes e exames a que foi submetido nos últimos três dias.
- Os resultados dos testes estão disponíveis para vocês em seus alojamentos, seria no mínimo aconselhável que os estudassem para a possível missão.
- E o que concluíram, Senhor Presidente? – Perguntou Rogers.

Stark arqueou as sobrancelhas para Rogers, era inútil insistir para ele não chamá-lo assim.

- Que ele está morto. E sem nenhum motivo para não estar E também andando por aí.
- O que aconteceu com ele?
- No fim das contas nós o liberamos para voltar para seu país... Apesar dos protestos de Fury, obviamente, que queria... Em suas próprias palavras... “Encher o rabo dele de napalm e tacar fogo para ver se sobrevivem”.

Fury riu do próprio comentário politicamente incorreto. Falou:

- Não tem quase nada que um pouco de napalm não resolva...

Stark continuou:

- Ele não nos negou nada, se deixou ser examinado exaustivamente por nós... Parecia tão fascinado quanto os cientistas por sua nova condição, e querendo respostas também... Não vi porque manter o coitado por aqui após o término de todos os exames.
- Defunto bom é defunto que fica morto.
- Claro, Fury, claro. – um leve oscilar de cabeça de Stark e as telas se desligaram. As luzes tornaram a se acender. A praia tornou a surgir.
- Mas o fato, é que estes “defuntos” não ficaram mortos e não querem ser incomodados... Então, senhores...

Sentou-se no banco de areia, encarando os quatro homens.

- ...Perguntas?
- Como estão escondendo isso do grande público?
- Cooperação inédita entre todos os países. Como vocês podem ver, todos estão bastante assustados com a situação. E o medo anda de mãos dadas com cooperação. Mas não sei também por quanto tempo mais podemos impedir que a situação vaze, em dias de Youtube e Facebook... Daí a urgência da situação.

Olhou para Fury.

- O que suas consultas com os psi e os especialistas religiosos do Exército recomendaram, Fury?
- Napalm no rabo.
- Eles não disseram isso, disseram?
- Não com estas palavras, mas o resultado é o mesmo no fim das contas. E cê sabe que resultados são o que importam.
- Alguma notícia sobre o que a SHIELD pretende fazer a respeito?

Fury franziu o rosto, como se a se a simples menção do nome da Ex-Agência que ele dirigia lhe causasse náuseas. Falou:

- O de sempre. Debater na ONU, esperando que a gente tome as rédeas da situação e resolva a crise.

Steve concordou com a cabeça. Perguntou:

- Vamos fazer uma intervenção direta, senhor?
- Imagino que sim. Temos autorização do Primeiro Ministro de Israel para agir em território palestino, a Líbia não é exatamente uma nação amiga e a situação na fronteira está complicada demais para alguém ir conferir se ultrapassamos a linha que divide os territórios ou não. Ainda não sabemos as causas do fenômeno e aparentemente nem eles, todos os dados que pudermos colher no local serão bem-vindos para sabermos qual o melhor procedimento.
- Algum super-vilão por trás disso?
- Ainda não sabemos. Tínhamos informes de que o Líbano usaria um meta-humano como arma de guerra, mas isso foi antes da situação tornar-se uma versão real de Madrugada dos Mortos. Ninguém apareceu gargalhando e pedindo um bilhão de dólares para não ressuscitar os mortos de Washington ou algo do gênero. Estou aberto a palpites.

Fury puxou um charuto do bolso.

- Nos meus tempos eu já vi o General Hamman usar gás que reanimava os mortos. Ele tinha uma espécie de fixação curiosa nisto.
- Onde está Hamman?
- Não sei. Morto, segundo os relatórios da inteligência, mas com este tipo de gente nunca se sabe. Segundo as últimas informações, ele tinha morrido em experimentos que não deram certo.
- Isto poderia ser algum efeito colateral de uma experiência fracassada?
- Pode ser.
- Pode ser não é resposta, Fury.

Fury simplesmente soprou a fumaça do charuto para cima e falou:

- Por enquanto é a única que eu tenho, Stark.
- Eu acredito neles.
- O que foi, Clint?
- Eu... Acredito neles. No meio de tanta parafernália eletrônica vocês já pararam para pensar que podem ter razão? E... Se for mesmo um chão tão contaminado de ódio, onde os mortos simplesmente não podem descansar? Tony, você é o Presidente... Você está inteirado disto... Você nos fez perguntas, mas não nos disse o que realmente pensa disso. O que você acha?
- Como homem da ciência, como Presidente, como ex-católico ou como pai?
- Como tudo isso. Como Tony Stark.

Stark encarou seu próprio rosto na água por alguns segundos. Depois, falou:

- Eu... Orei para eles... Terem paz. Eu não sei há quantos anos eu não rezava... Mas orei. Em igrejas e mesquitas. Quando fiquei sabendo que um morto-vivo trazia uma mensagem para nós, fui encontrá-lo pessoalmente. Eu olhei naqueles olhos mortos quando estive lá. Você não faz idéia do vazio daquele olhar... É mais do que palavras podem expressar.

Olhou para o rosto dos quatro homens, parou em Clint.

- Eu lembro que pensei que... Se isso era estar morto... Bom, eu quero evitar a todo custo.
- Tony...
- Sim?
- Você ainda acredita em Deus?

Ponderou.

- Não sei o que responder, Clint. Cada um de nós já testemunhou coisas demais nessa vida... Coisas totalmente contrárias ao que aprendemos nas aulas de catecismo. Fica complicado lembrar das escrituras depois de ter conversado pessoalmente com Odin e ter um “deus” alistado nas Forças Armadas.... Mas foi uma oração sincera, esperando que alguém sábio e sensato a escutasse.

Continua...

Última atualização em Qui, 26 de Abril de 2012 03:19
 

Comentários  

 
0 # Henrique JB 27-03-2012 03:09
O General Hammam já apareceu antes no universo Quadrim, no arco Heróis de Guerra da série do Justiceiro. Hammam organizou o projeto Soldado Universal, ressuscitando homens das Forças Especiais mortos em combate para compor um exército particular. Quem quiser saber mais, aí vão os links:
Justiceiro 43 - http://bit.ly/H7Etg4
Justiceiro 44 - http://bit.ly/H660Ra
Justiceiro 45 - http://bit.ly/HajXdl
Justiceiro 46 - http://bit.ly/H66g2y
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