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Hellblazer 19 PDF Imprimir E-mail
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Escrito por Raul Kuk   
Sáb, 20 de Novembro de 1999 00:00

Conheça o mais novo interno do Asilo Arkham para Criminosos Insanos: John Constantine! Mas como ele foi parar lá e como vai fazer para sair... nem o mago inglês sabe a resposta. Um mistério ainda maior se esconde em cada cela do famigerado hospício...

"


Sons. Dor.

Abriu os olhos com dificuldade, o corpo entorpecido. Não conseguia se mexer e tinha babado enquanto dormia. Os braços estavam na frente do corpo, o rosto profundamente afundado no colchão. Estava com frio e uma terrível dor de cabeça. Outra ressaca, pensou, enquanto se esforçava para ficar numa posição mais confortável. Foi quando percebeu que os braços estavam presos na frente do seu corpo e se desequilibrou, caindo desajeitadamente apenas para voltar a dormir. Sabia que não podia pegar no sono, alguma coisa lhe dizia que não podia perder tempo naquele lugar, mas dormir era reconfortante, um alívio, uma fuga da dor...

Acordou de novo, deitado sobre as costas, o corpo ainda pesadamente dolorido, a boca seca. Não era ressaca. Estava em uma camisa de força, dentro de uma cela acolchoada. Eu... Eu sou John Constantine..., disse para si mesmo, tentando conferir se sua mente estava intacta. Eu sou John Constantine, Constantine, CONSTANTINE!

Quando parou para respirar, o sono novamente o privou de seus sentidos. Na fração de segundo entre seus gritos e sua inconsciência, se perguntou o que teria feito para estar em um hospício. Não seria a primeira vez. Certamente, não seria a última. Mas gostaria de, ao menos, se lembrar do que estava sendo acusado. Em seus sonhos, estátuas trocavam de lugar com as pessoas em um museu de cera, mas começavam a derreter assim que iam para as ruas. “Conseguimos”, diziam as pessoas em seus pedestais. “Nos livramos delas”. As estátuas não sentiam dor, apenas tristeza por todas as suas lembranças perdidas. Enquanto dormia, John Constantine não sentia dor, apenas medo de ficar preso em seu sonho e descobrir que era uma estátua de cera.

Acordou com água atingindo seu rosto. Um homem negro, alto, muito forte, vestido de branco, deu um tapa em seu rosto:
- Acorda, branquelo. Tá na hora da sua medicação.

John tentou esticar os braços para se defender, mas devia estar a muito tempo na camisa de força. A dor arrancou um grito de sua garganta, mas John não reconheceu a própria voz.

- Pára de frescura, inglesinho! Todo dia é a mesma merda, agora?!

John estava disposto a resistir à medicação, mas não eram comprimidos. Era uma injeção, aplicada em seu pescoço. Sentiu o corpo entorpecendo rapidamente. Apagou antes que sua cabeça pendesse.

Isso se repetiu mais duas ou três vezes, mas Constantine não sabia se fora no mesmo dia ou se ele apagava por mais tempo. Não sabia que medicação era aquela, nem o nome do enfermeiro. Não sabia porque estava ali, nem de coisa alguma que tivesse lhe acontecido antes. Era como se tivesse nascido no hospício e o mundo acabasse do lado de fora da cela acolchoada, bem como suas lembranças e propósitos. Não queria acabar dessa forma. Havia algo mais além de sua cela, tinha de haver. Mas como foi parar ali? Como iria sair?

Parou de resistir ao enfermeiro que lhe aplicava a medicação. Mas isso não foi, nem de longe, um atenuante para os maus tratos a que era submetido. De alguma forma, o enfermeiro sentia prazer em ver Constantine reagindo. Passou a espancá-lo, antes de dar a medicação. Com cada vez mais força, cada vez mais brutalidade. Pisava no pescoço dele e ficava esperando enquanto John agonizava. Constantine olhava bem para o rosto dele, um rosto que não queria esquecer. Não seria humilhado para sempre. Um dia, daria o troco. Quando levou um soco no estômago, acabou vomitando em cima do enfermeiro. Não fazia idéia do que estava vomitando, pois não se lembrava da última vez que comera alguma coisa. O enfermeiro o segurou pelo cabelo e deu um murro violento no seu cativo. Caiu no chão, e sorriu. Tinha lido a plaqueta de identificação do enfermeiro. Sabia onde estava.

Asilo Akrham para Criminosos Insanos.


A Quadrim apresenta:
John Constantine - Hellblazer
Por Raul Kuk


São as Pequenas Coisas - Primeira Parte

John Constantine criado por Alan Moore, com Steve Bissete e John Totleben
Editora: Bárbara_Nikita


Não sabia mais a quanto tempo estava no Arkham. Não havia janelas, não tinha horários controlados para dormir. Talvez aquelas injeções fossem a única alimentação que estivesse recebendo. Não se lembrava de ir ao banheiro ou fazer qualquer outra coisa. Tudo que tinha como certo era que estava ali. Num cubículo de três por três metros, com paredes revestidas, e uma camisa de força. Outra de suas certezas é que sentiria muita dor, seria sutilmente torturado pelo seu carcereiro, um enfermeiro sem nome e sem escrúpulos.

John Constantine não se importava. Estava começando a achar graça da situação e esperava encontrar uma maneira de tirar vantagem de sua própria ruína. Era uma questão de tempo até entender o que estava fazendo em uma instituição para criminosos insanos. Já tinha ouvido falar do Arkham, conhecia sua reputação.

Sabia que estava em Gotham City.

Mas não se lembrava de ter estado aqui antes, não sabia onde tinha lido sobre o Arkham. Estaria realmente louco?

- Levanta aê, inglesinho de merda.
- Hora da visita íntima, Lothar?
- Ah, vai tomar...

O enfermeiro segurou John pela gola da camisa de força e o ergueu, sem dificuldades, puxando uma cadeira para o inglês. Logo em seguida, trouxe outra cadeira e saiu.

Percebeu que a barba estava muito grande, o cabelo completamente desgrenhado. Sem dúvida, aquilo era indício de mais de um mês de cárcere.

Por algum estranho motivo, estava certo de que não usava aquela barba com freqüência. Mas como podia ter certeza de qualquer coisa naquele lugar?

Foi quando a porta de sua cela se abriu novamente, e uma bela mulher, usando um vestido vermelho justo por baixo do jaleco branco, entrou. Carregava uma prancheta em uma mão e uma bolsa na outra. Os longos cabelos negros serpentearam ao redor de seu pescoço, espalhando um perfume adocicado de jasmim pela cela. Seu batom, da mesma cor do vestido, não esboçou nenhum sorriso, a cabeça erguida e os passos confiantes de quem sabia o que estava fazendo fizeram John ter uma ereção.

Gostava quando mulheres dominadoras se submetiam a ele.

Ou, pelo menos, achava que gostava.

- Bom dia. Eu sou a Dra Christ.
- Eu sou...
- John Constantine, interno número 216. Tenho sua ficha aqui. Esquizofrenia paranóide, delírios de grandeza, alucinações, surtos psicóticos, tentativas de suicídio, homicídio... Um histórico e tanto.
- Pode... ler pra mim?
- Não. Sua “perda de memória” é, na verdade, um bloqueio. Você está escondendo alguma coisa. Se eu contar o que sei a seu respeito, você vai bloquear ainda mais o que eu não sei. Mas pretendo descobrir em breve, de uma forma ou de outra.
- Fascinante...
- Poupe-me de seu sarcasmo. Sabe há quanto tempo está aqui?
- Nem idéia.
- Sabe por que está aqui?
- “Esquizofrenia paranóide, delírios de grandeza”... A lista parece ser grande...
- Como conseguiu essa cicatriz no pescoço?

Não se lembrava de nenhuma cicatriz no pescoço, e jamais conseguiria vê-la sem um espelho. Não sentia nada. Não sabia.

- Você não lembra, não é? Você realmente não lembra de nada!
- Você podia cooperar comigo... Dra Christ...
- Não quero acabar como os outros – disse ela, fechando os olhos. – Rápido, qual a cor dos meus olhos?
- Porra, sei lá. Você senta de saia na minha frente sem calcinha e acha que eu vou...

A Dra Christ ficou espantada com aquela afirmação. Arregalou os olhos de maneira reflexiva, quase como se quisesse conferir se tinha realmente esquecido a lingerie. Mas não tinha, ela até mesmo...

- Azuis.

Muitos palavrões passaram pela cabeça da doutora naquele instante, mas ela não verbalizou nenhum. Não era hora de entrar nos jogos doentios de Constantine. Estava ali a trabalho, e precisava provar uma coisa para ele. Precisava provar que ele não era tão bom quanto pensava em manipular as pessoas. Não era intocável.

Não era insano

Respirou fundo e continuou:

- Há um número na minha prancheta. Qual é esse número?
- Quarenta e... sete.
- Em que cor está escrito?
- Vermelho.
- Como você sabe?
- Li seus pensamentos, doutora.

A Dra Christ virou sua prancheta para John Constantine, mostrando a ele um número dois em azul.

- Já descobrimos que não sou bom em palpites, doutora. Posso ir embora agora?
- Descobrimos que seus delírios não se fundamentam, Constantine. Você já afirmou possuir clarividência, dons adivinhatórios, premonitórios... A lista é grande. Necromancia... Você já... ressuscitou um homem?
- Na verdade, vários...
- Vê o que eu digo? Você afirma ter um talento fora do comum para “estar no lugar certo, na hora certa”, como se houvesse uma aura sobrenatural nisso. Já ganhou dinheiro assim, já se livrou de surras, talvez até da morte. E atribui isso a conhecimentos místicos. Faz idéia do quanto isso soa absurdo?
- São seus lábios céticos, doutora...
- Mas não foi capaz de adivinhar o que eu tinha na prancheta, não é mesmo?
- ...
- Uma tarefa simples, que poderia ser o primeiro passo para sair daqui. E você simplesmente...
- Talvez eu não queira sair...
- Ótimo, negação.
- Talvez eu queira ficar aqui até descobrir como vim parar num hospício. Talvez eu não esteja com pressa. Talvez eu não tenha nada melhor pra fazer. Talvez, doutora, eu esteja apenas me divertindo com tudo isso.
- Acha divertido apanhar, John?
- Heh...
- Qual a graça?
- Você... Me chamou de “John”...
- Posso me certificar de que as surras piorem, sabia?

Constantine gargalhou.

- É assim que você gosta, não é? Demonstrando poder e controle, o tempo todo segura de si e senhora da situação, a dona dos homens que quiser ter. Uma dominatrix vestindo vermelho. Eu não tenho uma porra de um cigarro aqui, acha que eu me importo?
- Você está enganado a meu respeito, Constantine. Nem todos compartilham de seu modo de vida promíscuo e liberal – disse ela, levantando-se. – Seus “joguinhos” são medíocres. Você não sabe nada a meu respeito!
- Doutora Christ, quão pouco profissional...
- Você vai apodrecer no inferno, cachorro.
- Apenas alguém com o nome “Christ” poderia dizer isso com tanta convicção.
- Você ficaria surpreso se soubesse. Meu primeiro nome é Jesus.
- Jesus Christ!? Doutora Jesus Christ? Porra, e eu achava que já tinha visto de tudo – disse Constantine, enquanto a doutora se aproximava da porta. – Pelo visto, eu tinha razão quanto à natureza sexual de seu comportamento, doutora. Mas não fique acanhada, também não sou santo.

Ela estava resoluta a deixar a cela sem olhar para trás, pronta para fazer da vida do interno 216 uma desgraça. Mas, antes que saísse, Constantine a chamou e deu sua última cartada:

- Ah, doutora... Teria sido mais barato se ela não te conhecesse. Ela sempre te enganou, só você não quer ver.

Nem mesmo John Constantine estava certo do significado daquelas palavras.

Mas a Dra Christ entendeu muito bem.

E não conseguiu pregar o olho naquela noite.

Diferente de John, mas o sono não era um conforto para ele. Atormentado por pesadelos, dores no corpo, uma febre que se recusava a passar e delírios. Algumas vezes, tinha a sensação de não estar mais em sua cela. Parecia estar voando, fora do corpo. Precisava controlar isso de alguma forma, se fosse ajudá-lo a sair dali. Mas não tinha certeza do que era real, não confiava em seus sentidos. Não confiava em mais nada.

A sedutora Dra Christ tinha dito uma lista de “habilidades” que, supostamente, Constantine dominava. Mas como ela sabia daquilo? Ele mesmo contou? Quando? Quem o colocara ali? Como fazer uso de seus talentos incomuns?

Acordou sentindo-se fraco. Não tinha recebido a medicação depois da visita da Dra Christ. Sem dúvida, estava relacionada com sua alimentação. Alguém o limpava quando estava inconsciente. E talvez tivesse uma cicatriz no pescoço, não tinha como saber se era verdade. Talvez pudesse persuadir o “Lothar” a lhe dizer, mas o enfermeiro não tinha voltado.

Talvez fosse morrer de fome ali.

Ajoelhou-se, colocou a testa no chão e deixou a saliva escorrer, molhando sua cela. Formou uma pequena poça, sentou-se de pernas cruzadas diante dela e fechou os olhos.

Sua mente não precisava ficar presa naquele lugar.

Seu ego revisou todas as informações que tinha, até o momento, sobre sua condição. Sabia pouco mais que o próprio nome. Não sabia se a Dra Christ tinha mentido para ele, muito do que fazia era baseado em puro instinto. Esmagou o superego quando se lembrou de seu corpo curvilíneo, espremido no vestido vermelho. Continuou em frente, até que atingiu o id e buscou a única opção que realmente lhe importava:

Como sair daquele lugar.

A resposta veio na forma de um murro violento na boca, que se encheu de sangue.

- Levanta, inglesinho.

Não conseguiu esboçar uma piada, ou reação. Não conseguiu provocá-lo. O soco fora forte o bastante para deixá-lo entorpecido pela dor e pelo sangue. O enfermeiro o ergueu com uma mão e começou a estapeá-lo.

- Não vá desmaiar... Tá na hora da terapia.

“Lothar” tinha um aparelho de choque consigo. E procurou certificar-se de que cada parte do corpo de Constantine recebesse a mesma quantidade de descarga elétrica, pelo menos até que ele desmaiasse.

Se aquele seria o tratamento dali pra frente, sentiu uma ponta de arrependimento por não ter chamado a Dra Christ de puta logo de uma vez.

Não soube por quanto tempo ficou inconsciente. Acordou com um novo tapa na cara, o corpo bastante dolorido. Estava sentado em uma cadeira novamente, com outra cadeira vazia diante de si. Havia manchas de sangue e de vômito em sua cela. Enquanto pensava no que dizer à Dra Christ, um homem vestindo jaleco branco entrou.

- John Constantine, eu presumo. Heh.
- Hilário...
- Esqueça. Eu também não gosto quando é comigo. Como estamos hoje, John?
- Estamos... conversando?
- Muito bom. Sua agressividade está, aos poucos, se esvaindo.
- ...
- Viu só? Nenhuma resposta agressiva. Veja bem, John: eu já estudei casos como o seu antes. Tenho muita fé em tipos como você. Pessoas que só precisam ser ouvidas, precisam de um mínimo de atenção, como qualquer ser humano. As suas defesas caem naturalmente, os muros que construímos entre nós e o mundo lá fora se desfazem como poeira, como um pensamento ruim. Essa é a idéia. Vamos aos fatos, você enxerga a realidade de uma maneira diferente, que eu não posso ver. Mas eu quero entender. Quando você olha para o caleidoscópio da vida, não consegue diferenciar os muitos aspectos, as muitas formas que se desenham diante de seus olhos. Não consegue processar a informação do que realmente seu cérebro vai usar e do que é inútil. Isso não é um defeito, sabia? Ei, não durma. Acorde! Então, como eu dizia, isso não é um defeito. É uma qualidade peculiar, única. Derruba algumas barreiras, algumas inibições que fazem a nossa vida praticamente intolerável. São o que eu chamo de “fatores estressantes”. Se alguém começa a demorar muito na sua frente na fila do caixa eletrônico, por exemplo. Você se sente plenamente confortável e à vontade para xingá-la. Se alguém te dá uma fechada no trânsito, você logo mostra o dedo. Se sua mulher pergunta “fiquei bem com essa roupa?”, você não hesita em dizer que ela parece um maldito travesti! Hahahah. Você descarrega os diversos fatores estressantes do dia-a-dia, não guardando nenhum consigo. Quando o dia termina, você está mais relaxado que a maioria das pessoas, que precisam engolir um chefe pentelho, uma vizinha enxerida... Como não admirar alguém como você? No fundo, eu tenho inveja de você. Quero entender você. Quero saber o que você faz aí dentro – apontando para a cabeça de John – que o torna tão melhor que nós, aqui do lado de fora. O que me diz, John? Hã? Sua grande chance de prestar um serviço ao mundo, a si mesmo. Abra o jogo. Mostre suas cartas. Quem é você, John Constantine? Como você se tornou o que é? Como você pôde esconder tanta coisa, por tanto tempo?

Constantine estava quase desmaiando de sono com o falatório do “médico”. Mas havia algo de hipnótico em suas palavra, uma espécie de jogo subliminar que parecia disposto a lhe arrancar do estado de apatia em que se encontrava para revelar o que sua psiquê tinha mantido escondida até então. Não gostava de gente que falava demais, não gostava da atitude “trutão” dele, não confiava nem um pouco nele.

- O que me diz? Hein, John, meu velho?
- Cadê... a Doutora...
- Ah, lamento. Não podemos facilitar pra você. Não podemos deixar você se acomodar. Quer um cigarro?

O médico acendeu um cigarro e tragou, soltando a fumaça no rosto de Constantine, que passou a encará-lo com olhos raivosos. A provocação se recusava a se dissipar com a fumaça e, por um momento, esqueceu as dores no corpo.

- Admita, John... Eu tenho o que você quer.

Agora, não apenas o odiava como passou a respeitá-lo. Qualquer um que negocie dessa forma merece, pelo menos, morrer sabendo que foi um filho da puta de respeito. Constantine ainda não tinha em mente o que fazer com ele, ou como lidar com a situação, mas certamente se lembraria daquelas palavras o bastante para fazê-lo lamentar.

- Eu tenho o que você quer, John. Você tem o que eu quero. Vamos fazer uma troca, mas uma troca honesta. Eu vou deixar um cigarro aqui no chão, na sua frente. Não vou dá-lo a você. Eu vou embora, você pega se quiser. Por mim, tanto faz. Eu tenho muitos mais. É uma relação de confiança, John. Quando eu voltar aqui, você me conta o que eu quero saber. Se quiser. Tanto faz. Eu vou voltar de qualquer jeito. Você faz o que achar melhor, que tal?

”Morra”, pensou John.
- Que bom que concorda comigo, John – disse o médico, se levantando. – Nosso horário acabou. Eu volto amanhã, ou na semana que vem, ou quando for melhor. E a gente conversa mais um pouco. Pode ser assim?

John não respondeu. Estava com o olhar preso no cigarro no chão.

- Que bom, John. Que bom.

Caminhou em direção à porta da cela, sorrindo de maneira vitorioso, o sorriso orgulhoso dos homens que não se importam com um pequeno revés. Antes que saísse, Constantine o chamou:

- Onde está... a Dra Christ?
- Onde eu a mandei estar. Sou o chefe dela. Sou o chefe de todos aqui.
- E quem... diabos... é você?
- “Diabos”? Não, não, John... Não combina comigo! Heheh. Na verdade, tenho uma coisa em comum com sua médica favorita. Meu nome é Christ. Dr Jesus Christ.
- Porra... Não fode... Dois médicos de louco chamados Jesus Christ trabalhando no mesmo lugar?
- Por que a surpresa, John? Temos 216 internos aqui. Todos eles se chamam John Constantine. Um Jesus Christ a mais ou a menos nem faz tanta diferença assim, certo? Heh. Boa noite, John.


Continua..."

Última atualização em Dom, 21 de Novembro de 2010 15:16
 

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